Flávia Vasconcelos, de 36 anos, morreu na passada quinta-feira vítima de atropelamento em Lisboa. Até à noite de sábado, foram arrecadados mais de 19 mil euros numa "vaquinha" online para a trasladação do corpo da vítima
A notícia da morte de Flávia Vasconcelos, bióloga brasileira de 36 anos vítima de atropelamento em Lisboa na passada quinta-feira, foi avançada pelo namorado da vítima, Yago Bezerra, e está a gerar uma verdadeira onda de solidariedade entre amigos e conhecidos para possibilitar pagar o transporte do seu corpo para o Rio de Janeiro.
Nas redes sociais, Yago partilhou uma mensagem comovente de homenagem à namorada, gerando um movimento online de amigos e conterrâneos para juntar dinheiro suficiente para trasladar o corpo para o Brasil. "Perdi a pessoa que sentia o prazer de me fazer feliz. Com você eu me sentia o homem mais amado desta vida. Estou sem chão. Só queria que tudo isso fosse um pesadelo", escreveu.
Até à noite de sábado, a “vaquinha” online, organizada por Priscila Nascimento, amiga de Flávia, já tinha arrecadado mais de 120 mil reais, o correspondente a cerca de 19.200 euros, com um total de 942 doações. “Em nome de toda a nossa família, queremos expressar nossa profunda gratidão a todos os que contribuíram”, escreveu Priscila em comunicado. “Cada gesto de solidariedade nos trouxe conforto e força para seguir.”
Formada em biologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Flávia era doutorada em biologia ambiental e vivia na capital portuguesa desde 2022, quando começou a trabalhar como investigadora assistente no Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE). O seu trabalho incluía investigações sobre contaminação ambiental e ecotoxicologia, tendo sido autora de estudos internacionalmente reconhecidos, como um sobre poluentes em aves marinhas da Antártida.
No rescaldo da sua morte, a direção do MARE recordou a dedicação de Flávia ao trabalho e o seu impacto em colegas e alunos, ressaltando o seu legado na ciência e a amizade nutrida por todos os que a conheceram.
Como ressalta o jornal Público, Flávia Vasconcelos é a mais recente vítima de atropelamento em Portugal, onde Lisboa e Porto registam mais de 50% dos acidentes com mortes nas faixas pedestres do país, apesar de os motoristas serem obrigados por lei a parar e a dar preferência à travessia de pessoas.
Portugal está entre os países da União Europeia com os maiores índices de mortalidade entre pessoas atropeladas em faixas de pedestres, situando-se na oitava posição do ranking compilado pelo Conselho Europeu de Transporte Seguros (ETSC, na sigla em inglês). Dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) apontam que, entre janeiro de 2023 e junho de 2024, mais de 11 mil pessoas foram atingidas por um veículo (carro, motociclo ou autocarro), das quais 251 morreram e 944 ficaram gravemente feridas.
O Público adianta que a família de Flávia — pais e irmãs — deverá deslocar -se para Portugal a fim de transladar o corpo para o Brasil, onde será enterrado. Ainda não há prazo para o translado do corpo, já que há uma série de trâmites a serem seguidos, que deverão exigir o envolvimento e apoio do consulado do Brasil em Lisboa. A representação diplomática dispõe de departamentos para dar apoio jurídico e psicológico à família, sendo responsável por preparar a documentação necessária para o transporte do corpo para o Brasil.
