Associação Zero alerta para aumento de gases na agricultura e falhanço nas metas

Agência Lusa , AM
17 nov, 07:18
Agricultura (Pexels)

Meta de redução de emissões face a 2005 no setor agrícola não foi cumprida em 2020 e “as emissões continuam em tendência crescente

A associação ambientalista Zero alertou esta quinta-feira que o aumento das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) da agricultura, que não cumpriu a meta climática para 2020 e corre o risco de falhar a meta para 2030.

“O setor agrícola vê aumentado o seu peso relativo nas emissões nacionais, para mais de 12% do total em 2020, segundo o último Inventário Nacional de Emissões por Fontes e Remoção por Sumidouros e Poluentes Atmosféricos (INERPA)”, diz a Zero em comunicado.

Ou seja, acrescenta, a meta de redução de emissões face a 2005 no setor agrícola não foi cumprida em 2020 e “as emissões continuam em tendência crescente”.

O aumento de emissões de GEE, salienta a associação no comunicado, aconteceu apesar de “terem sido disponibilizados apoios públicos com objetivos climáticos na última década”.

A “despesa pública tem-se revelado ineficaz ou até contra-producente no que toca ao objetivo de orientar o sistema alimentar nacional para a neutralidade climática”, alerta a Zero.

Em termos concretos, na análise da organização, referindo-se sempre ao ano de 2020, a redução de emissão de gases foi 08% menos do que devia, tendo mesmo um aumento consistente, pelo que as emissões já excedem desde 2017 o ano de referência (2005).

A principal origem dos GEE da agricultura, 51%, resulta do processo digestivo dos ruminantes, essencialmente pelo aumento da bovinocultura. Seguem-se as emissões dos solos agrícolas (32%), e depois os efluentes pecuários. Tudo junto dá quase sete milhões de toneladas de dióxido de carbono libertadas pela agricultura portuguesa em 2020.

Para cumprir a meta de redução de 11% estabelecida pelo Plano Nacional de Energia e Clima para 2030 é preciso cortar “mais de 14% das emissões no espaço de uma década”, avisa a Zero.

Os números indicam que o setor pecuário é o principal contribuinte para as emissões de GEE na agricultura, tanto mais que nos últimos 10 anos aumentou significativamente o número de bovinos e suínos (11 e 17%, respetivamente), devido a uma “política de incentivos”.

A Zero diz ainda no comunicado que a situação de Portugal “reflete o fracasso a nível Europeu no controlo das emissões agrícolas”.

E cita um relatório de maio do Tribunal de Contas Europeu que revela que 100 mil milhões de euros da Política Agrícola Comum (PAC) gastos em “ação climática” não tiveram resultados relevantes.

A pecuária é responsável por 70% das emissões da agricultura Europeia, mas, acrescenta a Zero, contabilizando as emissões importadas (nomeadamente as ligadas à produção de rações fora da União) a fatia aumenta para os 82%.

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