Árbitros ouviram recomendações para 2025/26: saiba tudo o que vai mudar

Ricardo Gouveia , Cidade do Futebol
28 jul 2025, 18:34

Federação Portuguesa de Futebol juntou árbitros, clubes e jornalistas para divulgar, em primeira mão, as alterações previstas para a próxima temporada

A Federação Portuguesa de Futebol juntou todos os árbitros profissionais, os clubes da competições profissionais e jornalistas para, em primeira mão, divulgar as recomendações e alterações às Leis de Jogo para a temporada 2025/26. As alterações nem são muito significativas, mas há alguns chavões que vão ter de mudar, como por exemplo, o «tocou primeiro na bola, não é falta». Agora até pode ser.

No total, assistiram a esta sessão de esclarecimento, 212 árbitros, todos os da C1, com exceção de alguns internacionais que estão a atuar no estrangeiro, respetivos assistentes, muitos da C2, ainda alguns da C3 e ainda os vídeoárbitros. Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, deu o pontapé de saída, no auditório principal da Cidade do Futebol, sob o lema «comunicar mais e melhor».

Foi com esse intuito que a FPF juntou, pela primeira vez, árbitros, clubes e jornalistas, para a Ação de Reciclagem e Avaliação, com o objetivo de divulgar as novas recomendações a ter em conta para a próxima temporada e também as alterações das Leis de Jogo ditadas pelo International Football Association Board (IFAB), com o objetivo de «uniformizar ao máximo» as atuações dos árbitros nas competições portuguesas.

Luciano Gonçalves passou rapidamente a palavra a Duarte Gomes, o novo Diretor Técnico Nacional da Arbitragem, que ficou encarregue de apresentar as recomendações para a próxima temporada. «Recomendações que não são vinculativas, mas que têm carácter de quase obrigatoriedade», começou por esclarecer. Um árbitro, para tomar boas decisões, deve ter «inteligência emocional, sensatez, firmeza, personalidade, conhecimento tático, humildade e coerência», destacou o antigo árbitro. «Não queremos árbitro autoritários, mas também não queremos árbitros que se deixam ultrapassar pelos excessos de jogadores e treinadores», vincou, antes de passar a exemplos concretos.

Contacto provocado pelo portador da bola

Um lance que se repete vezes sem conta no futebol e que dá azo a muitas polémicas. Quando um jogador está a atacar e a conduzir a bola, procura contato com o defesa no interior da área e mete o corpo, a perna ou o pé na trajetória do adversário. Neste caso, não deve ser assinalado penálti.

«Quando mete o corpo à frente mandamos avançar, não vamos assinalar isto cm um pontapé de penálti. Se for assinalado, entendemos que é um erro evidente. Uma recomendação que se estende ao VAR. Deslocar a perna ou o pé para a linha de corrida do adversário, não é penálti», explicou Duarte Fomes.

Casos de pisões

Praticamente todos os pisões, intencionais ou não, terão de ser punidos ed forma disciplinar. «Nem todos os pisões são motivos de advertência, mas quase todos são infração», explica Duarte Gomes. «Mesmo um avançado, quando pisa um defesa e o impede de chegar à bola», é falta. Depois há algumas exceções, quando o pisão é de raspão ou pouco intenso e não há causa efeito no lance ou quando um guarda-redes salta a uma bola e no regresso ao solo pisa um adversário.

Troca pés, toque na passada

Outro caso frequente no futebol. Quando um jogador vai em corrida com a bola e o perseguidor aproxima-se em demasia e acaba por provocar o contato. «Muitas veze basta um toque no calcanhar, mesmo sem quere», é falta. «Livre direto ou penálti, mas sem ação disciplinar».

Jogar a bola com contato posterior no adversário

Neste caso, é habitual ouvir-se, «tocou primeiro na bola, não há falta». Não será bem assim. A partir de agora os árbitros têm liberdade para avaliar o lance de outra forma. Se um jogador tocar na bola e depois no adversário, pode mesmo ser assinalada falta e até se pode exibir um cartão amarelo, caso «a Infração seja considerada negligente». Se o jogador quiser jogar apenas a bola, o lance pode prosseguir, mas se a intensidade ditar algo mais, pode haver sanção. Cabe ao árbitro avaliar a intensidade do lance, se o jogado esticou as pernas «ou pretendeu algo mais».

