Menor de 15 anos identificado como autor de atentado contra senador da direita na Colômbia

Agência Lusa , WL
8 jun 2025, 08:47
Ataque a senador na Colômbia (EPA)

Miguel Uribe Turbai, membro do partido conservador Centro Democrático, é um dos principais pré-candidatos presidenciais da direita às eleições de 2026

A Procuradoria colombiana confirmou hoje que o autor suspeito do atentado de sábado contra o senador e pré-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay é um menor de 15 anos, que foi detido no local com uma arma.

O ataque ocorreu no bairro de Modelia, distrito de Fontibón, na zona oeste da capital colombiana, Bogotá, onde Uribe Turbai participava de um comício político.

Uribe foi baleado duas vezes, de acordo com a procuradoria, mas os paramédicos da ambulância que o conduziu ao primeiro centro médico especificaram à imprensa local, que o político terá sido atingido duas vezes na cabeça e uma vez num joelho.

“O atentado contra o pré-candidato do Partido Centro Democrático, que levou dois tiros no corpo e no qual outras duas pessoas também ficaram feridas, ocorreu no bairro Modelia de Fontibón (...) onde um menor de 15 anos foi detido com uma arma de fogo tipo pistola Glock (9 milímetros)”, informou a Procuradoria colombiana.

Uribe Turbay, um forte opositor do Presidente colombiano, Gustavo Petro (esquerda), começou por ser transportado para a Clínica Medicentro, o centro médico mais próximo do local do atentado, onde recebeu a primeira intervenção médica.

Uma assistente de enfermagem da clínica disse à imprensa local que o estado do senador era extremamente delicado no momento da sua admissão: "Ele estava inconsciente. O seu estado era crítico", revelou, acrescentando que passaram "45 minutos a reanimá-lo".

Horas mais tarde, e devido à gravidade dos ferimentos, o senador foi transferido de ambulância para a Fundação Santa Fé, um hospital privado e uma das instituições médicas mais conceituadas do país, localizado no norte da capital colombiana, onde o senador terá sido submetido a uma cirurgia.

Miguel Uribe Turbai, membro do partido conservador Centro Democrático, é um dos principais pré-candidatos presidenciais da direita às eleições de 2026 e o atentado contra si está a causar forte comoção política na Colômbia, a começar pelos vários ex-presidentes do país, Álvaro Uribe, Juan Manuel Santos, Iván Duque, Andrés Pastrana e Ernesto Samper, que o condenaram unanimemente, num consenso invulgar entre figuras historicamente opostas da política colombiana.

Petro cancelou uma viagem que previa fazer na noite de sábado a Nice (França) para participar da Cimeira dos Oceanos da ONU, alegando a necessidade de permanecer no país para "dar prioridade a todas as ações institucionais necessárias para garantir a segurança, esclarecer os factos e reforçar a confiança no Estado de direito", segundo um comunicado do Governo.

A tentativa de homicídio de Uribe Turbai foi condenada por várias praças diplomáticas, a começar por Washington, onde secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, atribuiu a sua responsabilidade à “violenta retórica de esquerda” que “emana dos mais altos níveis do governo colombiano”.

“Esta é uma ameaça direta à democracia e o resultado de uma retórica violenta de esquerda que emana dos mais altos níveis do governo colombiano”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana num comunicado, em que apelou a Petro, para que “reduza a retórica inflamatória e proteja os representantes públicos da Colômbia”.

O Presidente do Chile, Gabriel Boric, afirmou através da rede social X que em democracia a violência “não tem lugar nem justificação”, manifestando a sua “condenação absoluta do ataque contra Miguel Uribe Turbai”.

Os ministérios dos Negócios Estrangeiros (MNE) mexicano e peruano condenaram “energicamente” o atentado, com o primeiro a sublinhar que “a violência política é inadmissível” numa decmocracia e o segundo a manifestar “o mais firme repúdio por qualquer ato de violência que ponha em causa a vida ou prejudique a paz social e o bem-estar dos nossos povos”.

De igual modo, o presidente do Equador, Daniel Noboa, afirmou ter recebido a notícia “com profundo pesar”, acrescentando a condenação de “todas as formas de violência e intolerância”. “Não estão sozinhos”, acrescentou o chefe de Estado no antigo Twitter.

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Colômbia e a Missão de Apoio ao Processo de Paz da Organização dos Estados Americanos (MAPP/OEA) condenaram o atentado e pediram garantias para as eleições de 2026.

