MAU TEMPO AO MINUTO | Meo vai creditar os clientes impactados pelos dias sem serviços
Acompanhamos aqui, ao minuto, os destaques nos trabalhos de levantamentos de danos e reconstrução, bem como os riscos e receios sentidos pela população com o cenário de regresso do mau tempo
Meo vai creditar os clientes impactados pelos dias sem serviços
A Meo irá creditar os períodos de indisponibilidade de serviços de telecomunicações aos clientes localizados nas zonas afetadas pelas tempestades, o qual será refletido na fatura seguinte, esclareceu hoje à Lusa fonte oficial da operadora.
A Lusa contactou as operadoras na sequência de alguns clientes das zonas afetadas pelo mau tempo que ficaram sem comunicações afirmarem que estavam a receber as faturas sem crédito.
"Conforme previamente anunciado, a Meo informa que irá creditar os períodos de indisponibilidade de serviços de telecomunicações aos clientes localizados nas zonas afetadas pelas tempestades", disse à Lusa fonte oficial da empresa.
De acordo com a legislação em vigor, "os clientes impactados irão receber um crédito automático correspondente aos dias em que não dispuseram de serviço, o qual será refletido na fatura seguinte ao período de indisponibilidade", acrescentou a mesma fonte.
Na segunda-feira, fonte oficial da Vodafone Portugal explicou à Lusa que, "devido ao automatismo dos processos de faturação da Vodafone - que não foi possível interromper em tempo útil -, foram emitidas faturas a alguns clientes que ficaram sem serviço em consequência da depressão Kristin".
Contudo, "estes clientes serão ressarcidos do valor faturado através de crédito a partir da próxima fatura", asseverou a mesma fonte.
A Lusa contactou também a NOS sobre este tema.
Endesa prevê iniciar construção de projeto do Pego em 2027
A energética espanhola Endesa disse hoje que prevê iniciar a construção do projeto associado à reconversão da central do Pego, em Abrantes, em 2027, depois de, há um ano, ter já assumido "algum atraso" no calendário.
A Endesa anunciou hoje uma atualização do plano estratégico da empresa para o período 2026-2028, em que prevê 10.600 milhões de euros de investimentos globais, 3.000 milhões dos quais para energias renováveis.
É neste contexto que refere o projeto "de transição justa do Pego (Portugal), cuja construção está previsto que arranque em 2027".
"Incorporará 600 MW [megawatts] de nova capacidade híbrida renovável (eólica, solar e baterias), com um investimento estimado de 600 milhões de euros. A sua configuração híbrida permite um perfil energético próximo à carga base, o que o faz muito adequado para clientes de grande escala, como centros de dados", escreveu a Endesa, no comunicado divulgado hoje.
Há um ano, quando apresentou os resultados de 2024, a Endesa admitiu "algum atraso" no projeto da central do Pego, mas garantiu que mantinha todos os compromissos e que esperava avançar no final de 2025 com os investimentos previstos.
O projeto da central elétrica do Pego avança "talvez com algum atraso" em relação ao previsto, afirmou então, em 27 de fevereiro de 2025, o presidente executivo da Endesa (CEO), José Bogas, numa conferência de imprensa em Madrid.
José Bogas lembrou que o projeto tem várias partes, que "vão conseguindo as declarações de impacto ambiental", e afirmou que avançava "corretamente".
Os compromissos "vão-se cumprindo", incluindo os sociais, com a comunidade local, ou a formação de trabalhadores, acrescentou.
Também o diretor financeiro da Endesa (CFO), Marco Palermo, disse que era expectável que ao longo de 2025 a empresa conseguisse todas as autorizações para avançar com os investimentos e que o projeto e as obras de reconversão da central do Pego começassem "a ter visibilidade".
Marco Palermo lembrou então que o investimento do Pego estava no plano da Endesa para o período de 2025-2027 e por isso o objetivo era que as obras avançassem e tivesse "visibilidade" no final de 2025.
No final de janeiro deste ano, a Endesa anunciou o plano de formação 2026 da Escola Rural de Energia Sustentável, em Abrantes, criada no âmbito do projeto para o Pego, que fontes da empresa disseram então à Lusa estar "em fase de tramitação ambiental", remetendo mais detalhes para a apresentação hoje do Plano Estratégico para 2026-2028.
