"Ele pode ser cáustico mas também refinado, subtil": Augusto, o novo presidente da Assembleia da República, explicado por dois amigos ex-ministros

29 mar, 08:00
Augusto Santos Silva

Augusto Santos Silva foi eleito esta terça-feira presidente da Assembleia da República. Vieira da Silva e João Cravinho explicam quem é o homem e o político que sucede a Ferro Rodrigues. E o próprio Augusto Santos Silva também o faz

Os amigos chamam-lhe simplesmente “Augusto” mas os portugueses conhecem-no como Augusto Santos Silva. Aos 65 anos de idade prepara-se para assumir um dos mais altos cargos da nação, o de presidente da Assembleia da República, a segunda figura do Estado. “Os meus amigos mais próximos chamam-me Augusto. Tenho alguns colegas de escola ou de liceu, no meu tempo era liceu, que às vezes, me chamam pelo apelido Santos Silva. E também alguns dos amigos, que tenho em politica, chamam-me pelo apelido. Mas normalmente chamam-me Augusto. É mais raro uma pessoa chamar-se hoje em dia Augusto do que se chamar Santos Silva”, diz o próprio à CNN Portugal.

Experiência política não falta a Augusto Santos Silva e foram muitos as pastas governativas que estiveram a seu cargo. O ex-ministro Vieira da Silva, que conhece bem o próximo presidente da Assembleia da República, não tem dúvidas em afirmar que ele “não se vê como um político profissional” e que tentou nunca perder “ligação ao ensino, à investigação”. Não há “muitos que tenham assumido pastas de Governo tão diversas” e a isso estarão ligados alguns traços de personalidade, diz Vieira da Silva: “O Augusto é uma pessoa muito inteligente, com um conhecimento sólido mas muito abrangente. E com muita curiosidade intelectual”.

João Cravinho, ex-ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território de António Guterres, também se cruzou no caminho de Augusto Santos Silva. Descreve-o como "uma pessoa muito correta e leal, mesmo com os adversários". Em seguida faz questão de lembrar que é o político "que teve mais tempo de presença em governos em democracia".

Sobre o lugar de presidente da Assembleia da República, para o qual foi eleito esta terça-feira, Vieira da Silva não tem dúvidas de que Augusto Santos Silva o desempenhará “com elegância” e também não tem dúvidas de que “se está a preparar”. Do que conhece acredita que “está a estudar tudo o que precisa para o seu novo papel e como se deve situar nesse papel”. “Não só para o cargo, mas para a função, para o papel. Há uma carga simbólica nesta função, uma carga histórica também.”

Esta legislatura "espera-se mais conflituosa", explica João Cravinho, que espera debates "acesos" e luta "pela a agenda política". No entanto, não tem dúvidas de que Augusto Santos Silva será o homem certo para o lugar: "É um homem com tato para encontrar balanços". E acredita, ainda, que este terá "a preocupação de manter o bom funcionamento da instituição, com equidade para todos".

Da memória que tem de reuniões em que também participou Augusto Santos Silva, Vieira da Silva recorda que não era “o primeiro a falar”, normalmente era “dos últimos” e tentava “dar um sentido útil à sua posição”. Sempre lhe pareceu “vocacionado para usar divergências como algo positivo”. Ressalva ainda o seu sentido de humor: “Ele não cultiva o humor, é natural nele e pode ser cáustico. Mas também refinado, subtil”. João Cravinho também considera o humor um elemento que caracteriza Augusto Santos Silva: "Tem um grande sentido de humor, que usa com eficácia".

Vieira da Silva não tem dúvidas de que a componente família, “a dimensão familiar na sua vida, é muito importante e não deixa que outras coisas se sobreponham a ela”. Mas “apesar de reservado não tem problemas em expressar essa parte da sua vida”.

O Governo e a academia

Dois meses após a realização das eleições, a Assembleia da República teve a sua primeira reunião plenária esta terça-feira de manhã e os trabalhos ainda foram geridos por Ferro Rodrigues. Só à tarde é que os deputados votaram o nome escolhido para a presidência do Parlamento. Proposto pelo Partido Socialista para o lugar, que tem maioria absoluta, a eleição de Augusto Santos Silva é foi garantida com 156 votos. 

Augusto Santos Silva esteve ao lado de António Guterres como secretário de Estado da Administração Educativa (1999-2000), ministro da Educação (2000-2001) e da Cultura (2001-2002). Com José Sócrates assumiu a pasta dos Assuntos Parlamentares (2005-2009) e da Defesa Nacional (2009-2011).

Regressou a funções ministeriais em 2015, com António Costa, de quem é próximo, como ministro dos Negócios Estrangeiros, lugar que ocupou até ser anunciado o seu nome como candidato à presidência da Assembleia da República, a 24 de março.

Augusto Santos Silva conhece bem a casa (leia-se Assembleia da República) “desde o final dos anos 90”. Nasceu no Porto a 20 de agosto de 1956. É licenciado em História pela Faculdade de Letras do Porto e doutorado em Sociologia pelo ISCTE. 

Augusto Santos Silva é professor catedrático na Faculdade de Economia do Porto, mas devido aos cargos políticos que tem ocupado esta posição acabou por ficar em segundo plano. E se assumir a presidência da Assembleia da República, assim deverá continuar. Mas um dia quer voltar.

O percurso escolar, com exceção do doutoramento, “foi todo feito no Porto”, explicou à CNN Portugal Augusto Santos Silva. “A escola primária foi no colégio Jesus Maria José. Fiz todo o ensino secundário no que se chamava então liceu D. Manuel II, hoje escola Secundária Rodrigues de Freitas. Estive na Faculdade de Letras do Porto, onde me licenciei em História. E depois fiz o doutoramento no ISCTE aqui em Lisboa. Em Sociologia.”

artigo atualizado às 16h54

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