"Na maior parte das vezes as pessoas não têm sintomas": a AAA tem uma "taxa de mortalidade acima de 75%" se não for detetada

24 nov, 18:38

SAÚDE || Cirurgião cardiovascular explica tudo o que é preciso saber sobre esta doença

“O aneurisma da aorta abdominal (AAA) é uma dilatação da aorta abdominal. O sangue sai do coração por um grande cano que o distribui para todo o corpo. E na zona abdominal, este grande tubo, que é a aorta, pode dilatar”, começa por explicar Pedro Amorim, cirurgião cardiovascular, em declarações à TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal). “De tanto dilatar, pode romper. Obviamente que, se romper, há uma hemorragia interna que pode levar à morte. E é uma condição que, se não for antecipada, culmina a maior parte das vezes em morte.”

Esta segunda-feira assinalou-se o Dia do Aneurisma da Aorta Abdominal, uma doença pouco conhecida em Portugal mas que tem uma elevada taxa de mortalidade quando não é detetada. Este aneurisma é o tipo de aneurisma arterial mais comum, até mais frequente do que os aneurismas cerebrais, explica o cirurgião. A maior parte das vezes não exibe sintomas.

“Na maior parte das vezes as pessoas não sentem absolutamente nada. Quando muito sentem que têm uma pulsação anormal ou exagerada na zona lateral esquerda do umbigo. Se estiverem deitadas de barriga para o ar, por exemplo, quando ficam relaxadas, pode ser que sintam uma pulsação, mas é raro. Por definição, é uma doença absolutamente assintomática. Quando há sintomas é porque está a romper ou já rompeu”, explica Pedro Amorim.

O sintoma mais frequente é uma dor abdominal “que irradia mais para as costas, como se fosse uma crise de rins”, e um desmaio. “O aneurisma em rotura tem uma taxa de mortalidade acima dos 75%. A maior parte até já nem chega ao hospital. Dos que chegam ao hospital, também uma grande parte não consegue sobreviver às nossas intervenções”, explica o cirurgião. No entanto, quando detetada atempadamente a condição, “tem uma taxa de mortalidade entre os 1% e os 5%, consoante a técnica cirúrgica que depois nós possamos adotar adequada ao doente”.

Nem todos os aneurismas da aorta abdominal necessitam de operação. “Se a aorta dilatar para um valor de três ou quatro centímetros não é um problema, por assim dizer, exagerado. Não tem uma taxa de rotura relevante. Mas se ultrapassar os cinco centímetros, nós sabemos que a taxa de rotura já é considerável e que já justifica a intervenção cirúrgica. Portanto, nem toda a dilatação da aorta é para nos colocar em alarme.”

Quantos aos fatores de risco, Pedro Amorim elenca três principais: o consumo de tabaco, a hipertensão e a idade acima dos 65 anos. Mas também há fatores genéticos que têm “um peso importante”.

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