Exclusivo: Perícias e confissão revelam que PJ travou mesmo atentado na Faculdade de Ciências em Lisboa
"Espero matar pelo menos quatro pessoas, mas quanto mais melhor". João Carreira partilhou detalhes do massacre na Faculdade de Ciências de Lisboa
João Carreira confessou e não deixou dúvidas: atentado ia mesmo acontecer na Universidade de Lisboa
Banda desenhada violenta e tiroteios em massa: as referências de João Carreira na preparação do atentado
O jovem aluno do 1º ano de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências cultivava, há quatro anos, um fascínio intenso por assassinatos em massa e tiroteios em escolas
Perícias informáticas com análise de centenas de mensagens trocadas nas redes sociais, vários testemunhos recolhidos, o material apreendido, uma confissão integral do suspeito, e ainda a perícia psiquiátrica do Instituto de Medicina Legal. O cruzamento de toda esta informação, nos últimos cinco meses, não deixa dúvidas ao Ministério Público e à Polícia Judiciária de que estavam certos, a 10 de fevereiro, quando detiveram um jovem de 18 anos por suspeitas de terrorismo: foi mesmo travado, no limite, um atentado na Universidade de Lisboa, conforme consta da acusação a que a CNN Portugal e a TVI tiveram acesso.
João Carreira queria, com um incêndio, explosões, disparos de besta e golpes de faca, matar entre três e 10 pessoas, antes de se suicidar ou ser morto pela polícia.
A procuradora Felismina Carvalho Franco, que conduziu no DIAP de Lisboa o processo em articulação com a Unidade Nacional Contraterrorismo da PJ, elenca de forma detalhada as provas recolhidas, antes de concluir a acusação por crimes de terrorismo e detenção de armas proibidas.
O jovem aluno do 1º ano de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências cultivava, há quatro anos, um fascínio intenso por assassinatos em massa e tiroteios em escolas. Uma colega de faculdade, com quem João conversava através da rede social Discord, contou à PJ que “ele dizia que queria ser protagonista de uma situação de terrorismo e mostrar ao país que estas coisas também acontecem cá”. De resto, o fascínio era partilhado com outros cinco utilizadores do Discord. As conversas online, descobertas e analisadas pela PJ, não deixam dúvidas sobre as reais intenções do jovem.
Entre 23 de janeiro e 3 de fevereiro, informou um desses utilizadores de todas as armas que ia comprando, enviando-lhe fotografias das mesmas. Nesse dia 3, uma pessoa não identificada nos Estados Unidos, tendo tido conhecimento do teor das mensagens no Discord do utilizador PsychoticNerd#6116 (João Carreira), sobre a intenção de praticar um ataque homicida-suicida na Universidade de Lisboa, fez uma denúncia por email ao FBI. E foi nessa altura que a PJ e o Ministério Público avançaram com uma investigação em contrarelógio que levou à identificação e captura de João Carreira na véspera de cometer um ataque contra colegas e professores.
Durante meses, segundo a perícia informática da PJ, pesquisava no Google a frase “terrorismo em Portugal”, além de um livro sobre atos terroristas praticados por solitários.
Usava fóruns de conversação no Discord, Reddit e Tumblr. Via vídeos e documentários no Youtube e jogava jogos eletrónicos. Consumia “Mangá” e “Anime”, banda desenhada e desenhos animados japoneses violentos. João Carreira foi influenciado por uma história de “Mangá” em que uma personagem entra numa escola com uma mala e, após ir à casa de banho preparar-se, inicia um tiroteio.
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