A Endesa ganhou o concurso de transição justa para a reconversão da Central Termoelétrica do Pego, com um projeto de investimento de cerca de 600 milhões de euros, que combina a hibridização de fontes renováveis (solar fotovoltaica e eólica) e o seu armazenamento, com iniciativas de desenvolvimento social e económico.
A empresa é a maior elétrica espanhola e a segunda na distribuição de gás em Espanha.
Em Portugal, a Endesa produz e distribui eletricidade e ganhou o concurso para a reconversão da central do Pego.
A Endesa tem ainda em Portugal projetos para geração de energia solar.
A Endesa anunciou hoje que teve lucros de 2.198 milhões de euros no ano passado, mais 16,4% do que em 2024.
Circulação ferroviária entre Coimbra e Figueira da Foz retomada na terça-feira
Mau tempo: clientes Vodafone serão ressarcidos do valor faturado com crédito na próxima fatura
Concluída a intervenção provisória no dique que fez colapsar a A1
Está concluída a obra do dique que rompeu no Mondego, em Coimbra, junto à A1. A intervenção é temporária, mas vai ajudar na reparação definitiva. A Brisa mantém o prazo inicial de reabertura até ao final da primeira semana de março.
Abrantes contabiliza mais de 10 milhões de euros em prejuízos devido ao mau tempo
Intervenção concluída no dique que rompeu no rio Mondego, em Coimbra
A intervenção que permitiu recuperar, de forma provisória, a rotura do dique de Casais, na margem direita do rio Mondego, em Coimbra, junto à Autoestrada A1, no dia 11, está concluída, anunciou hoje o Governo.
Numa nota de imprensa, o Ministério do Ambiente e da Energia (MAE) informa que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) desenvolveu uma operação que permitiu “repor provisoriamente a estanquicidade do dique, impedindo a passagem de água do leito central para os campos adjacentes”.
Esta intervenção no rio Mondego “vai permitir a drenagem dos terrenos ainda inundados e é uma etapa indispensável para a reparação definitiva do dique, do canal condutor geral, e da estrada”.
A APA está também a realizar intervenções nas margens do rio Lis, no concelho de Leiria, que sofreu uma rotura no dique da margem esquerda do rio, sob o viaduto da autoestrada 17, na freguesia de Amor, “situação que provocou o desvio de parte do caudal do rio para os campos agrícolas adjacentes”.
Quercus quer produtoras de energia a contribuir para fundo de calamidade
A associação ambientalista Quercus defende que as empresas que produzem energia nas barragens devem contribuir para o fundo de apoio a catástrofes, anunciado na quinta-feira pelo Governo, com uma percentagem dos lucros extraordinários resultantes da acumulação hídrica nas barragens.
A sequência das tempestades que atingiram o país nas últimas semanas, provocando 18 mortes e a destruição total e parcial de casas, empresas, equipamentos, quedas de árvores e estruturas, proporcionou também uma acumulação de riqueza hídrica nas barragens nacionais, que estão atualmente nos seus níveis máximos de armazenamento de água, refere a associação em comunicado enviado à Lusa.
Enquanto principais beneficiárias das cheias recentes, as empresas produtoras de energia “podem e devem”, segundo a Quercus, contribuir para o fundo público de apoio a futuras catástrofes, através de uma sobretaxa correspondente a uma percentagem dos lucros extraordinários desta atividade.
Aguiar-Branco pede a mobilização de todos os partidos e entidades na execução do PTRR
O presidente da Assembleia da República pediu hoje uma mobilização geral para a execução do PTRR de resposta à devastação provocada pelas recentes tempestades em território nacional continental, designadamente com o envolvimento das forças representadas no parlamento.
Este apelo de José Pedro Aguiar-Branco foi feito na praia de Modelo, no âmbito de uma visita que realizou a vários pontos do distrito de Viana do Castelo para se inteirar sobre as consequências das intempéries naquela zona do país.
Acompanhado pelos deputados eleitos pelo círculo de Viana do Castelo, José Pedro Aguiar-Branco acentuou que a execução do Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), anunciado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, na sexta-feira, “compete a todos”.
“Sabemos bem que muitas vezes os diagnósticos são bem feitos, existem, mas, depois, é a dimensão da sua execução que não acontece com a mesma eficácia. Isso é uma responsabilidade de todos, do Governo, da Assembleia da República, dos autarcas”, declarou.
