Pichardo: «Antes era mais difícil quando andava na rua»

3 ago, 21:21
Pedro Pichardo

Campeão do Mundo diz que reconhecimento dos portugueses mudou nos últimos anos

Pedro Pablo Pichardo, que conquistou a 24 de julho o título mundial do triplo salto, confessou esta quarta-feira que o reconhecimento que sente na atualidade dos portugueses é diferente do que existia no passado.

«Há dois ou três anos as coisas mudaram muito. Não podemos esquecer e negar as situações que aconteceram quando cheguei ao país. Antes era mais difícil quando andava na rua, havia muitas polémicas», lembrou o atleta nascido em Cuba e naturalizado português em 2017, que foi ontem homenageado pela Câmara Municipal de Setúbal, no Complexo Desportivo onde treina.

Pichardo, que juntou o ouro do Mundial, graças a um salto de 17,95 metros, ao olímpico conquistado há um ano nos Jogos Tóquio2020, garante que a realidade é agora é outra. «Depois tudo mudou e as pessoas já falam melhor comigo. Já consigo falar português e percebo melhor também. Tudo tem mudado, agora, mesmo quando vou ao shopping ou supermercado com a minha família, ou ando pela rua, tem sido muito bom», refere.

Menos de um ano depois de ter descerrado uma placa alusiva ao título de campeão olímpico conquistado no Japão, Pedro Pablo Pichardo não escondeu a sua satisfação por ter voltado a ser alvo de homenagem idêntica pelo município setubalense.

«É uma sensação muito boa. A única maneira que tenho de agradecer é continuar a ter bons resultados. Desde que cheguei a Setúbal sempre fui bem acolhido. Estou muito grato e feliz pela placa. Foi uma homenagem muito bonita e que me deixa muito feliz», disse.

Sobre a possibilidade de juntar novas homenagens às existentes no local onde treina, o atleta, de 29 anos de idade, garante que não vê esse aspeto como uma pressão extra, pelo contrário. «Pessoalmente, motiva-me. Encaro esse desafio como mais um rival ou competição que tenho de encarar da melhor maneira para continuar a conquistar títulos e depois esperar as placas», afirmou.

Já a pensar no Campeonato da Europa de Atletismo, que decorre em Munique (Alemanha), de 15 a 21 de agosto, e na Liga Diamante, o saltador não hesita em apontar ao lugar mais alto do pódio.

«É como sempre digo: gosto de competir e ganhar. Na minha cabeça está sempre a vitória. Tenho tido muitas competições e a viagem da América deixou-me fatigado, mas já estamos a trabalhar e espero que a partir de sábado comecem a sair bons resultados», referiu.

A ambição de Pedro Pablo Pichardo leva-o a afirmar que bater o recorde do mundo, cujo recordista mundial é o britânico Jonathan Edwards, com 18,29 metros, não é um sonho, mas um objetivo. «Sonho é quando uma coisa está muito distante ou é até impossível de conquistar. No meu caso, tenho trabalhado e sinto-me muito bem física e psicologicamente também. Durante a competição estou com muita adrenalina e aí perco muitos centímetros. Já estamos a trabalhar a pensar nessa fase e agora resta esperar para ver o que acontece», vincou.

Questionado sobre as razões que o levaram a não comparecer na zona de chegadas do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, com a restante comitiva que representou Portugal na competição que se realizou em Eugene, nos EUA, o português justificou-se dizendo que «estava morto» e pediu para não o levarem a mal.

«Ainda estou cansado. Estava rebentado, cansado. A viagem não foi boa, houve atrasos no embarque… estava mesmo morto. Pedi à Federação se podia agendar a imprensa para outro dia, mas não foi possível. Espero que as pessoas entendam e não levem a mal. Estou sempre disponível e espero que entendam», disse.

Na homenagem a Pedro Pablo Pichardo, que descerrou a placa alusiva ao título mundial juntamente com o vereador do Desporto de Câmara de Setúbal, Pedro Pina, estiveram, entre outros, José Manuel Constantino, presidente do Comité Olímpico de Portugal, Jorge Vieira, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, e Paulo Frischknecht, presidente da Fundação do Desporto.

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