AO MINUTO II CNN Summit: O Mar das Oportunidades
Como Portugal só não perdeu a capacidade de construir navios "por muito pouco"
"Podem ser ativados anos depois". Marinha alerta para explosivos sonoros nos cabos submarinos - e testa drones para os travar
Ministro diz que data centers só valem a pena se trouxerem riqueza. "Senão são só sorvedouros de energia, água e geradores de pouco emprego"
Ministro afirma que é preciso pensar como investimentos em Data Centers podem ser "geradores de riqueza"
Na CNN Summit dedicada à economia azul, Miguel Pinto Luz avisou que o Estado, as autarquias, as universidades e os laboratórios "têm de pensar como podemos ter externalidades positivas do volume de investimento" que a Microsoft e a Start Campus trazem para o território nacional.
Ministro diz que data centers só valem a pena se forem geradores de riqueza. "Senão são só sorvedouros de energia, água e geradores de pouco emprego"
Já no final da conferência, o ministro Miguel Pinto de Luz disse que o seu Governo não está preocupado com a dimensão dos números associados aos data centers. "Eu gosto de ver o copo meio cheio, sou um otimista militante, e o investimento de 8,5 mil milhões de euros do start campus em Sines e agora os 10 mil milhões de dólares da Microsoft são positivos, mas nós estado central, municípios, universidades e laboratórios associados, economia real, temos de pensar como podemos ter externalidades positivas deste volume de investimento".
"Se nós só tivermos data centers, com este nível de investimento, que grande parte é importações, são sorvedouros de energia, água e geradores de poucos empregos, eu não ficarei contente se daqui a alguns anos este for o investimento a dar aos nossos filhos e netos", sublinha.
"Temos de pensar como nestes investimentos conseguimos juntar o nosso tecido económico para serem geradores de riqueza. Os data centers sim, Aveiro tem potencial, cabe a todos nós como podemos tirar valor acrescentado destes investimentos senão são só grandes números", acrescenta o ministro.
Cabos submarinos para ligar continente, Açores e Madeira devem estar prontos no final de 2026
O ministro sublinha que é precsio aumentar em 50% a tonelagem dos portos. porque queremos competir com Espanha. Até porque, explica, o Brexit "foi uma oportunidade para o Atlântico olhar para Portugal como uma porta de entrada na Europa".
"Os cabos chegam aqui e não a Espanha, temos uma energia verde e mais barata do que em outras geografias, o próprio Governo está a investir em cabos submarinos" para, até final de 2026, ligar Açores, Madeira e o continente.
Já diretamete sobre Sines, o ministro pretende que haja um aumento no transporte para 90 a 100 milhões de toneladas para que consiga operar com data centers a trabalhar lá. "É essa a visão de um porto integrado".
"O tão ambicionado e anunciado com tanta pompa e circunstância tem um problema de abastecimento energético e de água"
O ministro Miguel Pinto Luz aponta como a questão dos data centers, em Sines, "é paradigmático". "O tão ambicionado e anunciado com tanta pompa e circunstância tem um problema de abastecimento energético e de água. O país não pode ficar cortado de novos investimentos porque não fomos capazes de fornecer infraestrutura".
O ministro explicou também como as grandes marcas nacionais do Douro encontram-se em dificuldades para escoar. "Temos um conselho que é o maior exportador e não tinha capacidade de escoar, portanto essa visão tem de ser integrada".
Governo avança com três concessões para os portos no próximo ano
O ministro das Infraestruturas refere que no próximo ano Governo vai avançar com três novas concessões para os portos portugueses. Na CNN Summit, Miguel Pinto Luz garantiu que, em 2026, o Executivo vai concretizar a privatização da SILOTAGUS, um segundo terminal em Setúbal e a concessão da atual Lisnave-
"São as primeiras três num total de 15 concessões, que, no final, é a nossa expectativa que configurem um investimento privado de mais de 3 mil milhões de euros e um investimento público de mil milhões de euros".
Estas concessões vão ser de 75 anos, o que confere "mais previsibilidade a estes investimentos de grande montante".
Pesca: "Autossuficiência alimentar da UE anda nos 40% e Portugal tem níveis piores"
Pedro Jorge Batista da Silva, Presidente da Associação dos Armadores das Pescas Industriais (ADAPI), destaca como tem havido uma "perspetiva pouco realista sobre que pesca é que queremos".