José Pedro Aguiar-Branco, que foi cabeça de lista pela AD no círculo de Viana do Castelo nas últimas eleições legislativas, referiu que há obras que já foram reconhecidas como importantes de realizar, só que não foram executadas, como, por exemplo, a barragem de Girabolhos, na bacia do Mondego.
Plano Especial de Emergência para Cheias no Tejo baixa para nível azul
Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém baixou para nível azul o Plano Especial de Emergência para Cheias na Bacia do Tejo, devido à diminuição dos caudais lançados pelas barragens e à descida da altura hidrométrica do rio.
“Baixámos para o nível azul o Plano Especial de Cheias na Bacia do Tejo, o que significa que a monitorização e os avisos à população passam a ser efetuados em períodos de 24 horas”, disse hoje à Lusa o comandante sub-regional da proteção civil do Médio Tejo, David Lobato.
Saleintando que no Médio Tejo o rio voltou ao seu leito normal e que na Lezíria subsistem algumas zonas inundadas, o comandante afirmou que é expectável que “durante os próximos dias seja possível voltar à normalidade”, com a consequente desativação do Plano Especial de Cheias.
Em comunicado emitido esta madrugada pela Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém, lê-se que, “de acordo com a informação disponibilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), verificou-se uma oscilação dos caudais afluentes às principais barragens que influenciam a bacia do Tejo”.
Carneiro reitera que faltam respostas imediatas de apoio
O secretário-geral do PS reiterou hoje, em Baião, que faltam respostas imediatas de apoio às populações e empresas que sofreram os efeitos do mau tempo e que a isenção das portagens nas zonas afetadas deve manter-se.
“Faltam respostas imediatas. É isso que as pessoas neste momento me estão a transmitir. E 10.000 euros não é suficiente, na maior parte dos casos, para recuperar as habitações. Portanto, nós propusemos que sempre que o esforço das famílias fosse acima dos 10.000 euros, as famílias deviam comportar até 10% do esforço à luz do rendimento do ano anterior e o que fosse acima, o Estado deve assegurar”, disse José Luís Carneiro.
Em declarações antes de uma reunião com militantes e simpatizantes socialistas na sede da concelhia de Baião, no distrito do Porto, José Luís Carneiro reiterou as críticas que fez já na sexta-feira sobre o programa “Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência” (PTRR), criado pelo Governo para responder aos efeitos do mau tempo em Portugal que, desde 28 de janeiro, causou 18 mortes e centenas de feridos e desalojados.
“É um plano de intenções e como plano de intenções é um plano naturalmente bem intencionado. Agora, o que importa dizer nesta fase é que há questões de urgência que têm de ser resolvidas, nomeadamente a recuperação das habitações”, referiu.
Recordando algumas das 70 propostas que o PS apresentou fazer face a esta “situação de urgência”, como lhe chamou, José Luís Carneiro defendeu que “é preciso garantir às empresas que o Estado, para além do endividamento, também dá apoios a fundo perdido”.
Raimundo acusa Montenegro de muita conversa e nenhuma medida concreta
O secretário-geral do PCP acusou hoje o primeiro-ministro de falar meia hora sem dizer nada em concreto sobre a resposta à devastação provocada pelas recentes tempestades e advertiu que a situação não pode ser aproveitada para negócios.
Esta posição foi assumida por Paulo Raimundo em declarações à agência Lusa, a meio de uma visita ao Bairro Padre Cruz, em Lisboa, em que esteve acompanhado pelo vereador João Ferreira e por responsáveis da Junta de Freguesia de Carnide.
Na sexta-feira, após o Conselho de Ministros, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que o Governo quer aprovar a versão final do PTRR (Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência) no início de abril e que o envelope financeiro só será definido após o período de auscultação nacional.
Perante esta linha de atuação do primeiro-ministro, o secretário-geral do PCP considerou que “o rei vai nu”.
“Para sermos corretos e rigorosos, não há nada para comentar da resposta que não foi dada [na sexta-feira] pelo primeiro-ministro. Tivemos meia hora de conversa”, sustentou Paulo Raimundo.
Para o líder comunista, Luís Montenegro tem essa característica de “conseguir falar meia hora sem dizer nada”, e na sexta-feira “repetiu-a”, após estar “meia hora a falar sem dizer nada”.
