Norte-americano de 72 anos condenado a 16 anos de prisão na Arábia Saudita devido a 14 tweets

19 out, 12:44
Saad Ibrahim Almadi (Twitter)

Tem dupla nacionalidade. Além da pena de prisão, foi condenado a outra pena

Um cidadão saudita de 72 anos que também tem nacionalidade norte-americana foi condenado a 16 anos de prisão na Arábia Saudita por ter feito no Twitter publicações críticas do regime saudita. Saad Ibrahim Almadi, que tem dupla nacionalidade - saudita e norte-americana - foi detido em novembro do ano passado à chegada a Riade para uma estadia de duas semanas no país de origem. 

O caso foi agora revelado pelo The Washington Post, que falou com o filho de Saad Ibrahim Almadi. "Levaram-no do aeroporto", garantiu, acrescentando que o pai foi torturado na prisão. Almadi viva na Florida e foi nos EUA que publicou os 14 tweets nos últimos sete anos que levaram as autoridades sauditas a detê-lo por criticar o regime. Uma das publicações mencionava o caso de Jamal Khashoggi, o jornalista assassinado no consulado da Arábia Saudita em Istambul em 2018, outras criticavam medidas do governo saudita e a corrupção em Riade.

Almadi foi acusado de alimentar uma ideologia terrorista e de tentar destabilizar o reino, bem como de apoiar e financiar atividades terroristas. No início do passado mês de outubro foi condenado a 16 anos de cadeia, estando impedido de viajar para fora da Arábia Saudita por outros 16 anos após cumprir pena de prisão. Se cumprir todo o tempo de pena, ficará na prisão até aos 87 anos e teria de viver até aos 104 para poder regressar aos EUA, onde tem toda a família.

Desde que o pai foi detido, o filho, Ibrahim Almadi, tem estado em contacto com o Departamento de Estado dos EUA e tem apelado ao governo norte-americano para que ajude a libertá-lo. Garante que toda a família foi ameaçada pelo governo saudita, dizendo-lhes que perderiam tudo se não mantivessem o silêncio sobre o caso, mas Ibrahim decidiu vir a público contar a história porque acredita que as autoridades norte-americanas têm sido negligentes na gestão do caso - apesar de, inicialmente, ter recusado a intervenção do governo dos EUA, acabou por solicitá-la em agosto mas soube que o pai foi torturado na sequência desse pedido.

Almadi tinha considerado que era seguro regressar à Arábia Saudita apesar das partilhas nas redes sociais, porque não se considerava um dissidente e tinha ligações à alta-roda saudita. Quando foi detido no aeroporto - passou 11 meses preso sem acusação -, os agentes revistaram-lhe o telemóvel e encontraram fotografias e caricaturas de governantes sauditas e do próprio príncipe, Mohammed bin Salman.

A administração Biden está ainda a considerar se Almadi é considerado um cidadão norte-americano "erroneamente detido", cumprindo assim os critérios para que o caso seja tratado no gabinete do enviado especial presidencial para assuntos de reféns, que tem mais instrumentos para garantir a libertação de norte-americanos presos no estrangeiro. 

O jornal britânico the Guardian assinala que este é o segundo caso de um saudita a viver no estrangeiro que é preso e condenado quando regressava ao próprio país: Salma al-Shehab, estudante saudita na Universidade de Leeds, no Reino Unido, foi condenada a 34 anos de prisão por ter uma conta de Twitter e seguir e partilhar publicações de dissidentes e ativistas. Foi presa e condenada depois de voltar a casa para um período de férias.

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