Essa indefinição é ainda maior porque "Bruxelas ainda não conseguiu definir que pesca quer para a UE".
Referindo que, praticamente, tudo aquilo que é pescado está dentro do rendimento máximo definido, Pedro Jorge Batista da Silva alerta que a "autossuficiência alimentar da UE anda nos 40% e que Portugal tem níveis piores". "Poderíamos fazer mais, mas temos regras muito rígidas em termos de sustentabilidade".
Amadeu Soares, Diretor Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), refere que a instituição está a aumentar o seu apoio no programa nacional de monitorização de bivalves que, apenas pela sua ação direta, tem retirado 24 horas a um processo que demora 72 horas.
Além disso, são outras prioridades do Centro de Estudos a descentralização das análises que são feitas em Lisboa, e também a prestação à comunidade local de outros serviços como análise de vírus, "apostando numa maior qualidade do produto que se coloca no mercado".
"Não existem estaleiros suficientes na UE" para a procura que existe para novos navios
Na CNN Summit dedicada ao "mar das oportunidades", especialistas e empresários do setor ligado à economia do mar explicam como as infraestruturas portuguesas não estão preparadas para lidar com a grande procura para a construção de navios
Biocombustível: "O diferencial de preço tem vindo a cair"
Luís Nunes, da PRIO supply, acredita que soluções como o biocombustível são soluções eficazes a curto e médio prazo, salientando que começam a aparecer outras alternativas como a amónia. No entanto, "será a médio longo prazo".
No caso do biocombustível, salienta, "o diferencial de preço tem vindo a cair". "O nosso compromisso é investir na capacidade produtiva em Portugal e expandir a capacidade logística".
"Nós só não perdemos a capacidade de construir navios em Portugal por muito pouco"
Carlos Martins, da West Sea, diz que só não produz mais navios porque não há mais capacidade para os acomodar em Viana do Castelo. "Nós só não perdemos a capacidade de construir navios em Portugal por muito pouco".
"Quando eu cheguei a Viana do Castelo em 2014, tive de ir bater à porta de algumas pessoas reformadas para que trouxessem esta capacidade e o know-how de construção de navios". "Há muito poucas pessoas em Portugal com capacidade de construção de navios".
Mário Ferreira: "Não existem estaleiros suficientes na UE" para a procura que existe para novos navios
Mário Ferreira, Presidente e CEO Mystic Invest, refere que, neste momento "há uma grande procura [para a construção de navios], não só por parte armadores da área comercial, mas essencialmente porque a Europa vai precisar até 2031 de construir entre 800 e 100 navios de guerra para as marinhas".
No entanto, sublinha, "não existem estaleiros suficientes na UE" - um problema transversal também a Portugal. Por exemplo, acrescenta, "a Marinha está a construir em Portugal, mas também na Roménia e na Turquia porque não existe capacidade para construir".
Infelizmente, aponta, a Lisnave "não tem licença para construir" e acabou por perder esse know-how. Ainda assim, reitera, a capacidade de construção nacional é representada principalmente por Viana do Castelo.
Mário Ferreira destaca também que "não existe nenhum porto em Portugal onde consiga conectar" os seus navios. Destaca ainda que os testes executados para a construção de novos navios foram feitos na Alemanha e na Noruega e não no país. "Não existe ainda nenhum porto que diga venha cá fazer o teste".
No Douro, explica, a situação está "ainda pior". Mário Ferreira garante que os seus navios "têm capacidade para se ligar à terra há 20 anos", mas que essa ação continua "sem ser possível".
Bruxelas "arrecadou cerca de 1,5 mil milhões de euros por emissões de Co2 no setor marítimo"
Rui Morgado, Diretor da Mutualista – Bensaude, sublinha que "não é possível pensar num navio totalmente descarbonizado se depois não existe como o abastecer para ele se poder movimentar".
Rui Morgado, lembra que em 2025 foram taxadas 25.6 milhões de toneladas o que deu a Bruxelas muito dinheiro. "A Comissão Europeia arrecadou, neste momento, cerca de 1.5 mil milhões de euros por emissões de Co2 no setor marítimo", destaca o responsável, acrescentando que esses fundos deveriam ser canalizados para a modernização dos navios.
