AO MINUTO || "É um juiz circunspecto". Ivo Rosa volta a ser elogiado por Sócrates
Termina a 10.ª sessão de julgamento. José Sócrates dispensado das próximas audiências
Termina a 10.ª sessão do julgamento de José Sócrates. Diogo Gaspar Ferreira é o próximo arguido a ser ouvido, a partir das 09:30 de quinta-feira..
“Quero só reforçar que estou à disposição do tribunal”, concluiu Sócrates. Quando questionado se pretendia assistir às sessões dos restantes arguidos respondeu que “gostaria de ter os mesmos direitos que os restantes”, pelo que acabou dispensado por Susana Seca.
"Esse dinheiro não me pertence": Sócrates acusa MP de induzir tribunal em erro
Em resposta à explicação da juíza de que a transferência em causa resultava de duas parcelas, 500 mil euros do grupo Lena e quatro milhões do BES, José Sócrates voltou a atacar o Ministério Público.
“Eu estou cansado, mas percebi bem. Levou o tribunal ao engano. Não, não tenho conhecimento, não faço a mínima ideia de quem fez a transferência. Esse dinheiro não me pertence. Tudo a que estamos a assistir é que estamos a virar isto ao contrário: prove lá que é inocente”..
"Já vi o Sr. procurador durante uma tarde inteira aos pepéis", acrescentou.
Sócrates nega encontro com Hector Torres Casado, antigo ministro venezuelano. "Não sei quem é"
José Sócrates é questionado sobre um eventual encontro com Héctor Torres Casado, vice-ministro venezuelano para a Planificação e Desenvolvimento do Sistema Nacional de Habitação e Habitat. O ex-primeiro-ministro afastou a possibilidade. “Não sei quem é o Torres Casado, não me lembro de nenhuma visita dele à Europa e a Portugal. Não sei com quem esteve ou não esteve reunido, mas enfim”, afirmou.
Já sobre a hipótese de alguém do seu gabinete ter promovido um contacto entre Torres Casado e o grupo Lena, Sócrates considera a hipótese como legítima. “Se alguém do meu gabinete sugeriu um encontro entre Torres Casado com o grupo Lena fez muito bem. (...) Fez, com certeza todo o possível para que as empresas portuguesas vendessem para a Venezuela”.
"Tenho uma ideia disso": Sócrates sobre visita de Manuel Pinho à Venezela
Questionado pelo Ministério Público se se recordava de uma visita de Manuel Pinho à Venezuela, José Sócrates mostrou incerteza. “Tenho uma ideia disso. Não me recordo ao certo porque vários ministros foram à Venezuela. (…) Se ocorreu deve ter sido para tratar de algo. Mas não tenho memória dessa visita”, respondeu.
"Carlos Santos Silva nunca me falou de negócios nem de casas na Venezuela", garante Sócrates
José Sócrates é confrontado pela juíza Susana Seca sobre a proximidade com Carlos Santos Silva, figura central no processo, e se alguma vez tinham falado sobre negócios.
“Entre mim e Carlos Santos Silva há uma relação fraterna de quem se conhece desde os bancos do liceu. Ficámos sempre amigos. Eu sempre conheci o Carlos Santos Silva como empresário, acho que já referi isso, não é? (...) Carlos Santos Silva era um homem de sucesso, tinha muitos negócios, fazia muitas coisas, mas eu nunca tive nenhuma proximidade com isso, não discutimos os seus negócios. Nunca.”, começa por dizer.
“Nunca discuti sobre TGV nenhum. O próprio disse que era completamente estranho ao TGV. Isso foi o que li. Ele nunca me falou disso. Nem de casas da Venezuela nenhumas.”
O ex-governante sublinhou ainda que a relação entre ambos mudou apenas após a sua saída do Governo. “A partir de 2012 falámos de muita coisa, antes disso não. Em razão da minha vida. (…) Altura em que saí do Governo e tinha mais tempo para falar com ele.”
“Ele é vítima disto tudo por minha causa. Ele está nisto por minha causa,”, conclui num tom exaltado.
"É um juiz circunspecto". Ivo Rosa volta a ser elogiado por Sócrates
José Sócrates voltou a atacar o Ministério Público, acusando-o de ser “incapaz e incompetente”, e voltou a elogiar o juiz Ivo Rosa. “O juiz Ivo Rosa é um juiz circunspecto e quando fala em fantasias e incongruências é disto que está a falar”, afirmou.
