Espiões russos e chineses em movimento: Canadá avisa NATO que "também deve olhar para o norte"

14 nov, 15:13
Gelo em Svalbard, Noruega, 6 de abril de 2023. Esta parte do Ártico está a aquecer até sete vezes mais depressa do que a média global. Lisi Niesner/Reuters

Agência de espionagem interna do Canadá confirmou ter impedido a Rússia de adquirir ilegalmente tecnologias e bens canadianos que seriam utilizados na Ucrânia. Ameaças visam o governo do país e o setor privado da região

A Rússia e a China estão sob o olhar atento do Serviço Canadiano de Informações de Segurança (CSIS) por alegadamente terem um “interesse significativo na informações” do Canadá no Ártico e estarem a intensificar os esforços de espionagem na região. No discurso anual sobre as ameaças que o país enfrenta, o diretor da agência de espionagem interna do Canadá, Dan Rogers, confirmou que o CSIS observou “esforços de recolha de informação cibernética e não cibernética visando tanto o governo do país como o setor privado da região”.

Na sua intervenção, Rogers anunciou que a agência impediu por várias vezes a Rússia de adquirir ilegalmente bens e tecnologias canadianos que viriam a ser utilizadas na ofensiva que conduz contra a Ucrânia.

“Este ano, o CSIS tomou medidas para impedir isso, informando várias empresas canadianas de que empresas sediadas na Europa que procuravam adquirir produtos estavam, na verdade, ligadas a agentes russos”, disse, acrescentando que foram tomadas medidas imediatas por várias empresas para extinguir qualquer apoio aos russos. Citado pelo The Guardian, Rogers fez também menção à China, revelando que vários espiões chineses “tentaram recrutar canadianos com conhecimentos militares e informações”.

O investimento no norte tem sido uma prioridade para o governo canadiano, que tem destacado as rotas navegáveis que passam pelas fronteiras do país e os tesouros de minerais críticos na região como motivos que justificam tal investimento. No último orçamento federal, o Canadá anunciou um fundo de infraestrutura do Ártico de mil milhões de dólares canadianos, o equivalente a cerca de 615 milhões de euros, destinados à construção de novos aeroportos, portos marítimos e estradas para todas as estações.

Em declarações aos jornalistas na semana passada, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Anita Anand, disse que a NATO devia inclusive dedicar esforços ao Ártico. “[A NATO] não deve ser uma organização com foco apenas no flanco oriental, deve olhar também para o norte”, sublinhou. Além de novos quebra-gelos pesados, o país da América do Norte está a ponderar a compra de uma dúzia de submarinos de patrulha.

Preocupado com algumas nações hostis que têm vindo a revelar-se cada vez mais ousadas no Ártico, o diretor do CSIS alertou ainda para ameaças potencialmente letais do Irão direcionadas a dissidentes do regime de Teerão que vivem no Canadá. 

“Em casos particularmente alarmantes ao longo do último ano, tivemos de redefinir as prioridades das nossas operações para combater as ações dos serviços secretos iranianos e dos seus representantes, que têm como alvo indivíduos que consideram uma ameaça ao seu regime”, afirmou, revelando que “em mais do que um caso, isso envolveu detetar, investigar e neutralizar ameaças potencialmente letais contra indivíduos no Canadá”.

Estas declarações confirmaram publicamente que a agência interveio para proteger os críticos do regime iraniano, com quem o país cortou relações diplomáticas em 2012.

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