A rede secreta dele, a mulher que o apanhou e uma frase: "Odeio este mundo". Toda a história do plano para matar na Universidade de Lisboa

12 fev, 08:00
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Lusa/ José Sena Goulão)

Jovem de 18 anos está em prisão preventiva. Aqui contamos todos os detalhes do plano e como acabou detido

O plano na parede do quarto

Numa folha de linhas A4, pendurada na parede do quarto onde vivia, nos Olivais, o jovem escreveu à mão em português e inglês o plano do ataque - a preparação, as tarefas a fazer na véspera e toda a ação do dia do ataque. No dia 11 de fevereiro, o ataque seria às 13h30: numa bolsa colocada na perna, levaria uma faca com uma lâmina de cerca de 16 centímetros; na perna colocaria um acessório para transportar as setas que iria disparar com uma besta.

Além disso, pretendia provocar um incêndio e, para isso, tinha latas de combustível. Dentro do anfiteatro do bloco 3 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa lançaria uma cortina de fogo com gás e gasolina e depois desataria a matar os colegas. Naquele dia que escolheu estariam ali muitos estudantes a fazer exames. Aí começaria com disparos indiscriminados e a dar facadas a quem conseguisse. O plano até previa o fim: ele mesmo morreria num suicídio policial.

Armas numa mochila na marquise

Era na marquise do seu quarto que o estudante guardava as armas que ia comprando. Numa mochila preta e Numa mala de viagem escondeu a faca com lâmina de 16 cm, três outras facas mais pequenas, uma besta, várias setas, pelo menos cinco isqueiros, maçaricos, latas de gás e latas de combustível.

Comprou tudo para levar a cabo este plano e ao mesmo tempo, através da internet, foi aprendendo a manusear as armas e a criar os explosivos.

Confissões nas redes sociais

“Odeio este mundo.. A frase está publicada numa das páginas das muitas redes sociais que o estudante usava. Aos 18 anos passava grande parte do seu tempo na internet. Tinha página em mais de sete redes sociais diferentes. E o que ia colocando dava sinal de que vivia uma fase mais complicada. Entre as várias redes ia contando que tinha um “passado feliz” mas um “presente negro” e que estava “cansado”.  Ao mesmo tempo publicava fotos de criminosos e assassinos estrangeiros e nacionais, que parecia admirar. Procurava regularmente conteúdo sobre assassinatos e tiroteio em escolas.  Foi também nas redes que um dia confessou que teve “um sonho estranho com um tiroteio” numa escola.

Obcecado e inteligente

Inteligente e obcecado pelo fenómeno e ideologia do mass shooting – assassinato em massa. Quando foi detido não esboçou sequer surpresa.

Faz 19 anos em agosto e está no 1º ano do curso de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Nasceu e cresceu na Batalha mas mudou-se entretanto para Lisboa, onde residia com colegas nos Olivais. Segundo o seu avô, é um jovem calmo mas com alguns problemas sociais. “Tem dificuldade na forma de falar”, disse o avô, contando que, além de pouco falador, o seu neto era tímido. Era bom aluno e, segundo a polícia, tem um perfil que se revela muito inteligente.

PJ. A mulher que o apanhou

Manuela Santos, a agente que liderou a investigação ao grupo motard Hells Angels, lidera a unidade que conseguiu descobrir o estudante. Recebeu um alerta do FBI mas sem qualquer identificação do suspeito e em menos de uma semana conseguiu localizar o jovem que estava por trás de alcunhas que usava nas redes sociais. Esta agente comanda a Unidade Nacional de Contraterrismo, que tem cerca de 100 operacionais. Nos últimos dias, uma brigada foi destacada para este caso sensível, tendo feito várias diligências. Depois de terem descoberto quem ele era, vigiaram-no de perto. Na segunda-feira perceberam que o estudante ainda pensou em avançar com um ataque na faculdade nesse dia mas arrependeu-se - chegou a ir mesmo às instalações da instituição. Manuela Santos sucedeu a Luís Neves, atual diretor nacional da PJ.

O mundo secreto onde o FBI o encontrou

Foi numa rede social chamada Discord que o FBI percebeu que um indivíduo português andava a planear o ataque. Os serviços norte-americanos, para combater o terrorismo, estão infiltrados nesta rede. Aqui, o jovem partilhava ideias com membros de grupos ligados aos assassinatos em série.

As conversas suspeitas do jovem levaram o FBI a desconfiar e a alertar  a Policia Judiciária, passando-lhe o nome de código que o jovem usava neste sistema – onde muitos grupos são secretos e difíceis de encontrar.

O advogado de defesa, um homem do PSD

O estudante começou por ter um advogado oficioso mas depois surgiu Jorge Pracana, o advogado contratado pela família. O causídico pertenceu ao conselho de jurisdição do PSD e divide escritório com Francisco José Martins e Marco António Costa. Este processo vai fazer história no país", disse. O advogado já disse que ia recorrer da decisão da juíza do Tribunal de Instrução Criminal, que decretou prisão preventiva.

Os crimes e as sanções

O estudante está agora em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Lisboa. O jovem de 18 anos foi presente a tribunal esta sexta-feira. Ficou em silêncio. Está acusado de um crime de terrorismo e de crime de detenção de arma proibida

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