Seca: horticultores da região Oeste já regam culturas

Agência Lusa , DCT
19 jan, 16:13
Horticultores da região Oeste já regam culturas nesta altura do ano

Ao contrário do que é habitual nesta altura do ano, os agricultores têm estado a regar as culturas devido à falta de água, dada a fraca precipitação das últimas semanas

A falta de chuva começa a preocupar a Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste (AIHO), que alerta que há agricultores a regar as culturas, o que não é costume nesta altura do ano, disse esta quarta-feira o presidente Sérgio Ferreira

A situação preocupa se continuar sem chover e se viermos a ter falta de água nos próximos meses, porque não temos grandes reservas de água e a que temos é à superfície”, afirmou Sérgio Ferreira à agência Lusa. Contudo, “por enquanto ainda têm água” neste período.

Ao contrário do que é habitual nesta altura do ano, os agricultores têm estado a regar as culturas devido à falta de água, dada a fraca precipitação das últimas semanas, acrescentou.

Estamos a fazer rega em terrenos que nem estavam preparados para isso nesta altura do ano”, sublinhou.

O dirigente alertou que é cada vez mais difícil combater a falta de água com o aumento do preço da eletricidade e dos combustíveis, indispensáveis para captar água do subsolo ou das linhas de água, uma vez que os sistemas de regadio são raros ou inexistentes na região.

A região Oeste é composta pelos concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, do distrito de Leiria, e por Alenquer, Arruda dos Vinhos, Cadaval, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, do distrito de Lisboa.

Agricultores do Norte precisam de fevereiro chuvoso para salvar próximas culturas

A seca que se faz sentir no Norte “ainda não é uma situação alarmante”, mas os agricultores pedem um fevereiro chuvoso para que as culturas do próximo ano não fiquem comprometidas.

Pelo que lhe vão dizendo os associados da APT – Associação dos Agricultores e Pastores do Norte, a seca “ainda não é uma situação alarmante” no Norte do país, conta à Lusa o diretor João Morais.

O engenheiro agrícola esclarece que a região sofre de “uma seca meteorológica, não uma seca hidrológica, como existe no Sul”, e isso acontece “porque ainda há água nos solos”.

Para o diretor-geral da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), Firmino Cordeiro, “é quase impressionante estarmos a falar de seca em meados de janeiro”.

O que se passa é que, para além desta coisa da covid-19, que nos tem afligido a vida, temos de lidar com uma coisa ainda mais complicada, que são as alterações climatéricas, com os transtornos que estão a dar em todas as geografias do mundo, e em particular no nosso país”, prossegue.

Este dirigente explica que, apesar de o Norte ser mais chuvoso do que o resto do território continental, a região tem, “por um lado, o Norte mais litoral, Entre Douro e Minho”, que “deve ser das zonas do país onde há mais chuva, mais humidade”.

“Por outro lado, Trás-os-Montes e Alto Douro, nomeadamente na denominada ‘terra quente transmontana’, é das zonas do país onde chove menos, contando mesmo com algumas zonas do Alentejo profundo”, assinala.

Com uma situação de falta de água mais grave na região de Trás-os-Montes, Firmino Cordeiro considera que se vive uma “situação extremamente delicada” até mesmo no litoral.

Chegar a meados de janeiro com pouca água acumulada no solo é terrível. É terrível para as culturas que tradicionalmente se fazem nessa região mais litoral, como o vinho verde, milho de silagem, milho branco, outras fruteiras, kiwi, limoeiros, horticulturas ao ar livre, quase sem regadio, na zona de Póvoa de Varzim e outras zonas daquela mesma região do Entre Douro e Minho”, explicou.

 

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