Sobre a tese que liga três milhões de euros às casas na Venezuela, Sócrates critica-a, considerando-a uma “completa incongruência”. “Isto é um ponto absolutamente transtornador! Como é que se faz assim o caminho do dinheiro?”, questionou ironicamente.
"Como é possível estas mentes no Ministério Público". Sócrates responde a acusações sobre a golden share alegadamente combinada com Ricardo Salgado
Ricardo Salgado, segundo o Ministério Público, encontrou-se pessoalmente com José Sócrates para combinar o uso da Golden Share do Estado na Portugal Telecom. O arguido aproveita a décima sessão para se explicar.
"Eles votaram a favor [da golden share], nós votámos contra. Não passam por cima do governo português (…). E, no entanto, sou acusado por afinal de contas estar comprado para fazer esta fita toda. Que andei a fingir. Conseguem compreender o absurdo de tudo isto. Como é possível estas mentes no Ministério Público", afirma.
"Inventam". Sócrates faz duras críticas ao Ministério Publico sobre o caminho do dinheiro
Sócrates, exaltado, faz duras críticas ao Ministério Público e alega invenções.
"A lógica do MP é esta: há dinheiro atribuído ao Sócrates, então inventamos, pronto inventamos. Não foi aqui Portugal foi no Brasil, não foi na alta velocidade foi na Venezuela, mas de algum sítio foi porque há uma transferência então há um crime. Isto é o caminho do dinheiro", refere.
Sócrates aponta "incongruências" na acusação sobre o caminho do dinheiro
José Sócrates critica duramente a lógica da acusação, centrada no chamado “caminho do dinheiro”. O ex-primeiro-ministro considerou que há contradições evidentes nas alegações do Ministério Público.
“Quero sublinhar as incongruências da acusação sobre o caminho do dinheiro", afirma. “Não há relação entre as transferências bancárias e as casas na Venezuela quando elas ainda não existiam. Surgiram um ano depois. (...) Repito o método do MP: há dinheiro, há crime. Viram dinheiro, é das casas da Venezuela. É uma ncongruência total e um absurdo. O Ministério Público acha que pode passar por cima de tudo”, concluiu.
Julgamento é retomado após hora de almoço
Após alguns minutos de atraso, recomeça o julgamento de José Sócrates.
Sessão suspensa para almoço
"Mas eu ouvi bem? A senhora juíza vai aceitar isto?" Sócrates exalta-se ao ser questionado sobre uma transferência entre Carlos Santos Silva e Sandra Santos
O procurador questiona Sócrates sobre a razão de existir um registo de uma transferência bancária de Carlos Santos Silva para Sandra Santos. Em resposta, o arguido levanta a voz e mostra-se indignado.
"Mas ouvi bem? Está a perguntar-me por que Carlos Santos Silva fez uma transferência para a Sandra Santos? O que tenho eu a ver com isso? A senhora juíza vai aceitar isto? Já ontem me falaram de Sandra e hoje outro procurador volta a falar da mesma pessoa. Querem chegar a um sítio que não é decente."
Susana Seca interrompe as palavras de Sócrates, pedindo calma. “Deve entender que bastaria um ‘não’. Poupava até mesmo desgaste. Não é necessário alterar-se assim.”
A última palavra é do advogado do ex-primeiro-ministro, que considera a pergunta do MP "ilegal" e que "viola a proibição de prova". "Isto não pode continuar. Estamos a atrasar o processo e não traz nenhuma vantagem."
Sócrates rebate alegada contradição sobre TGV: "O maior absurdo"
Ministério Público questiona José Sócrates sobre uma aparente contradição nas suas declarações. O ex-primeiro-ministro tinha referido, esta manhã, diversos “absurdos” nos argumentos da acusação, alegando que os pagamentos questionados não estavam relacionados com qualquer momento relevante no concurso do TGV.
“O absurdo que aponta o processo do TGV foi o facto da acusação dizer que eu queria que o TGV não fosse feito. Afinal sou acusado de colocar uma cláusula que fosse aplicada mesmo com o chumbo do Tribunal de Contas. É o maior absurdo. O MP acusa a mim e ao governo”, afirma Sócrates, referindo-se às alegações de favorecimento do grupo Lena.
“Como faz essa acusação se o governo seguinte pagou os slots e a empresa Lena não recebeu nada (...). A empresa perdeu dinheiro com isto, não ganhou nenhuma indemnização milionária, mas sim um prejuízo milionário”, acrescenta.
