Acabou e isto é o que ficará para a História. 10 momentos do Mundial 2022 que não vamos esquecer

19 dez 2022, 08:00
Messi (imagem AP)

Golos incríveis, falhanços inacreditáveis, polémicas... Do melhor ao pior, houve um pouco de tudo no Catar

Foram 64 jogos, entre 32 seleções, compostas por 830 jogadores e, no final, ganhou a Argentina. Estes são os 10 momentos que escolhemos:

1. Messi fez o que quis de Gvardiol, uma das revelações do Mundial

Ao golo do século seguiu-se o famoso golo com a mão, estávamos em 1986 e Diego Armando Maradona carregou a Argentina até ao título. Agora, no Catar e em 2022 - o primeiro mundial desde a morte do eterno 10 argentino - foi Messi o messias da albiceleste. Apesar do mau início frente à Arábia Saudita (derrota por 2-1), o pequeno astro brilhou, encantou e o croata Gvardiol ainda deve estar a tentar perceber o que se passou naquele lance do terceiro golo da meia-final.

Já na épica final, Messi bisou e ainda teve a ajuda do velho amigo Di María. Depois do 3-3, o jogo foi para penáltis e a Argentina prevaleceu. O "extraterrestre do futebol" levantou o caneco e um ciclo fechou-se com os deuses do futebol a ser justos com um dos melhores de sempre. Acabou, claro, como o melhor jogador do Mundial 2022.

2. Cristiano Ronaldo no banco e em lágrimas

Ainda não tinha arrancado a competição e já só se falava de Cristiano Ronaldo. A primeira metade da época não correu de feição ao capitão português no Man. United, o que o levou a dar uma polémica entrevista a Piers Morgan. Depois seguiu-se a receção de CR7 a Bruno Fernandes, no balneário da Cidade do Futebol, com um barco à mistura, e o golo discutido por um cabelo. Também houve palavras pouco simpáticas para Fernando Santos, aquando da substituição frente à Coreia do Sul. Após tudo isto, o impensável aconteceu: o melhor jogador português, e um dos melhores da história do futebol, ficou no banco, na vitória portuguesa sobre a Suíça dos oitavos de final. A família reagiu com críticas nas redes sociais, mas em vão, já que CR7 voltou a sentar-se ao lado de João Mário no jogo com Marrocos. 

O fim foi em lágrimas, como nenhum português quereria, mas foi. A imagens são marcantes e ninguém as esquecerá: aquela que era a última oportunidade de Cristiano Ronaldo acabou nos quartos de final, sem taça, sem clube e sozinho. Este foi o adeus de Ronaldo aos Mundiais e quer o craque como Portugal gostariam que tivesse sido bem diferente.

3. O hat-trick de Mbappé na final 

Desde que brilhou no Monaco de Leonardo Jardim que se percebeu que Mbappé estava destinado a grandes feitos. Saiu do Catar como melhor marcador do Mundial 2022, com oito golos, mas sem troféu. A final foi particularmente dura para o extremo do PSG, que só apareceu por Lusail ao minuto 80. Todavia, chegou a tempo.

Ao minuto 80, marcou de penálti, dois minutos depois bisou com um tento de belo efeito e, já no prolongamento, voltou a converter um novo castigo máximo. O hat-trick de Mbappé manteve a esperança francesa viva, assim como o presidente Macron entusiasmado na bancada, mas acabou nos penáltis. Aí, o craque marcou a sua terceira grande penalidade da noite, mas os companheiros vacilaram e a França caiu.

4. Marrocos chegou onde nenhuma outra seleção africana havia chegado

Marrocos conseguiu uma entrada direta para o "hall of fame". À partida, Hakimi era o nome mais sonante do conjunto africano, mas afinal tinha companhia. Amrabat, Ounahi, Ziyech, Boufal e En-Nesyri estiveram em destaque e levaram esta seleção onde nunca tinha chegado: às meias-finais. Eliminaram Espanha e Portugal e, depois de conquistarem a Península Ibérica, não foram além dos Pirenéus e acabaram por perder frente à França. No jogo do terceiro e quarto lugar, perderam com a Croácia. Marrocos tornou-se assim a seleção africana a chegar mais longe numa fase final de um campeonato do mundo.

5. A obra de arte de Richarlison

Longe vão os tempos em que Ronaldinho, Ronaldo - o fenómeno -, Rivaldo e Kaká eram o pior pesadelo de qualquer defesa. Hoje, o Brasil é diferente, mas há algo que nunca muda: o talento e a irreverência. Richarlison é sinónimo disso mesmo e mostrou-o no jogo frente à Sérvia. Foi o homem do jogo, bisou e um dos golos foi uma autêntica obra de arte, à espera de ser distinguido como o melhor golo alguma vez marcado no Catar.