Peritagem concluiu que enxurrada em Portalegre teve causa natural
A enxurrada de água, lama e pedras que ocorreu no dia 05 deste mês em Portalegre, na sequência do mau tempo, foi provocada por “causas naturais”, concluiu a peritagem independente ordenada pela câmara municipal.
O resultado da peritagem foi apresentado na sexta-feira à noite, no decorrer de uma sessão ordinária da Assembleia Municipal de Portalegre pela vereadora Laura Galão, tendo a agência Lusa tido hoje acesso à transmissão da reunião, nas páginas do município na Internet.
“A conclusão deste estudo preliminar relativamente à ocorrência é que esta situação teve uma causa natural, que decorreu da saturação dos solos, proporcionada pela precipitação e pelo escoamento da mesma”, disse a autarca.
De acordo com Laura Galão, a “primeira impressão” com que o executivo municipal ficou quando a enxurrada oriunda da serra de São Mamede ocorreu, “foi confirmada” pelos especialistas.
“Não havia nenhuma estrutura edificada a montante do deslizamento e, portanto, o deslizamento teve uma causa completamente natural”, acrescentou.
A autarca indicou ainda que a peritagem foi desenvolvida por Rodrigo Proença de Oliveira, especialista em hidrologia, planeamento e gestão de recursos hídricos e por Manuel Lacerda, mestre em engenharia agrícola, drenagem e recuperação de solos.
Também na sessão, a presidente da Câmara de Portalegre, Fermelinda Carvalho, explicou que a enxurrada partiu de uma zona pertencente a um terreno privado, onde o solo estava “completamente embeberado em água e a pessoa [proprietário] não se apercebeu do problema que ali tinha”.
De acordo com a autarca, nesse terreno privado formou-se “quase uma míni barragem” com “uma cobertura de solo”.
“Aconteceu ali, podia ter acontecido num sítio ao lado, podia ter acontecido em três locais, portanto o que ali aconteceu não era possível evitar”, alertou.
No dia 05, o mau tempo em Portalegre provocou uma enxurrada de água, lama e pedras oriunda da Serra de São Mamede e abrangeu três avenidas da cidade, provocando danos em pelo menos 10 casas, em caves (número por apurar) e em 52 carros, além de ter causado três desalojados.
Ministro da Agricultura vai abordar em Bruxelas tema dos resseguros
Portugal vai abordar, na segunda-feira, a questão dos resseguros na reunião dos ministros da Agricultura da União Europeia (UE), relacionada com as consequências do recente ‘comboio’ de tempestades que atingiu o país, principalmente a região centro.
O ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, vai abordar “um ponto sobre resseguros”, segundo fonte diplomática, tendo a Comissão Europeia já anunciado conversações com o Banco Europeu de Investimento para criar um mecanismo europeu de resseguro agrícola.
“O ministro irá naturalmente aproveitar para falar com a Comissão sobre as possibilidades de fundos que possam ser utilizados” para apoiar os agricultores, juntamente com a ativação da reserva agrícola de crise, já solicitada formalmente.
O Governo estima em cerca de 500 milhões de euros os prejuízos na agricultura, a que se somam mais de 275 milhões de euros no setor florestal.
A agenda dos trabalhos do Conselho de Ministros da Agricultura e Pescas dos 27 será dominada pelo debate sobre as recomendações nacionais relativas à Política Agrícola Comum (PAC) que visam orientar os Estados-membros na execução da PAC após 2027.
Município de Torres Vedras com um prejuízo de 30 milhões de euros
A Câmara Municipal de Torres Vedras contabilizou um prejuízo de 30 milhões de euros no concelho decorrentes dos estragos provocados pelo mau tempo das últimas semanas, foi hoje anunciado em conferência de imprensa.
O presidente da câmara, Sérgio Galvão, disse que o município vai reportar hoje à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo um prejuízo de 30 milhões de euros por danos na rede viária, taludes e muros de suporte, edifícios e equipamentos municipais, infraestruturas de saneamento, escolas, associações e património cultural.
O autarca espera que haja apoios e que cheguem rápido para não comprometer o orçamento municipal, depois dos custos que o município já teve com o mau tempo.
Entre 28 de janeiro e quarta-feira, o concelho teve 1.387 ocorrências relacionadas com o mau tempo, desde situações de inundação, derrocadas ou aluimentos de terras.
