Ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irão mostram que, no jogo da diplomacia, há movimentos inesperados
Apenas algumas horas antes de os Estados Unidos da América e Israel lançarem ataques contra o Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã afirmava que um avanço nas conversações entre os EUA e Irão tinha colocado um acordo de paz "ao nosso alcance".
"Um acordo de paz está ao nosso alcance se permitirmos à diplomacia o espaço necessário para lá chegar", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr Albusaidi, ao programa Face the Nation, da CBS, esta sexta-feira, numa rara entrevista. Na mesma, acrescentava que os principais obstáculos a um acordo tinham sido ultrapassados.
"Se o objetivo final é garantir para sempre que o Irão não pode ter uma bomba nuclear, penso que resolvemos este problema através destas negociações, concordando com um avanço muito importante que não tinha sido alcançado antes", referiu. "A conquista mais importante, acredito, é o acordo de que o Irão nunca terá o material nuclear que possa criar uma bomba".
Albusaidi afirmou que o Irão concordou em não armazenar material nuclear excedente que pudesse ser utilizado para construir uma bomba - uma concessão que, segundo ele, ultrapassou os limites impostos pelo acordo nuclear de 2015 negociado durante a administração Obama.
“Isto é algo que realmente passou despercebido aos meios de comunicação social, e quero esclarecer isto do ponto de vista de mediador”, notou. “Não haveria qualquer acumulação, qualquer armazenamento e verificação completa… por parte da (agência nuclear da ONU), a AIEA.”
Os seus comentários após o presidente Donald Trump ter dito aos jornalistas que “não estava satisfeito” com as negociações, concretizando que o Irão “não estava disposto a dar-nos o que precisamos”.
Neste sábado, EUA e Israel acabaram por atacar conjuntamente o Irão.