“Condenamos o atentado contra o senador e pré-candidato do Centro Democrático Miguel Uribe Turbay. Exortamos as autoridades a investigar, processar e punir os responsáveis. Apelamos à garantia dos direitos políticos e ao debate político sem violência. Expressamos a nossa solidariedade para com o pré-candidato e a sua família”, afirmou o gabinete da ONU na rede social X.

(EPA)

Presidente colombiano promete empenho para encontrar mandantes de ataque contra senador

O Presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou no sábado que o seu Governo não poupará esforços para encontrar mandantes do ataque em que o senador da oposição Miguel Uribe Turbay foi gravemente ferido, sugerindo falhas da sua segurança.

“Todos os protocolos de investigação ao mais alto nível, com a mais alta qualidade profissional, trabalhando em equipa entre todas as agências de inteligência, têm de se concentrar a partir de agora em descobrir quem é o assassino intelectual”, disse Petro num discurso ao país, rodeado por autoridades policiais e militares.

O Presidente informou que a investigação visará inclusive o guarda-costas do senador conservador, porque pode ter havido uma violação da segurança, uma vez que Uribe Turbay é uma pessoa protegida devido à sua atividade política.

“A verdade é essencial aqui. Ordenei que o próprio guarda-costas fosse investigado”, disse Petro, considerando que, “sempre que um assassino pode atuar sobre uma pessoa protegida, há uma falha de segurança” dos “funcionários públicos” que “são pagos pelo povo da Colômbia”.

Segundo o chefe de Estado, há “protocolos de segurança que, sem dúvida, neste caso não foram cumpridos” e “haverá responsáveis, a começar pelos responsáveis pela sua segurança”.

Uribe Turbay, 39 anos, um dos mais severos opositores do governo de Petro, foi baleado duas vezes, segundo a Procuradoria colombiana, e está “em estado crítico” na Fundação Santa Fé em Bogotá, de acordo com o primeiro relatório médico da instituição, uma das mais prestigiadas do país.

“O dever do Estado é cuidar dos membros da oposição colombiana, porque se eles não tiverem liberdade e vida, a Colômbia também não terá liberdade e vida”, acrescentou Petro.

Segundo o Presidente, “todas as hipóteses estão abertas, a investigação começou agora” e irá “avançar rapidamente”.

A Procuradoria colombiana disse esta noite que Miguel Uribe Turbay foi atingido por dois tiros enquanto fazia um discurso de campanha no bairro de Modelia, Fontibón, na zona oeste de Bogotá, alegadamente por um rapaz de 15 anos, que foi detido no local na posse de uma pistola ligeira Glock (9mm).

A primeira responsabilidade do Estado é cuidar da vida do menor, porque ele é uma criança e, embora nos possa parecer terrível, as crianças são cuidadas na Colômbia”, afirmou Petro.

O Presidente reconheceu a existência de diferenças políticas com o senador membro do partido conservador Centro Democrático, e um dos principais pré-candidatos presidenciais da direita às eleições de 2026, para reforçar a saudação de “ainda estar vivo”, apesar da gravidade dos ferimentos.

“Por detrás da pessoa que se chama Miguel Uribe Turbay, independentemente do seu pensamento e das suas posições políticas, ele é antes de mais uma pessoa, um ser humano, e por isso tem o direito absoluto de viver, e num momento como este, tudo o que fizermos deve ser concentrado em garantir que ele possa continuar a viver e abraçar a sua família e os seus filhos”, disse.

A tentativa de homicídio de Uribe Turbai foi condenada por diversos países da América Latina, organizações e praças diplomáticas, a começar por Washington, onde secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, atribuiu a sua responsabilidade à “violenta retórica de esquerda” que “emana dos mais altos níveis do governo colombiano”.

“Esta é uma ameaça direta à democracia e o resultado de uma retórica violenta de esquerda que emana dos mais altos níveis do governo colombiano”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana num comunicado, em que apelou a Petro, para que “reduza a retórica inflamatória e proteja os representantes públicos da Colômbia”.

O embaixador da União Europeia (UE) na Colômbia, Gilles Bertrand, manifestou o “repúdio absoluto” pelo atentado e apelou às autoridades para que identifiquem os autores e mandantes do atentado. “A violência é o inimigo mortal da democracia”, afirmou, expressando a ‘total solidariedade da União Europeia’ para com o dirigente político.

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