“Encontrar uma ‘Terra irmã’ é um desafio para os próximos 20 anos”, assegura Nobel da Física

Agencia EFE , DCT
30 ago, 08:33
Didier Queloz
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A ciência constatou que o planeta vizinho apresenta um "ambiente infernal", nas palavras da Agência Espacial Europeia (ESA), com temperaturas que chegam a ultrapassar as de um forno

A procura de planetas que reúnam as condições necessárias para serem potencialmente habitáveis é um dos grandes desafios da humanidade. A comunidade científica trabalha para lançar luz sobre este mistério nas próximas décadas: perceber se a Terra é uma exceção ou se a vida poderá ter florescido noutros recantos do Universo.

“Encontrar uma ‘Terra irmã’ é um desafio para os próximos 20 anos”, destaca, em entrevista à EFE, o astrónomo suíço Didier Queloz, vencedor do Prémio Nobel da Física em 2019, especialista na procura de exoplanetas e um dos descobridores, em 1995, do primeiro planeta fora do Sistema Solar, batizado de 51 Pegasi b.

Embora a astronomia tenha detetado planetas em torno de quase todas as estrelas observadas - a maioria dos quais pequenos e rochosos -, os cientistas ainda não encontraram nenhum que possa ser considerado um verdadeiro ‘irmão’ da Terra: um mundo que reúna condições semelhantes e orbite em torno de uma estrela parecida com o Sol.

Para isso, teria de contar, entre outros requisitos, com uma atmosfera capaz de regular o calor, determinados elementos químicos essenciais e uma distância adequada em relação à sua estrela que permita a existência de água no estado líquido.

“O nosso Sistema Solar tem dois planetas muito semelhantes, Vénus e a Terra, mas Vénus não é adequado à vida”, argumenta Queloz.

A ciência constatou que o planeta vizinho apresenta um "ambiente infernal", nas palavras da Agência Espacial Europeia (ESA), com temperaturas que chegam a ultrapassar as de um forno.

Perante esta realidade, o Nobel da Física partilha uma das grandes incógnitas que continuam a intrigar os astrónomos: “Queremos perceber se a vida na Terra é algo único ou se é abundante no Universo. Essa é uma das questões fundamentais que acredito que iremos responder ao longo do próximo século”.

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