Gravura de cabra montesa com 12 mil anos descoberta no Vale do Côa

Agência Lusa
20 mai, 17:32
Arqueologia

A gravura apresenta uma cabra montesa a seguir um animal de maior tamanho e remete para a fase "azilense da Arte do Côa" do Paleolítico Superior

Arqueólogos da Fundação Côa Parque colocaram a descoberto a gravura de uma cabra montesa numa placa de xisto com cerca de 12 mil anos, durante prospeções no Parque Arqueológico do Côa, disse esta sexta-feira à Lusa a presidente daquela entidade.

De acordo com a presidente da fundação, Aida Carvalho, esta placa de xisto agora descoberta representa uma cabra montesa que foi identificada num novo sítio com arte móvel no território do Parque Arqueológico do Vale do Côa, no concelho de Foz Côa, distrito da Guarda.

“Durante trabalhos de prospeção, a equipa de arqueologia da Fundação Côa Parque, juntamente com os estagiários de doutoramento Tania Mosquera Castro, da Universidade de Santiago de Compostela, e Ignacio Triguero, da Universidade de Alcalá de Henares, em Espanha, identificaram uma placa de arte móvel com a representação de uma cabra montesa, num novo sítio arqueológico do Vale do Côa”, explicou a responsável.

Segundo os investigadores, a arte móvel é um tipo de arte paleolítica que se inscreve em suportes de pequeno tamanho (pedra, osso, haste ou marfim), passíveis de serem transportados.

“A placa de xisto encontra-se queimada e apresenta numa das faces a representação dos quartos dianteiros do que parece ser uma pequena cabra montesa, que segue um segundo animal de maior tamanho, cuja cauda curta e encurvada sugere tratar-se de um veado ou de uma cerva, ao qual falta a cabeça devido a fratura do suporte”, explicou à Lusa o diretor científico da fundação, Thierry Aubry.

De acordo com o especialista em arte rupestre, estas figuras apresentam os corpos muito geometrizados e são gravadas por incisão, o seu interior encontra-se totalmente preenchido por linhas igualmente incisas, um tipo de preenchimento a que os arqueólogos chamam “preenchimento estriado”.

Aubry realçou que, apesar de se tratar de um achado de superfície, o estilo das representações remete para a fase “azilense da Arte do Côa”, com uma cronologia de cerca de 12 mil anos atrás.

Este novo sítio está localizado nas proximidades do Museu do Côa e foi identificado em 2018, graças à descoberta de blocos de quartzo utilizados na construção de fogueiras e vestígios de pedra lascada deixados pelos últimos grupos paleolíticos do Vale do Côa.

“O sítio localiza-se numa pequena plataforma localizada no Vale de José Esteves, por onde corre uma ribeira afluente da margem esquerda do Rio Douro”, explicou o também arqueólogo.

“Futuros trabalhos no local poderão vir a esclarecer melhor a datação da placa e o seu contexto de utilização”, vincou Thierry Aubry.

A arte do Côa foi classificada como Monumento Nacional em 1997 e, em 1998, como Património da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Como uma imensa galeria ao ar livre, o Vale do Côa apresenta mais de 1.200 rochas, distribuídas por 20 mil hectares de terreno com manifestações rupestres, sendo predominantes as gravuras paleolíticas, executadas há mais de 25.000 anos, e distribuídas por quatro concelhos: Vila Nova de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo, Pinhel e Meda.

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