Utentes e presidente da Junta de Freguesia queixam-se da situação
É um caso no mínimo insólito. Se fosse médica de família teria menos de dois mil utentes e receberia o ordenado certo e pago nos dias certos. Mas não é isso que acontece na médica que está a prestar serviço na extensão de saúde da freguesia de Atouguia da Baleia, no concelho de Peniche.
A clínica foi convencida a trabalhar ali pelo presidente da Junta de Freguesia, mas ninguém esperava que além da dificuldade em atender todos os pedidos ainda viesse um problema de pagamento.
Em declarações à CNN Portugal, o autarca António Salvador admite que a médica "uns dias recebe a dia 27, outros a 25 e outros ao dia 17". O homem que dirige a freguesia diz que é da responsabilidade da Unidade Local de Saúde do Oeste, onde se enquadra este serviço de saúde, e que não lhe dá justificações em relação ao problema.
"À médica dou de barato não responderem, agora ao presidente da junta... é muito mau porque fui eleito e é à população que tenho de dar resposta", lamenta António Salvador.
Isto numa freguesia onde há utentes que estão quatro meses à espera da consulta, mas que percebem a médica, que nem sequer é paga a horas. "Ela não consegue porque são muitos utentes. São 12 mil e ela está sozinha, coitada, não pode", diz um dos utentes à CNN Portugal.
Contactada pela CNN Portugal, a ULS do Oeste rejeita responsabilidades e garante que está a cumprir um contrato que prevê o pagamento a 60 dias.