Artur Jorge em entrevista ao Maisfutebol - Parte V
Artur Jorge começou a dar os primeiros chutos na bola no Bairro Duarte Pacheco e, se não enveredasse pelo futebol, talvez fosse militar.
Devoto e fã de BTT, aproveitou o Natal para se levantar cedo e fazer uns largos quilómetros de bicicleta até ao São Bento da Porta Aberta.
O seu gosto musical vai de Abrunhosa a Eminem, mas a sua banda preferida é U2.
Na Netflix vê coisas ligeiras, mas também documentários sobre desporto ou que tenham que ver com superação.
Na última parte desta entrevista exclusiva ao Maisfutebol, Artur Jorge dá a conhecer o seu lado mais pessoal e recorda as suas origens.
«Só volto a Portugal para treinar Benfica, FC Porto ou Sporting» - Parte I
«Saída do Sp. Braga? O treinador que veio para me substituir já estava contratado» - Parte II
«Estou numa galeria de notáveis com Jesus e Abel» - Parte III
«Tenho a minha cara tatuada no corpo de algumas pessoas» - Parte IV
MAISFUTEBOL - Qual a sua primeira memória do futebol?
ARTUR JORGE - Lembro-me de acompanhar os meus pais, desde muito novo. Eles sempre foram adeptos do Sp. Braga. Vivíamos perto do 1.º de Maio, muitas vezes íamos a pé para o estádio e até a jogos fora. A minha memória é muito essa: eu, pequeno, na bancada central, com eles. Desde os anos 80 que conheço as equipas e os jogadores todos de cor.
Já imaginava nessa altura vir a ser jogador do Sp. Braga?
Esse sonho surgiu mais tarde. Passava o tempo a jogar futebol na rua, no bairro Duarte Pacheco, com os meus amigos. As nossas balizas eram os bueiros dos passeios. Começámos a jogar futsal, bairro contra bairro, e de seguida fui para o Sp. Braga, com 12 anos, depois de meia temporada no Ginásio da Sé. O meu tio estava na direção desse clube de bairro, bem tradicional aqui de Braga, e eles precisavam de jogadores. Fui quase empurrado para a posição de defesa central, porque havia poucos.
Destacou-se logo aí?
Fisicamente, era mais forte do que os outros. A verdade é que fui levado para o Sp. Braga pelo senhor Rolando Sampaio, o pai do Rifa, que durante anos foi adjunto do Carlos Carvalhal.
Já revelou publicamente que nunca foi o melhor aluno, nem o melhor jogador, mas conseguiu chegar longe pelo seu empenho. Essa dedicação ao trabalho veio dos seus pais? O que faziam eles?
O meu pai era funcionário público, trabalhava no tribunal: muito rigor, muita disciplina. A minha mãe tinha uma tabacaria. A parte da combatividade e da resiliência é um traço meu de personalidade. Sempre fui muito de estar sozinho e fazer as coisas por mim. Não era o melhor da equipa, de todo, mas era muito comprometido no que fazia. Olhava para cada objetivo como a minha razão de viver.
Se não fosse o futebol, seria o quê hoje?
Em miúdo, tinha uma fixação pela parte militar. Não sei se teria enveredado por aí.
O que faz para se abstrair do futebol?
Gosto muito de andar de bicicleta, de fazer percursos de BTT. É o meu lado de lobo solitário. Ainda agora, no dia 24 [véspera de Natal], saí às 6h30 da manhã de casa e fui sozinho de bicicleta até ao São Bentinho [santuário do São Bento da Porta Aberta, a cerca de 40 quilómetros de casa], que é o santo de que sou devoto. Fui também para agradecer esta jornada incrível.
Vê séries ou filmes? Há alguma coisa que esteja a ver na Netflix?
Viajamos muito de avião e aproveito esses momentos. Vi recentemente o documentário dos «5 iniciais da NBA». Vejo o «Vikings: Vahalla», por ser uma série com que me identifico, pelo lado mais guerreiro. [risos] Vejo documentários de casos pessoais, alguns ligados ao desporto ou então pelo lado do aspeto mental, de superação e liderança. Por exemplo, vi o documentário da Volta a França não por o ciclismo ser para mim uma paixão, mas pela superação a que aquela gente se predispõe para no fim só um ganhar. Agora, quando estou casa, também vemos coisas mais ligeiras.
E música. O que ouve?
Gosto de Pedro Abrunhosa, como autor. Além disso, de músicas mais da minha altura: U2, que é a minha banda preferida, Robbie Williams, Guns ‘n Roses, Eminem… Depende do estado de espírito.
Ultimamente, começou a ouvir mais música brasileira?
Não ouço muita, mas alguma bossa nova, que no Rio está muito presente. Fui a alguns concertos no Brasil: fui ver a Mariza, Só Pra Contrariar, Bruno Mars, no Estádio Nilton Santos.
Depois de um 2024 em cheio, o que ambiciona para 2025?
Poder igualar os meus sentimentos de felicidade e de dever cumprido que senti em 2024. Nada mais do que isso. Dessa forma já me sinto pleno.