“Um dos principais problemas foram 75 vias danificadas, muitas delas em colapso total ou parcial. Temos 40 quilómetros de estradas que requerem intervenção”, adiantou o autarca, acrescentando que se mantêm cortadas as estradas nacionais 8, entre Catefica e Carvalhal, e 247 entre Maceira e Porto Novo.
Dez pessoas continuam desalojadas, cinco das quais foram retiradas das suas casas “por precaução” junto à Encosta do Castelo, onde houve dois aluimentos de terras e dá sinais de instabilidade, situação que está a ser monitorizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil.
“É desaconselhável que continuem nas suas casas, porque continuamos a fazer a drenagem de água a toda a hora da encosta e, entretanto, houve dois sismos”, afirmou o vice-presidente da câmara, Diogo Guia, responsável pela Proteção Civil.
A autarquia reportou à Agência Portuguesa do Ambiente 14 ocorrências relacionadas com instabilidade de arribas, nomeadamente nas praias de Porto Novo, Foz do Sizandro e Formosa.
O município registou problemas em 48 condutas de água e saneamento, com uma extensão de 40 quilómetros, que requerem um “grande investimento dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento”.
Com o mau tempo, 800 árvores caíram ou ficaram comprometidas, o que vai obrigar a câmara a avançar com um plano de rearborização para a cidade.
De acordo com a câmara municipal, já foram submetidos 110 pedidos de ajuda de privados a apoios, com um total de 672 mil euros de prejuízos declarados.
Depois de ter cancelado os festejos oficiais de Carnaval entre os dias 12 e 17, apesar dos mascarados espontâneos que invadiram as ruas e bares da cidade nessas noites, câmara e empresa municipal Promotorres admitem vir a organizar um evento para "fazer face ao investimento de 300 mil euros nos carros alegóricos".
CCB e Opart entregam receitas de concerto a instituições de Leiria
As receitas do concerto da Orquestra Sinfónica Portuguesa com o coro do São Carlos, dia 01 de março no CCB, em Lisboa, vão ser entregues a duas instituições do distrito de Leiria, um dos mais afetados pela depressão Kristin.
De acordo com o Centro Cultural de Belém (CCB), em comunicado, a “totalidade da receita” do espetáculo reverte a favor da Associação das Filarmónicas do Concelho de Leiria e do Sport Operário Marinhense (da Marinha Grande), “duas instituições com uma presença cultural profundamente enraizada na zona recentemente atingida pela Tempestade Kristin”.
“Esta iniciativa [da Fundação CCB e do Opart, que gere o Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa] nasce do desejo sincero de ajudar na recuperação das suas infraestruturas, que sofreram danos significativos, e de assegurar que o trabalho cultural que desenvolvem junto das comunidades possa continuar com a mesma dedicação e proximidade de sempre”, lê-se no comunicado.
O concerto solidário “Das Klagende Lied de Mahler”, que atravessa a obra do compositor e maestro Gustav Mahler, “começando pelo testamento da sua última sinfonia e terminando na juventude visionária”, está marcado para 01 de março às 17:00, no Grande Auditório do CCB.
Deputados debatem apreciação parlamentar sobre regime de lay-off dia 25
Os deputados vão debater na quarta-feira a apreciação parlamentar apresentada por Livre, PCP e BE ao decreto do Governo que cria o regime de `lay-off´ após o temporal, que deverá ser aprovada, estabelecendo o pagamento de salários a 100%.
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, adiantou que o debate sobre esta apreciação parlamentar vai realizar-se na quarta-feira, dia para o qual os bloquistas já tinham agendado um debate potestativo com propostas de apoio às populações atingidas pelas tempestades.
A apreciação parlamentar - instrumento de fiscalização que permite aos deputados alterar ou fazer cessar a vigência de decretos-leis publicados pelo Governo -, que propõe que os salários destes trabalhadores seja pago a 100% e não a dois terços, como é estabelecido pelo executivo, tem aprovação garantida, uma vez que PS e Chega já anunciaram que vão acompanhar a iniciativa.
Fabian Figueiredo considerou positiva a intenção já manifestada por alguns partidos de aprovar a apreciação, esperando que “ninguém falte à palavra”.
“Era o que faltava, que os trabalhadores das zonas afetadas tivessem que reconstruir a sua casa com um corte salarial. Ninguém aceita isso e o parlamento tem que formar a maioria para repor o bom nome do Estado português”, salientou.
