Aquecimento global está prestes a ultrapassar o limite de 1,5 graus pela primeira vez

CNN Portugal , CNC/AM
18 mai 2023, 10:37
Emissões de gases com efeito estufa (foto: Pixabay)

 

 

 

Desde que foi estabelecido, no Acordo de Paris de 2015, o limite de 1,5ºC nunca foi ultrapassado. Agora, a Organização Meteorológica Mundial veio avisar que até 2027 isso vai acontecer

Até 2027, o aquecimento global vai atingir níveis nunca antes vistos. Esta quarta-feira, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que existe uma possibilidade de cerca de 66% de que o limite de aquecimento global de 1,5 graus Celsius seja ultrapassado. 

"Estamos de facto ao alcance de uma ultrapassagem temporária de 1,5ºC para a temperatura média anual, e é a primeira vez na história da humanidade que estamos tão perto", afirmou Adam Scaife, diretor de previsões a longo prazo do Met Office Hadley Centre da Grã-Bretanha, citado pela BBC.

Segundo o especialista, isto deve-se não só às emissões de CO2 que produzimos todos os dias, mas também à passagem do fenómeno natural El Niño, em que as temperaturas aumentam e há a existência de seca nalgumas partes do mundo e de fortes chuvas noutras. 

"Prevê-se que nos próximos meses se desenvolva um El Niño mais quente, que se combinará com as alterações climáticas induzidas pelo homem para fazer subir as temperaturas globais para territórios desconhecidos. Isto terá repercussões de grande alcance para a saúde, a segurança alimentar, a gestão da água e o ambiente. Temos de estar preparados", afirmou o secretário-geral da OMM, o professor Petteri Taalas.

Tendo o El Niño em conta, a possibilidade de virmos a exceder temporariamente estes 1,5º Celsius tem vindo a aumentar desde 2015, altura em que era quase nula.

O Acordo de Paris sobre o clima estabeleceu os 1,5ºC como o limite global para o aquecimento atmosférico, com praticamente todos os países do mundo a comprometerem-se a tentar evitar que se chegasse a esse valor. Atingir, mesmo que temporariamente, esse valor é, segundo o cientista Leon Hermanson, especialista em clima, "uma indicação de que à medida que começamos a ter estes anos com 1,5º Celsius cada vez mais frequentemente, estamos a aproximar-nos do limiar do clima atual a longo prazo".

Se ultrapassarmos todos os anos, durante uma década ou duas, este limite de 1,5ºC, os efeitos do aquecimento global serão cada vez mais intensificados. Ultrapassar este limite nos próximos anos representa um problema e é um sinal de que o aquecimento global está a acelerar e que não vai parar tão depressa.

No relatório especial das Nações Unidas de 2018, os cientistas afirmavam que ultrapassar esse ponto seria drástico e perigosamente diferente, com mais mortes, destruição e danos nos ecossistemas globais.

"Provavelmente não será este ano. Talvez seja no próximo ano ou no ano seguinte" que se atingirá uma média de 1,5ºC, disse Leon Hermanson.

Mas os cientistas do clima afirmam que o que é provável que aconteça nos próximos cinco anos não é o mesmo que falhar o objetivo global.

"Este relatório não significa que vamos ultrapassar permanentemente o nível de 1,5°C especificado no Acordo de Paris, que se refere ao aquecimento a longo prazo, durante muitos anos. No entanto, a OMM está a fazer soar o alarme de que iremos ultrapassar o nível de 1,5º C numa base temporária e com uma frequência crescente", afirmou secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

"Não conseguimos limitar o aquecimento até agora e continuamos a avançar na direção errada", lamentou, alertando que o aumento de temperatura a curto prazo pode "ter repercussões na saúde das pessoas, na segurança alimentar, na gestão da água e no ambiente" e apelou a que se "esteja preparado".

Os especialistas da OMM admitem ainda que nos próximos anos o planeta poderá ter de suportar, em determinados momentos, temperaturas até 1,8 graus superiores à média do período 1850-1900, utilizado como referência por ser anterior à emissão de gases com efeito de estufa provenientes de atividades humanas e industriais.

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