Falta sem bola, late tackle, entradas tardias

Acontece normalmente quando um jogador entra em carrinho e o adversário já não tem a bola. Neste caso é considerado «infração negligente» ou «força excessiva» e a ação tem de ser punida disciplinarmente. «Se for apenas imprudente e inconsequente para o resto da jogada, não deve ser sancionada», avisa Duarte Gomes.

Outras recomendações

Apito para o intervalo e apito para final do jogo: neste caso, Duarte Gomes, aconselha que o árbitro apite por duas vezes para assinalar o intervalo e três vezes para assinalar o final do jogo, «igual para todos». Neste último caso, o árbitro deve sempre confirmar com o VAR se pode terminar o jogo e deve procurar terminar numa «zona neutra», em que «não haja indícios de uma possível saída rápida».

Descontos de tempo: se foram dados cinco minutos e a bola sair para fora aos 4m59, deve ser marcado o respetivo lançamento, mas se a bola sair já depois de esgotados os cinco minutos adicionais, o jogo deve terminar sem o lançamento. «Se a bola sair antes de acabar o tempo, há recomeço, Se sair depois de acabar o tempo, não há mais jogo para ninguém». Duarte Gomes pede ainda bom senso na atribuição dos descontos. «Se foram dados quinze minutos, mas só se jogaram onze, o árbitro deve dar mais quatro. É fundamental passar a mensagem aos capitães de equipa em relação ao tempo».

Macas em campo/assistência médica: tal como na época passada, as macas já não entram no terreno de jogo. Entra a equipa médica para avaliar a lesão. «Se o jogador tiver de sair, o árbitro tem de perceber a forma mais rápida, a pé ou de maca».

Bancos técnicos e suplementares: «Aqui tem de haver sensatez. Se extravasar emoções, se houver injurias ou gestos ofensivos» tem de haver ação disciplinar. Se for um elemento «com importância menor no jogo, como um médico, o comportamento deve ser ainda mais responsabilizado».

Equipamentos dos jogadores: meias rasgadas ou com buracos não podem entrar. Se o equipamento vier deliberadamente danificado terá de ser alterado».

Incidentes racistas: o árbitro pode interromper o jogo e pedir para que seja feito um aviso sonoro. Se o comportamento se mantiver ou for repetido, o jogo pode mesmo ser suspenso.

As alterações às Leis do jogo: se o guarda-redes perder tempo, árbitro pode assinalar pontapé de canto

As alterações às Leis do Jogo para a próxima época, já eram públicas e são mais pequenos ajustes do que propriamente mudanças na lei, como é exemplo, o tempo que o guarda-redes pode deter a bola nas mãos.

Regras do capitão

Só o capitão pode dirigir-se a árbitro. Já era assim em 2024/25, mas a UEFA e o IFAB pediram para que esta diretiva fosse ainda mais reforçada. «O capitão deve ser responsável para que os outros jogadores não se aproximem».

Bola ao solo

Antigamente, nos casos de bola ao solo, a bola era entregue a um jogador da equipa que detinha a bola no momento em que o jogo foi interrompido. A regra mantém-se, mas abre uma exceção para o caso da bola ir para outro jogador. «Este caso só se aplica se for claro, muito claro, que a bola ia mesmo para outro jogador».

Interferência de elementos externos

Se um jogador suplente ou elemento do banco tocar na bola ainda dentro do campo, será concedido um livre indireto sem sanção disciplinar, desde que não haja intenção de interferência incorreta. Caso seja intencional, a ação pode ser punida com cartão vermelho e penálti.

Fora de jogo

Aqui foi dado o exemplo de quando o guarda-redes lança a bola com a mão. O fora de jogo é contabilizado depois do «último ponto de contato do guarda-redes com a bola».

Guarda-redes, 8 segundos, pontapé de canto

O que já estava na lei, mas não era aplicado, é que o guarda-redes não podia ter a bola nas mãos por mais de seis segundos. A nova regra aumenta o espaço temporal para oito segundos, mas agora o árbitro deve efetivamente contabilizá-los e indicar isso por gestos. «Será uma contagem regressiva. A partir dos 5 segundos levanta a mão e é quando chega aos zero segundos que vai dar pontapé de canto», explica Duarte Gomes. O árbitro só deve começar a contagem quando o guarda-redes está numa posição segura, sem adversários por perto.

Duplo toque no penálti

Aqui também há um pequeno ajuste face aos lances polémicos que surgiram na temporada passada. Caso um jogador escorregue no momento do penálti e seja golo, como aconteceu na final do Mundial feminino, o penálti é repetido. No entanto, caso, o jogador escorregue e não haja golo, é assinalado apenas livre direto para o guarda-redes.

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