Vasco Seabra: «Estava muita coisa cá dentro que precisava de sair»

Simão Duarte , Estádio Municipal de Arouca
15 dez 2025, 00:12
Arouca-Alverca (Foto: PAULO NOVAIS/LUSA)

Arouca-Alverca, 1-0 (reportagem)

Declarações de Vasco Seabra, treinador do Arouca, na sala de imprensa do Estádio Municipal de Arouca, após a vitória por 1-0 na 14.ª jornada da Liga:

Análise ao jogo e a sensação no balneário após esta vitória

«As sensações são muito boas. Não há como a água não saltar para todo lado e não se ouvir a música. Sofremos como equipa muitas vezes e, obviamente, estava muita coisa cá dentro que precisava de sair. Aquilo que mais me orgulhou teve a ver precisamente com essa parte mais negativa que está presa na equipa. Ela demonstrou maturidade e uma proatividade muito grande desde o primeiro segundo do jogo até ao último.»

«Antes da expulsão, já tínhamos tido uma jogada brilhante que não acabou em golo por uma belíssima intervenção do guarda-redes do Alverca. Uma jogada coletiva de muita qualidade que só uma equipa que tem um processo muito claro e que sabe o que faz consegue fazer. A nossa equipa foi, durante todo o jogo, muito madura, muito capaz, que permitiu praticamente nada ao adversário e criou bastante. Foram creio que quatro ou cinco oportunidades muito claras de fazer um golo, frente a uma equipa que defende muito bem e que vinha muito motivada.»

«Relembro também que esta equipa (Alverca) também jogou com um jogador a menos contra o Vitória e ganhou o jogo. Mesmo com esse momento da expulsão, (o Arouca) manteve uma vontade muito grande de fazer golo, mas uma estabilidade emocional também forte para preparar a perda convenientemente, recuperar muitas bolas no momento em que a perdia e fazer uma transição muito forte.»

Análise tática do jogo, especialmente após a expulsão de Sandro Lima do Alverca

«A equipa adversária acabou por perder o jogador da frente e passou um ala para a frente. Em vez de estar a defender em 5-4-1, passou a defender em 5-3-1, mas o desdobramento atrás continuou a ser igual, portanto a dificuldade continuava a ser a mesma, que era como penetrar na linha de 5. Nós continuámos a conseguir manter o padrão à direita. À esquerda, o Pedro Santos estava a pegar mais vezes no jogo, mas não conseguia ter tanta envolvência de trás para a frente. Tínhamos só o Danté ou o Djouahra a fazer o movimento nesse espaço central lateral, que era mais facilmente apanhado. Mas, por outro lado, no momento do cruzamento atrasado, o Pedro Santos tinha mais capacidade para o fazer, e acabou por criar até algum frisson com esses cruzamentos de segunda linha que acabam por nos dar algumas oportunidades também.»

«A equipa (Arouca) foi crescendo com o jogo. Naturalmente, num ou noutro momento, com alguma ansiedade para que o jogo pudesse acabar mais cedo, mas acaba o jogo fria, serena, a tentar não permitir que o adversário tivesse a bola, porque era importante ganhar. Era o mais importante de tudo. Ter a baliza a zero foi uma coisa muito importante também. Podemos festejar muito hoje, amanhã também, mas na terça-feira já passou. A vitória e os três pontos foram importantes, mas agora há um trabalho e um caminho muito longo para percorrer, porque só fizemos três pontos.»

A importância da entrada do Lee Hjunju e o papel do Trezza em campo

«O Trezza estava a funcionar já desde o início como um terceiro médio. Sei que ele não tem essas características, mas ele já estava no jogo a funcionar como um terceiro médio, mais próximo da linha atacante. Como o Alverca estava com uma linha de cinco, nós sentíamos necessidade de termos mais movimentos à profundidade para conseguirmos precisamente libertar outros espaços, para depois podermos atacar. Então o Trezza era um terceiro médio disfarçado, quase como um segundo avançado, e dávamos a largura ao Puche e espaço de dentro ao Esgaio, que é um jogador que, apesar de ser lateral, já foi médio de raiz e tem condições para poder jogar em espaços entre linhas.»

«Num primeiro momento, sentimos que a equipa estava a conseguir encontrar esse espaço. Ao intervalo, comecei a ponderar essa possibilidade, porque o Lee é um jogador que, em espaços reduzidos, é tremendo, a qualidade que tem é incrível. Tenho a certeza absoluta de que, quanto mais a equipa conseguir crescer com a qualidade que pode ter com bola, mais ele vai aparecer e mais se vai notar.»

«O objetivo foi precisamente acrescentá-lo para que ele pudesse ser realmente um terceiro médio, mais em jogo entre linhas e tentarmos, ao mesmo tempo, mais largura de profundidade mais por fora para que ele ganhasse espaço mais por dentro.»

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