"Deram-lhe um tiro por trás, deram outro na mulher e na miúda também": Sá Pinto relata coisas "inacreditáveis" antes de sair do Irão

4 mar, 15:52

Treinador português saiu do país antes do ataque dos EUA e de Israel. Antes disso, polícias à paisana mataram “jovens, crianças e figuras públicas, ex-jogadores de futebol - um deles eu conheci, jogou contra mim há três anos aqui”. Sá Pinto relata acontecimentos "inacreditáveis" que não chegaram à Europa

Sá Pinto saiu do Irão antes do ataque, soube como muitos souberam que as bombas viriam: pressentiu que estavam a caminho. “Já saí do Irão há mais de uma semana, fui embora para aí dois ou três dias antes de começar o conflito e já previa que isto acontecesse: as últimas semanas não foram fáceis, houve muitas manifestações que levaram muitas pessoas às ruas, o ambiente ficou muito tenso, as pessoas ficaram com medo e percebeu-se que em breve algo iria acontecer.” Aconteceu.

Sá Pinto começou a sentir-se inseguro, deixou de ser possível andar na rua às horas todas e a morte espalhou-se em terra antes mesmo de os mísseis israelitas e americanos terem trazido mais morte pelo ar. “A partir das 18:00 evitávamos sair à rua, depois a partir das 20:00, enfim, morreu muita gente que as pessoas não têm ideia - de uma forma inacreditável porque as manifestações foram muito pacíficas, só que havia polícias à paisana misturados entre os manifestantes e foram matando jovens de 20 a 30 anos de uma forma inacreditável, com uma arma na cabeça por trás, jovens, crianças e figuras públicas, ex-jogadores de futebol… um deles eu conheci, jogou contra mim há três anos aqui, estava com a família, deram um tiro na mulher também, a miúda também.”

A internet não é livre no Irão, a internet tem os seus perigos mas também as suas liberdades, uma delas é saber-se o que se passa em todo o sítio mas não é o caso do Irão, o que se passa no Irão não sai de lá e quando sai é preciso VPN, é preciso correr-se riscos, mas Sá Pinto não precisou de VPN, estava lá e agora está cá e traz a informação: “Eu vivi de perto, 80% ou 90% das imagens, dos vídeos, das fotografias, enfim, de tudo que foi feito aqui não apareceu na Europa”.

De qualquer maneira: "Sim, pondero com certeza regressar quando o regime cair". E se não cair? "Vai cair de certeza."

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