O dia das primeiras vezes e de relembrar o "presente dos Açores": do Iraque ao Irão, as Lajes são a entrada para "um mundo mais inseguro"

4 mar, 22:00
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Foi um dia de primeiras vezes, um dia em que aconteceu algo que nunca tinha acontecido ou não acontecia desde a II Guerra Mundial. Pode não ser o melhor presságio para o que se avizinha, mas o ataque dos EUA e Israel contra o Irão levou o mundo para um sítio diferente.

Pela primeira vez, um caça de última geração F-35 abateu uma aeronave inimiga - um caça russo pertencente a Teerão; pela primeira vez, dois caças confrontaram-se no ar desde a II Guerra Mundial (pode ler AQUI); e, pela primeira vez, também desde o fim da Segunda Grande Guerra, um torpedo disparado pela Marinha dos EUA afundou um navio inimigo, fornecendo ao mundo 18 segundos de imagens que há muito ninguém via.

Washington divulgou as impressionantes imagens do momento em que o torpedo atinge o casco do navio da Marinha iraniana, que de imediato desaparece sob uma coluna de água de vários metros ao largo do Sri Lanka - como se pode ler, ver e ouvir AQUI.

Outra novidade do dia parece comprovar que o Irão entrou mesmo na "estratégia do tudo ou nada". Por volta das 12:00 em Portugal continental, um alerta da própria NATO revelava que tinha intercetado um míssil balístico disparado do Irão com destino à Turquia (pode ler AQUI), acrescentando ao quadro geoestratégico um novo nível de escalada regional. Ancara reagiu, prometeu responder e há que lembrar que, em número de militares, a Turquia tem o maior exército da Europa - o segundo maior da NATO.

Para além destes ataques, o ataque às economias mundiais, com o preço do barril de petróleo Brent a chegar já aos 83 dólares. O tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz - por onde passava antes da madrugada de sábado 20% de todo o petróleo mundial - caiu 90% desde que a Guarda Revolucionária de Israel anunciou o fecho da travessia e ameaçou quem ousasse atravessá-lo. Portanto, é certo, o gasóleo e a gasolina vão continuar a subir e Portugal, a 5 mil quilómetros, não escapa à soma. O Governo já reagiu e prometeu desconto no ISP caso o preço dos combustíveis suba mais de 10 cêntimos (pode ler AQUI).

Luís Montenegro também se apressou, no debate quinzenal, a deixar claro que não há quaisquer indícios de incumprimento do acordo da Base das Lajes por parte dos EUA, reiterando que foi dada uma autorização condicional ao aliado norte-americano.

Quem não esquece o passado das Lajes é Pedro Sánchez, que às primeiras horas desta quarta-feira reafirmou a posição espanhola face às manobras israelo-americanas e disse “Não à guerra”, em televisão nacional (pode ler e ver AQUI). O primeiro-ministro espanhol não esquece "o presente dos Açores", referindo-se à polémica cimeira em que o presidente dos Estados Unidos e os primeiros-ministros de Reino Unido e Espanha se juntaram na base da ilha Terceira para decidir a entrada no Iraque: "Um mundo mais inseguro e uma vida pior”.

Voltando aos portugueses, mas aos que estão desesperados para fugir do Médio Oriente, parece que têm de pagar 600 euros para serem repatriados de locais em que o sobrevoo de mísseis passou a ser o novo normal. Num e-mail a que a CNN Portugal teve acesso, as autoridades consulares apelam aos cidadãos nacionais para que entrem em contacto "de imediato" com o gabinete de emergência consular, de forma a planear o repatriamento. A mensagem refere ainda que, durante esta semana, poderão existir voos a partir do Dubai e de Abu Dhabi. No final da comunicação, é indicado que "todos os cidadãos que desejem ser repatriados deverão assinar o compromisso de pagamento ao Estado", como pode ler AQUI.

Antes das despedidas, relembrar que lançámos um podcast sobre o ataque ao Irão, é diário, curto, prático, explica e contextualiza, antecipa e analisa - procure por Fúria Épica na sua plataforma de podcasts preferida (em Spotify está AQUI, por exemplo, e no site da CNN AQUI - mas está disponível em Apple Podcasts e etc.). Bom dia e boa sorte com menos novidades. 

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