O que é uma arritmia cardíaca: 55% dos portugueses entre os 18-79 anos apresentam dois ou mais fatores de risco

CNN Portugal , DCT
31 mar 2025, 09:22
Coração

Primeiro-ministro foi internado na sexta-feira com uma arritmia cardíaca. Ter arritmias cardíacas é grave? Sim e não

O que é uma arritmia cardíaca?

A arritmia cardíaca é uma irregularidade no ritmo e na frequência do batimento cardíaco, que no adulto saudável varia entre os 60 e os 100 batimentos por minuto (bpm), como explica o site da CUF. Em alguns casos, a arritmia cardíaca manifesta-se com batimentos cardíacos mais lentos do que o habitual para a pessoa (bradicardia) e, noutros, com batimentos cardíacos mais acelerados (taquicardia). Há ainda situações em que os batimentos são irregulares, oscilando entre acelerados e lentos.

Quantos tipos de arritmia cardíaca há?

Segundo o site do Serviço Nacional de Saúde (SNS), há sete tipos de arritmia cardíaca, consoante a frequência ou regularidade do ritmo cardíaco:

- Arritmia cardíaca lenta;

- Arritmia cardíaca rápida, podendo ser supraventricular (a origem está nas aurículas), ou ventricular (cuja origem é nos ventrículos);

- Sinusal respiratória, mais comum em crianças e jovens;

- Extrassístole, que se dá quando os batimentos ocorrem mais cedo no ciclo cardíaco;

- Taquicardia sinusal, que é quando há mais de 100 batimentos por minuto;

- Taquicardia ventricular mantida, caracterizada "por batimentos rápidos a nível dos ventrículos, e que pode culminar na fibrilhação ventricular, com paragem cardíaca ou morte súbita", como explica o SNS;

- Fibrilhação auricular, que é uma arritmia que se manifesta por batimentos cardíacos rápidos e irregulares

Quais os sintomas?

O aumento ou diminuição da frequência do batimento cardíaco ou a irregularidade do mesmo é o primeiro sintoma e pode vir acompanhado de palpitações, dor no peito, dificuldades em respirar, enjoos, tonturas e desmaios. Mas há também arritmias cardíacas assintomáticas, explica o site da CUF.

Qual a causa?

Há dois tipos de causas, segundo o SNS. A origem congénia/genética tende a ser causa primária das arritmias, sobretudo quando não há doença do músculo cardíaco. Se em causa estiver uma doença do coração subjacente, então estamos perante uma causa secundária, que acontece em casos de  "doença coronária (enfarte do miocárdio agudo ou antigo), dilatação das cavidades cardíacas, doença valvular, alcoolismo, uso indevido de drogas, etc".

Há fatores de risco?

Os fatores de risco estão associados a hábitos de estilo de vida, que podem ser promotores das chamadas arritmias de causa secundária. Aqui incluem-se o tabagismo, o sedentarismo e maus hábitos alimentares, que podem causar níveis elevados de colesterol. A hipertensão arterial, a diabetes e aterosclerose são também gatilhos para as arritmias cardíacas. Segundo o SNS, 55% dos portugueses entre os 18-79 anos apresentam dois ou mais fatores de risco.

Ter arritmias cardíacas é grave?

Sim e não. A irregularidade dos batimentos cardíacos deve ser sempre um sinal de alerta e motivo de acompanhamento médico, mas a maior parte das situações é benigna. No entanto, “a fibrilhação auricular, pelo risco de formação de coágulos no interior do coração, pode causar AVC”, alerta o SNS, que diz ainda que há casos em que a arritmia cardíaca pode levar à morte súbita.

Como se diagnostica?

O diagnóstico é feito pela avaliação dos batimentos cardíacos, seja por via de um eletrocardiograma ou de um ECG portátil. A descrição da sintomatologia é também importante, assim como o histórico clínico e familiar. Em alguns casos, “para detetar arritmias ainda mais raras”, como diz o SNS, pode ser necessário recorrer a um teste eletrofisiológico ou a um gravador de eventos implantável.

Há formas de prevenir?

Tendo em conta que as arritmias de causa secundária podem ser causadas pelo estilo de vida, ter uma alimentação saudável, praticar exercício físico, não fumar e evitar o álcool podem ser estratégias de prevenção. “A prevenção da doença cardiovascular reduz também a ocorrência da maioria das arritmias”, explica o organismo público de saúde no seu site.

Como é feito o tratamento?

O tratamento varia sempre de pessoa para pessoa e do tipo e intensidade da arritmia, mas, por norma, há o recurso a medicamentos antiarrítmicos para desacelerar os batimentos cardíacos ou o uso de estimulação do ritmo cardíaco (pacemaker) para os casos em que é necessário acelerar o batimento. Pode ainda ser necessário o uso de choque elétrico ou uma ablação por cateter.

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