Bastaram sete minutos para quatro homens levarem a cabo um assalto que chocou França. O museu mais visitado da Europa, o Louvre, e também um dos mais vigiados, viu parte da sua história, representada por joias, desaparecer numa fuga pelas ruas de Paris. Agora, quase todas as polícias do mundo estão de olhos bem abertos
O assalto ao Museu do Louvre foi domingo de manhã e pela hora de almoço já era notícia em todo o mundo. Mas só nas últimas horas as autoridades francesas enviaram uma comunicação, com informações sobre as joias roubadas, a todas as congéneres com quem tem relações, mas não só. Interpol, Europol também já estão no terreno. A CNN Portugal sabe que Polícia Judiciária já recebeu essa informação e irá atuar dentro das suas competências.
E o que pode a PJ fazer? Estar mais atenta às transações, procurar pistas na suas "bolsas de informação" e partilhar informação que possa parecer relevante, revelou fonte conhecedora do processo de investigação à CNN Portugal. Todas as polícias contam com pessoas de confiança, por exemplo, no circuito dos leiloeiros internacionais.
Com base nas informações que agora tem na sua posse, a Polícia Judiciária vai colocar-se no terreno. A mesma fonte explicou ainda que o facto de se estar perante joias que podem ser facilmente ser desmanteladas e cujas peças têm um valor próprio, aumenta a necessidade de rapidez na investigação, para que não se percam para sempre. "Um quadro desmantelado não vale nada", conclui.
A audacioso assalto, que aconteceu às 09:30 da manhã, já com visitantes no museu terá sido calculado de forma minuciosa e tudo correu bem até ao momento da fuga, quando acabaram por deixar cair a coroa da Imperatriz Eugénie - esposa de Napoleão III. O grupo de quatro indivíduos fugiu de scooter do local.
Os ladrões entraram no museu do Louvre pelo exterior, usando um elevador de carga externo que estava posicionado num camião, junto a uma janela do museu - que não teria alarme, - e que estava numa zona em obras.
Duas vitrinas de alta segurança blindadas foram quebradas utilizando ferramentas elétricas de corte e nove itens foram levados, incluindo uma tiara e um colar usados pela rainha Marie-Amélie e pela rainha Hortense. Segundo a Procuradora de Paris, Laure Beccuau, os assaltantes nem armas tinham, mas ameaçaram os guardas com as rebarbadoras. A mesma fonte adiantou que os investigadores não excluem a hipótese de interferência estrangeira como possível linha de investigação do roubo, mas que estão a manter todas as pistas em aberto.
O ministro do Interior francês afirmou também acreditar que havia "claramente, uma equipa a vigiar o local. Era obviamente uma equipa muito experiente que agiu muito, muito rapidamente".
Quando saíram pela mesma janela por onde entraram, os assaltantes tentaram incendiar o camião utilizado para efetuar o assalto, mas não conseguiram, porque um segurança evitou o pior. E assim as autoridades continuam a dedicar muita atenção a este elevador de mobiliário abandonado, posicionado junto a uma esquina do Louvre, com a escada a conduzir a uma janela partida de uma varanda.
Neste local, as autoridades encontraram duas rebarbadoras, um maçarico, gasolina, luvas, um walkie-talkie, um cobertor e uma coroa - a que caiu durante a fuga. Tal como, uns metros mais à frente foi também encontrado um colete amarelo utilizado para se disfarçarem de operários.
Na altura do assalto havia visitantes dentro do museu, mas poucos se aperceberam do que estava a acontecer e todos foram retirados sem qualquer incidente.
Quem não tem muitas dúvidas de que as joias correm perigo de desaparecer é Christopher Marinello, fundador da Art Recovery International. Este especialista acredita que se o objetivo é apenas dinheiro - o mais rapidamente possível - estes podem derreter os metais preciosos ou recortar as pedras. E o valor destas é inestimável.