6. Lukaku e o dia em que não devia ter saído de casa

Pelas piores razões, a História também vai falar de Lukaku. A Bélgica caiu nas fase de grupos e muito graças ao empate a zero frente à Croácia. O poderoso avançado de 30 anos, habitualmente letal na cara do golo, entrou em campo ao intervalo para aquilo que viria a ser uma das piores exibições da sua carreira. Falhou de cabeça, falhou com o pé, falhou por quatro ocasiões e, nesse primeiro de dezembro, as crónicas não falaram de outro tema. Sem dúvida, para esquecer.

7. Aquele Camarões-Sérvia

Foi numa segunda-feira normal, dia 28 de novembro, e foi o último jogo deste Mundial disputado às 10:00 (hora de Portugal continental). Não parecia ser grande cartaz, mas foi das partidas mais emocionantes da competição.

Os Camarões maracaram primeiro, a Sérvia deu a volta em dois minutos no fim da primeira parte e chegou mesmo a marcar o terceiro na segunda, mas Aboubakar entrou e mudou o jogo: primeiro com um chapéu ao guarda-redes, depois com a assistência para o golo do empate. Chapeau.

8. Aqueles minutos em que Japão e Costa Rica iam eliminando Espanha e Alemanha

O grupo E sempre prometeu muito: tinha duas seleções campeãs do mundo e sempre favoritas à conquista do troféu. Só que também teve um super-Japão, que começou logo por derrotar a Alemanha (2-1), mas depois se viu aflito contra a Costa Rica (0-1). 

Na terceira e última jornada da fase de grupos. os japoneses voltaram a surpreender, vencendo a Espanha (2-1) e, ao mesmo tempo, Costa Rica e Alemanha iam marcando muitos golos (2-4). A emoção foi tanta que, durante três minutos, os apurados deste grupo E eram Japão e Costa Rica. Imaginem só: Espanha e Alemanha eliminadas logo ali!

Bem, os alemães por ali ficaram mesmo. E quanto aos espanhóis, ficaram-se pelos oitavos de final. É que apareceu Marrocos...

9. O discurso de Infantino 

Na véspera do arranque do Mundial do Catar, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, veio a público defender o país organizador com um discurso que gerou polémica. As frases falam por si só:

"Depois do que fizemos nos últimos 3.000 anos, nós europeus devíamos pedir desculpa pelos próximos 3.000 anos, antes de começar a dar lições de moral a alguém", disse Infantino que classificava as críticas como "lições de moral" do Ocidente e "pura hipocrisia".

"Hoje sinto-me catari. Sinto-me árabe. Sinto-me africano. Sinto-me gay. Sinto-me deficiente. Hoje, sinto-me como um trabalhador migrante. Claro que não sou catari, não sou árabe, africano, não sou gay nem deficiente. Mas sinto-me como se fosse. Porque eu sei o que é ser discriminado e vítima de bullying por ser estrangeiro noutro país. Em criança também fui gozado por ser ruivo e ter sardas. E era italiano, por isso imaginem".

O absurdo das declarações acabou por fazer a delícia de vários humoristas em todo o planeta.

10. Os ativistas nas bancadas... e no campo

O Mundial 2022 acabou ainda por se transformar num palco de causas. Perante os ataques aos direitos humanos, o mundo quis responder. A Dinamarca quis entrar em campo com uma camisola toda negra, mas acabou proibida pela FIFA. Vários capitães de equipas quiseram entrar em campo com uma braçadeira com as cores LGBTQI+ e foram ameaçados com cartões amarelos, pela FIFA. Restavam os adeptos.

Tivemos bandeiras em prol dos direitos das mulheres a serem retiradas a adeptos do Irão, um adepto dos EUA a ser retirado do estádio por ter uma braçadeira com as cores do arco-íris e houve ainda o corajoso que invadiu o Portugal-Uruguai. Na t-shirt, pedia que se "salvasse a Ucrânia" e que os direitos das mulheres iranianas fossem respeitados, enquanto correu pelo campo com uma bandeira com as cores LGBTQI+. Chama-se Mario Ferri, tem 35 anos e é um ativista italiano, depois do episódio disse: "Escolhi o melhor cenário para transmitir as mensagens. Quando me prenderam, o Infantino (presidente da FIFA) desceu e perguntou-me - 'Porquê? Porquê? Porquê?". Ele lembrava-se de mim dos outros Mundiais. Eu disse-lhe: porque jogámos ao polícia e ladrão. Eu contra 5 mil".

 

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