O bloquista insistiu que o decreto publicado pelo Governo “revelou uma mentira”, contrariando o que inicialmente tinha sido anunciado, uma vez que remete o lay-off simplificado para o Código do Trabalho, significando o pagamento de dois terços do salário.
“Tem-se suscitado alguma confusão porque o Governo diz que nos primeiros dois meses há lugar ao pagamento de 80% por parte da Segurança Social e 20% por parte da entidade patronal. Mas eu queria chamar a atenção que esta repartição da despesa entre a Segurança Social e a Entidade Patronal é referente a 66% do salário bruto”, alertou.
No mesmo debate, o parlamento vai debater um conjunto de dez propostas apresentadas pelo BE para auxiliar as populações afetadas pelo temporal, incluindo um apoio extraordinário de subsistência superior ao do Governo, isenção do IMI ou uma ajuda à renda para quem perdeu habitação própria permanente.
Resende com prejuízos de mais de 5 milhões de euros só na rede viária
Os prejuízos provocados pelo mau tempo nas redes viárias do concelho de Resende ascendem mais de cinco milhões de euros (5 ME), disse hoje à agência Lusa o presidente da Câmara, Fernando Silvério.
“Do levantamento feito no terreno, temos como perspetiva orçamental prejuízos que ascendem os 5 ME só nas redes viárias, como as estradas municipais e outros caminhos do concelho de Resende”.
O presidente da Câmara de Resende, no norte do distrito de Viseu, disse que este valor “é só na rede viária, não estão contabilizados outros danos em infraestruturas públicas, nem nos particulares, porque esse levantamento ainda está a ser feito”.
“Até porque o número de danos é enorme e ainda não parou. Já fomos alertados pelos técnicos de que enquanto a água está a drenar nos solos e a secar há um perigo iminente de aluimento de terras que se agrava”, realçou.
Ou seja, “há uma grande probabilidade de alguns locais que até ao momento não sofreram quaisquer danos ainda poderem ter aluimentos e causar algum tipo de situação” no terreno, vias ou infraestruturas.
Na rede viária, Resende teve ainda duas estradas municipais cortadas, devido a derrocadas, sendo que “uma deverá abrir hoje e a outra no início da semana”.
“Foi feita uma avaliação das prioridades para a requalificação” das vias.
Entre as infraestruturas públicas afetadas, Fernando Silvério destacou “os equipamentos de lazer em Porto de Rei, junto às piscinas e parque fluvial, com bar de apoio, que ficou inundado durante vários dias, causando vários prejuízos”.
“E um ou outro equipamento desportivo, como um pavilhão em São Martinho, que levantou parte do telhado e provocou uma infiltração de água, mas os danos nos equipamentos não são de grande envergadura e ainda estão a ser contabilizados”.
Quartel dos Bombeiros de Montemor-o-Velho com danos estruturais e infiltrações
O mau tempo causou danos significativos no quartel dos Bombeiros de Montemor-o-Velho e as infiltrações sofridas obrigaram ao desmontar da camarada de pernoita dos profissionais de saúde, revelou hoje o presidente da corporação.
“Temos danos significativos na parte estrutural do Quartel, o que está a permitir infiltrações. Tivemos de desmontar toda uma camarada, que é a camarada de pernoita dos profissionais de saúde, e todo o equipamento e ‘stock’ de material de saúde das ambulâncias também foi afetado pelas infiltrações que surgiram”, informou Nuno Rasteiro.
Em declarações à agência Lusa, o presidente dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho explicou que ainda não tem o valor exato dos prejuízos.
No entanto, admitiu que possam ascender a vários milhares de euros.
“Ainda estamos à espera de uma avaliação para conseguir avaliar os prejuízos. A nossa autoescada tem estado ao serviço do Município e ainda não conseguimos ir averiguar. O que sabemos é que, após a tempestade, começou a chover nas camaratas, onde temos bastantes infiltrações, e também na zona do pavilhão”, referiu.
Segundo o presidente da Corporação, o desmontar da camarata, com capacidade para oito pessoas, acabou por trazer grandes constrangimentos durante as operações ocasionadas pelo mau tempo.
“Ficámos com elementos que não conseguiam pernoitar no quartel, ou seja, não conseguiam estar em prontidão no quartel, porque não tinham onde ficar. Isto acaba por afetar toda a estrutura”, lamentou.