Juíza Susana Seca propõe pausa de 15 minutos
MP apresenta ficheiros com alegadas estadias de Sócrates no Sheraton
Ministério Público revela histórico de estadias alegadamente de José Sócrates no Sheraton, entre 2005 e 2014. Embora esteja inicialmente identificado como “José Sousa”, o documento inclui, em determinado momento, a referência a “Mr. Prime Minister”.
“Temos aqueles períodos que a senhora tinha referido ontem, nas questões, como sendo períodos de estadia. Portanto, este documento parece resultar, sem prejuízo de haver provas em alta contextualidade de quem é que aqui está e quem é que é registado, mas existem registos desta unidade brasileira relativamente às estadias de José Sócrates, num dos tais períodos do Brasil”, explica o MP.
Em resposta, Sógrates alega que na mesma data encontrava-se em Bragança ao serviço do Governo. "Não se pode estar em dois sitios ao mesmo tempo", defende.
"O juiz Ivo Rosa fez um trabalho importantíssimo a elencar os erros da acusação": Sócrates
José Sócrates aborda as alegadas contradições relativas a duas transferências entre o grupo Lena e a sociedade XLM, que o Ministério Público acredita terem funcionado como contrapartida. O ex-primeiro-ministro frisou que não poderia apontar todas as supostas inconsistências da acusação, sublinhando que grande parte desse trabalho já havia sido feito pelo juiz Ivo Rosa na fase de instrução.
“Quem perdeu muito tempo com isto foi o juiz Ivo Rosa, que elencou uma a uma na decisão instrutória. Espero que se faça alguma justiça ao trabalho que ele desenvolveu neste processo. Não que eu tenha estado de acordo com a sua decisão e isso está nos recursos que apresentei, porque fez uma alteração substancial dos factos. O juiz Ivo Rosa fez um trabalho importantíssimo a elencar os erros da acusação”, sublinhou Sócrates.
Sócrates explica "o caminho do dinheiro entre 2005 e 2011" e justifica a movimentação de 245 mil euros
Sócrates explica agora o "caminho do dinheiro entre 2005 e 2011", que para o próprio "tem muito que se lhe diga".
"A investigação indicava que houve um pagamento de 245 milhões, perdão, 245 mil euros. E então, dizem os investigadores, se houver pagamento, vamos buscar um facto qualquer, sabe-se lá em que, para atribuir um crime", refere.
"E o crime é o que? É uma contrapartida de uma minuta de contrato de construção aprovada em conselho de ministros”, completa.
"Mas acontece que essa mesma transferência, diz o mesmo Ministério Público mais à frente, que essa transferência foi para pagar as casas na Venezuela. (...) Ou foi para uma coisa ou foi para outra".
Sócrates esclarece pagamentos ligados à Lena e XLM
José Sócrates faz fortes declarações sobre as alegações de corrupção ligadas a transferências financeiras entre empresas. O ex-primeiro-ministro contestou a sugestão do procurador "Rómulo" de que uma transferência da empresa Lena para a XLM teria sido utilizada para fins corruptos.
“Isto, onde há dinheiro, há crime. O procurador quis perguntar-me se sabia que houve uma transferência da Lena para a XLM para pagar corrupção. Isso não me diz respeito”, afirmou Sócrates, acrescentando que qualquer alegação de que o dinheiro lhe tenha sido entregue “tem de ser provada”.
"Essa de chegar aos bolsos, é desculpe se procurador é de provar aquilo que me disse de me ter chegado aos bolsos", acrescenta.
Juíza chama Diogo Gaspar Ferreira a prestar esclarecimentos na quinta-feira
Para quinta-feira, está previsto que outro arguido, Diogo Gaspar Ferreira, compareça para prestar depoimento, no âmbito do caso de Vale do Lobo
Diogo Gaspar Ferreira, antigo diretor executivo do empreendimento de Vale do Lobo, enfrenta acusações de corrupção e branqueamento de capitais.
Sócrates acusa tribunal de "violência física" por causa da intensidade das sessões e faz um pedido
Socrates mostra descontentamento com o rumo das sessões do julgamento da Operação Marquês, acusando o tribunal e o Ministério Público de lhe causarem “violência física” com o tipo de perguntas que lhe têm sido colocadas.
“Quero terminar hoje com as minhas considerações sobre o período em que fui primeiro-ministro até 2011. E a senhora juíza, o que lhe peço, é que me dê uma semana e me diga no dia tal e eu venho”, defendeu.
O arguido anunciou ainda a decisão de interromper a prestação de declarações sobre factos posteriores a 2005. “Deliberei que não faço mais declarações desde 2005 para lá, para eu preparar a minha defesa. Eu não admito que o tribunal seja tão violento comigo”, disse.