“Insultuoso. Dá a ideia de que os funcionários públicos portugueses carregam malas de dinheiro”: Governo reage às críticas de Navalny sobre a naturalização de Abramovich

29 dez 2021, 17:08

Ministro dos Negócios Estrangeiros fala em críticas sem “fundamento” e sem “pertinência”

Augusto Santos Silva refutou esta quarta-feira as críticas de Alexey Navalny a Portugal, a propósito da concessão da nacionalidade portuguesa ao empresário Roman Abramovich (dono do Chelsea), considerando-as mesmo “injustas” e “insultuosas”.

Reconhecendo que não cabe à diplomacia portuguesa “responder a particulares”, pois o país tem como “elemento basilar do seu ordenamento jurídico o respeito escrupuloso pela liberdade de expressão”, o ministro dos Negócios Estrangeiros não deixou de comentar os tweets que Navalny publicou no dia 23.

“Li a crítica dirigida a Portugal pela pessoa que referiu. Parece-me uma crítica profundamente injusta, dá a ideia de que os funcionários públicos portugueses carregam malas de dinheiro. É insultuosa, não tem nenhum fundamento e, como todos sabemos, quando fazemos críticas sem fundamento, essas críticas não têm nenhuma pertinência.”

Santos Silva argumentou também que a lei que permite a concessão da nacionalidade portuguesa a pessoas que são descendentes de judeus sefarditas expulsos de Portugal no final do século XV está em vigor desde 2014 e que o MNE não intervém no processo.

“Na última alteração da lei da nacionalidade, essa questão colocou-se no debate parlamentar e o Parlamento decidiu não introduzir nenhuma alteração legislativa a esse regime”, afirmou.

Navalny criticou o processo pelo qual Roman Abramovich se naturalizou português, afirmando que “as autoridades portuguesas carregam sacos de dinheiro” e mencionando as ligações do empresário ao presidente russo.

“Finalmente encontrou um país onde pode subornar e fazer pagamentos semioficiais e oficiais para acabar na União Europeia e na NATO – do outro lado da linha da frente de Putin, por assim dizer.”

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