Nas últimas semanas, os Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho estiveram “basicamente sempre a olhar para os outros”, mas na próxima semana será tempo de "avaliar os estragos internos" e diligenciarem no sentido da resolução.
“Não posso dizer quantos milhares de euros são em danos, mas ultrapassará certamente os milhares de euros. Vamos ter de avaliar tudo para não cometermos o erro de voltar a sofrer este tipo de danos”, evidenciou.
Dezassete corporações de bombeiros dos distritos de Leiria, Santarém e Coimbra têm os quartéis danificados devido ao mau tempo, sendo os casos mais graves os voluntários de Leiria e Pedrógão Grande, segundo a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP).
Além dos quartéis de Leiria e de Pedrógão Grande, que apresentam problemas graves e provavelmente obrigarão à construção de novas instalações, há ainda outras corporações com prejuízos elevados nos edifícios como Vieira de Leiria, Marinha Grande, Ferreira do Zêzere e Penela.
Estes 17 quartéis apresentam danos nas coberturas, no edificado, com destruição de salas e camaratas, danos nas antenas e também em muitas viaturas.
Junta de Porto de Mós entrega rádios à população
A Junta de Freguesia de Porto de Mós comprou 1.500 rádios para distribuir à população e já entregou até hoje 550 aparelhos, revelou à agência Lusa o seu presidente.
Segundo Manuel Barroso, eleito para o terceiro e último mandato nas autárquicas de 2025, a ideia surgiu com o apagão, em abril do ano passado.
Concretizou-se agora, depois de a depressão Kristin ter privado muitas pessoas de energia elétrica e comunicações, sendo que havia quem tivesse acesso à rádio e a informação nos carros e mesmo em casa com aparelhos a pilhas.
“Em casa não tínhamos televisão, não tínhamos telefones, não tínhamos nada e não tínhamos forma nenhuma até para passar o tempo”, declarou o autarca, que concluiu pela necessidade de “arranjar rádios para esta gente toda”.
O presidente da Junta adiantou que aquela freguesia do distrito de Leiria tem cerca de seis mil habitantes.
No dia 13, Dia Mundial da Rádio, a autarquia anunciou que iria distribuir rádios, iniciativa que arrancou na segunda-feira.
Na junta, as pessoas recebem o rádio, com quatro pilhas.
“Duas já vão dentro. Nós experimentamos o rádio e entregamos o rádio”, esclareceu.
Manuel Barroso realçou que o contentamento é generalizado.
“Notamos que o ‘feedback’ é agradável, as pessoas ficam contentes, não pelo valor, mas pela forma, porque os rádios até são engraçados, são pequeninos, mas são muito engraçados”, considerou.
Para já, a Junta comprou 1.500 rádios, num custo para a autarquia de cerca de seis mil euros.
“Ficaram à volta de 4,5 euros cada um”, disse, referindo que havia preços bem superiores no mercado, mas a escolha recaiu num vendedor que fez “um preço promocional”, atendendo também a este “acontecimento, esta desgraça que caiu aqui”, numa alusão ao impacto da depressão Kristin na freguesia.
“Eles [empresa vendedora] tiveram o bom senso de nos ajudar também”, salientou.
Nesta primeira fase, a autarquia optou por entregar um rádio a cada família recenseada na freguesia, sendo que numa próxima reunião do executivo vai ser abordada a possibilidade de estender a iniciativa a toda a população.
“Se o nosso orçamento permitir, todas as famílias terão um rádio oferecido pela Junta”, garantiu.
Numa mensagem colocada nas redes sociais, a Junta explicou que “a rádio constituiu, nos dias em que todas as comunicações estiveram inativas devido aos efeitos da tempestade, o único elo de comunicação e ligação a informações vitais”.
“Consciente deste facto, e assinalando o Dia Mundial da Rádio, a Junta de Freguesia de Porto de Mós adquiriu rádios para distribuir pelos agregados familiares dos fregueses de Porto de Mós”.
Nesse sentido, desde segunda-feira que “cada agregado familiar poderá levantar na sede da Junta de Freguesia o seu rádio e as respetivas pilhas, mediante apresentação de comprovativo de residência”.
“Nos casos em que os fregueses não tenham meio de se deslocar à sede da Junta”, pede-se que contactem telefonicamente para a entrega do rádio ser no respetivo domicílio.