"Tenciono divertir-me" como presidente da AR: entrevista CNN Portugal a Santos Silva, que "não" vai ter saudades de ser ministro

29 mar, 07:00
Augusto Santos Silva

Augusto Santos Silva foi eleito esta terça-feira presidente da Assembleia da República - teve 156 votos. Numa breve entrevista à CNN Portugal, garante que não vai exercer o cargo "com espírito programático"

Augusto Santos Silva garante que “não” vai ter saudades dos tempos de ministro, ele que chegou à política essencialmente por dois motivos: “Em primeiro lugar, assim me formei - a ter intervenção cívica, gosto de participar nas escolhas que o país faz, mas defendo as ideias em que acredito. A segunda razão é porque gosto muito de politicas públicas e, no Parlamento, terei o gosto, digamos assim, mais de observação das políticas publicas. Portanto certamente que não terei saudades das funções executivas. Foram 15 anos de funções governativas. Acho que é um clico que se fecha e outro que se abre.”

Para o novo ciclo terá um papel diferente que não passa por deixar “marcas”, até porque o presidente da Assembleia “é um primus inter pares”. “A função do presidente é tripla. É conduzir os trabalhos parlamentares, designadamente ao nível das sessões plenárias, representar o Parlamento na sua diversidade e também assegurar a organização e o funcionamento da Assembleia e dos múltiplos serviços que lhe estão associados - desde entidades reguladoras, conselhos nacionais e comissões”.

À CNN Portugal, Augusto Santos Silva deixa uma garantia: “Tenciono cumprir bem o meu lugar, como tenciono divertir-me nisso”.

Mas a imparcialidade é uma exigência do lugar. O presidente da Assembleia da República “não é tanto um árbitro, nem é um líder”. “O presidente da Assembleia deve ser uma pessoa o mais imparcial possível em relação ao debate parlamentar. Evidentemente que toda a gente sabe que pertence a um grupo parlamentar, pertence aliás ao grupo parlamentar mais votado, com mais deputados, mas espera-se que na sua função não seja partidário, seja imparcial. Ou seja, garanta os direitos de todos os deputados, garanta o respeito pela vontade popular incluída na composição da Assembleia e, portanto, não é um cargo que se deva exercer com espírito programático, ‘agora vou fazer isto, vou fazer aquilo, vou deixar esta marca ou aquela marca’”.

Ao aceitar o convite de António Costa para se candidatar à presidência da Assembleia da República, Augusto Santos Silva sabia que implicações isso teria: “Nos próximos quatro anos, voltar à academia não está o meu horizonte, visto que aceitei ser candidato à presidência da Assembleia”. “Eu sou professor, mas desde 2015 que estou requisitado à Faculdade de Economia do Porto, evidentemente essa requisição vai ser estendida”. 

Se um dia o deixarem, quer voltar à Academia: “Em condições normais, acabando esta legislatura, se tudo correr normalmente, em outubro de 2026 terei 70 anos e, portanto, já não regressarei ao pleno exercício das tarefas de professor. Mas espero poder ainda regressar, nem que seja como professor emérito, se a minha universidade isso pretender”.

Reservado por natureza, não tem uma opinião sobre si próprio: “Eu sou um cientista um pouco da escola positivista e, portanto, não me façam perguntas sobre a opinião que eu tenho de mim próprio porque eu digo que sou incapaz de responder… Os outros é que devem formar opinião acerca de mim”.

Sobre a vida familiar pouco fala mas assume o seu orgulho: "Não exibo a minha família, mas também não a escondo, tenho muito orgulho nela".

artigo atualizado às 16h57

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