Projeto prevê "retirar 400 camiões" por dia de Lisboa
Tiago Martins, responsável do grupo ETE, sublinha que está em curso um "projeto estruturante" e que vai mudar o paradigma do setor em Lisboa. "O projeto vai permitir tirar cerca de 400 camiões por dia, ou mil toneladas de Co2 de Lisboa através de um terminal em Castanheira do Ribatejo".
Tiago Martins diz também que o grupo adicionou recentemente uma linha para Marrocos "que acrescenta uma alternativa muito interessante em substituição ao transporte rodoviário da peninsula ibérica para Marrocos".
O responsável sublinha, no entanto, que os avisos do PRR têm tido mais recentemente uma "dimensão relativamente reduzida" o que apenas "permite atacar de forma paliativa" a nova taxa imposta aos armadores definida por Bruxelas.
"Quando estes navios funcionarem, podem descarbonizar 70 mil toneladas de carbono"
Jorge Antunes, CEO da Tecnoveritas, destaca que ao nível da engenharia naval, o país encontra-se num momento de aprendizagem sobre qual será o combustível do futuro. "Sabe-se, no entanto, que a frota mundial tem uma média de idade superior a 15 anos". "Estes navios vão andar por aí durante alguns anos".
Especula-se, refere o responsável, sobre amónia e metanol, mas até ao momento não há capacidade produtiva mundial. "Mesmo que alguém queira enveredar por um único combustível, não há forma de o assegurar num futuro próximo".
Jorge Antunes destaca ainda o trabalho "formidável" da DGRM por permitir um aviso de utilização do PRR para a modernização dos navios. "Por regulamentação internacional, não é possível queimar mais de 30% deste combustível, no entanto, a DGRM enviou uma carta de conforto que permitiu estes navios irem para lá desta barreira".
"O Estado atravessou-se relativamente àquilo que são os cânones". "Quando estes navios funcionarem, podem descarbonizar 70 mil toneladas de carbono".
É preciso definir qual será o combustível do futuro dos navios. A indefinição "condiciona a construção de navios"
Duarte Rodrigues, COO e administrador do Grupo Sousa e da GS Lines, refere que o país está a caminhar no sentido certo da descarbonização, ainda que haja alguns problemas. "Temos muita vontade em construir navios novos, mas, desde logo, coloca-se a questão que combustível será aquele do futuro?".
"No caso dos navios, essa questão ainda não está resolvida", afirma, sublinhando que a falta de definição sobre qual será o combustível que se tornará standard na indústria, está a "condicionar claramente as construções do futuro". "Não podemos esquecer que um investimento num navio é um investimento a 30 anos".
"Portugal tem potencial para competir como um hub europeu para a transição energética"
No pitch que fez na CNN Summit, Javier De Argumosa, CEO da PRIO, sublinhou que a empresa de combustíveis está "cada vez mais comprometida com o uso de matérias primas avançadas para apoiar a economia circular", sublinhando que os produtos que comercializam nos postos de abastecimento têm como "objetivo reduzir a pegada carbónica".
Sublinhando que a PRIO é "uma companhia integrada", Javier de Argumosa destaca que a empresa consegue "aproveitar toda a economia de valor desde o supply, passando à produção e logística e chegando à comercialização".
"Portugal tem potencial para competir como um hub europeu para a transição energética", conclui
É preciso definir qual será o combustível do futuro dos navios. A indefinição "condiciona a construção de navios"
Duarte Rodrigues, COO e administrador do Grupo Sousa e da GS Lines, refere que o país está a caminhar no sentido certo da descarbonização, ainda que haja alguns problemas. "Temos muita vontade em construir navios novos, mas, desde logo, coloca-se a questão que combustível será aquele do futuro?".
Jorge Antunes, CEO da Tecnoveritas, destaca que ao nível da engenharia naval, o país encontra-se num momento de aprendizagem sobre qual será o combustível do futuro. "Sabe-se, no entanto, que a frota mundial tem uma média de idade superior a 15 anos". "Estes navios vão andar por aí durante alguns anos".
Já Tiago Martins, responsável do grupo ETE, sublinha que está em curso um "projeto estruturante" e que vai mudar o paradigma do setor em Lisboa. "O projeto vai permitir tirar cerca de 400 camiões por dia, ou mil toneladas de Co2 de Lisboa através de um terminal em Castanheira do Ribatejo".
Também Rui Morgado, Diretor da Mutualista – Bensaude, aponta que "não é possível pensar num navio totalmente descarbonizado se depois não existe como o abastecer para ele se poder movimentar".