Médicos turcos e japoneses oferecem-se para ajudar pais que lutam para ter o filho de 12 anos ligado a máquina de suporte de vida

3 ago, 12:37

Caso no Reino Unido está a ter implicações mundiais. Justiça do Reino Unido determinou que a máquina deve ser desligada, os pais conseguiram adiar a decisão após recurso para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos

Hollie Dance, a mãe da criança de 12 anos que está em coma desde abril num hospital em Londres na sequência de um desafio mortal do Tik Tok, insiste que "não vai desistir" do filho e está a considerar retirá-lo do Reino Unido depois de ter sido contactada por médicos do Japão e Turquia.

Em declarações aos jornalistas, Hollie Dance confirmou que já apresentou um pedido ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos numa tentativa de contrariar a decisão do Supremo Tribunal de desligar as máquinas de suporte de vida do filho. "Espero que eles intervenham e concedam a Archie o direito de viver. Acho que ele merece isso", sublinhou.

De acordo com a Sky News, a mãe da criança disse ter sido contactada por médicos no Japão e na Turquia que garantem ter intervenções médicas que vão ajudar na recuperação de Archie. Nesse contexto, os pais do menino estão a ponderar retirá-lo do Reino Unido e procurar soluções num outro país.

O diretor do Barts Health NHS Trust, o grupo do qual faz parte o hospital onde Archie se encontra ventilado, disse aos jornalistas que, tal como indicado pelos tribunais, o hospital vai trabalhar com a família "para se preparar para a retirada do tratamento", ressalvando que não serão feitas "alterações nos cuidados de Archie até que as questões legais pendentes sejam resolvidas".

Foi a mãe de Archie que o encontrou inconsciente, com uma "ligadura" envolta no pescoço, quando regressou a casa do trabalho no dia 7 de abril deste ano. Hollie Dance acredita que este foi o resultado de um desafio viral da rede social Tik Tok, conhecido como "Blackout Challenge", que consiste em apertar o pescoço até se perder a consciência por falta de oxigénio.

Uma vez no Royal London Hospital, Archie foi diagnosticado com morte cerebral e os médicos acreditam que prolongar os tratamentos de suporte de vida não é a solução, argumentando que o menino pode morrer dentro das próximas semanas por falência de órgãos e insuficiência cardíaca. Mas os pais recusam-se a aceitar a recomendação dos médicos para desligar e consideram que o filho, apesar de não estar consciente, continua vivo e desejam que assim se mantenha ligado a um ventilador e um tubo de alimentação até à sua "morte natural".

Perante a intransigência do hospital, os pais recorreram à Justiça britânica e apelaram à Organização das Nações Unidas (ONU) para que intervisse. O organismo assim o fez, escrevendo uma carta dirigida aos médicos daquele hospital a apelar para que as máquinas continuem ligadas. Porém, a Justiça britânica rejeitou o apelo da ONU, argumentando que o organismo não possui força vinculativa sobre a lei nacional e, após vários requerimentos e deliberações, os juízes deram razão aos médicos.

Os pais recorreram da decisão esta terça-feira, um dia antes do prazo estipulado pelo Royal Courts of Justice para desligar as máquinas que mantêm os sinais vitais de Archie, mas o Supremo Tribunal também ficou do lado do hospital. Momentos antes da hora prevista para o fim do tratamento de suporte de vida, os pais agarraram-se à última oportunidade que lhes restava e apresentaram um recurso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, prolongando assim o desligar das máquinas, pelo menos até que as instâncias europeias se pronunciem.

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