DECISÃO 25 AO MINUTO | Mariana Mortágua vs. Rui Rocha
Il quer cortar na despesa com funcionários públicos: “É um bulldozer, não é uma motosserra"
Mortágua diz que no privado há um incentivo para fazer mais e tratamentos mais caros porque “é o Estado que paga a conta no fim”. Lembra que o Tribunal de Contas disse sobre a PPP de Braga que as necessidades de população ficavam “relegadas” para segundo plano.
A bloquista acusa o modelo da Il de ser mais caro e pior para as pessoas. “A IL não diz como paga isto, como não diz como paga nada no seu programa absurdo”, acusa.
“Um partido que apresenta um programa de nacionalizações que tem um encargo 40 mil milhões para o Estado não pode vir dizer nada sobre o programa de outro partido”, contra-ataca Rui Rocha.
Mortágua diz que para pagar “absurdo” de descidas de impostos aos mais ricos propostos pela IL seria preciso cortar mais funcionários do Estado do que aqueles que existem, e que ainda quer cortar mais na racionalização do Estado. “É um bulldozer, não é uma motosserra. Cortam todos, não sobra nenhum!”.
“A IL não consegue explicar as suas contas”, remata a bloquista. “Não sei como é que vai fazer e Rui Rocha também não sabe”.
Rui Rocha defende "liberdade de escolha e concorrência"
Rui Rocha afirma que atualmente, no SNS, “o utente não importa, importa o sistema virado para si próprio”.
Na proposta da IL, explica Rocha, “a cobertura é replicada do SNS atual com todas as garantias de que o nível de tratamento é o mesmo e não há possibilidade de recusar as pessoas e o financiamento é feito pelo Estado”.
"Rejeito o modelo que nos diz que se encontrarmos o SNS aos privados o problema fica resolvido, não fica. A saúde não é um negócio."
Sobre o SNS, Mariana Mortágua diz que não esperava ouvir Rocha dizer na véspera do 25 de Abril que é “preciso tomar a decisão de destruir o SNS e acabar com o modelo de saúde pública” em Portugal. A bloquista diz que defende o modelo universal de acesso à saúde, como condição de igualdade e democracia.
“Mas hoje não temos”, diz Rocha.
“Claro que não", concorda Mortágua. "Mas é isso que nos diferencia, eu quero investir no SNS e o Rui Rocha quer pegar nesse dinheiro e entregá-lo ao privado. E a partir do momento em que está na mão do privado acabou a ideia de igualdade. EUA são o maior exemplo disso”.
“Só conseguimos ter serviço universal se for integrado. O Estado tem de parar de ser drenado pelos privados e conseguir investir numa rede pública. Não quer dizer que eu defenda o SNS como está hoje, quero um SNS moderno."
"Para alguém que tem um problema de saúde, não importa se é público, privado ou social, o que importa é ter uma solução"
Mudando para o tema da saúde, Rui Rocha entende que é primeiro é preciso fazer “diagnóstico” do estado da saúde. "Estamos com uma situação caótica nas urgências, que já vem dos governos de António Costa, portugueses sem médicos de família, listas de espera para consultas e cirurgias", afirma, acusando o BE de ter responsabilidade nesta matéria - por exemplo, atacando as PPP.
A Iniciativa Liberal defende um sistema de "listas universais" onde “os portugueses possam escolher onde querem ser tratados": "Para alguém que tem um problema de saúde, não importa se é público, privado ou social, o que importa é ter uma solução".
"Doutra maneira continuaremos com remendos", afirma Rocha. “A Mariana ri-se, mas creio os portugueses que ficam à porta da urgência não acham muita graça ao caminho que levou o SNS”, afirma Rui Rocha.
Rocha acredita que "os privados também estarão “comprometidos” na reconstituição do SNS.
"Nós precisamos de uma medida que baixe o preço das casas agora, para quem ganha 800 e mil euros"
Mariana Mortágua: "Nós estamos de acordo na necessidade de construir. A diferença é que a Inciativa Liberal defende construção de casas para ricos. A maioria das pessoas já não conseguem pagar as casas que estão construídas. A maior parte dos jovens hoje não conseguem aceder ao mercado de arrendamento, não conseguem comprar uma casa, não conseguem sair de casa dos pais."
"Nós precisamos de uma medida que baixe o preço das casas agora, para quem ganha 800 e mil euros".
“Portugal tem o pior rácio entre rendimentos e preços das casas. Por isso, devemos olhar para o que está a ser feito nos outros países”.
"É preciso construir, reabilitar património e descer rendas já". Ficar à espera de que o problema se resolva a partir daí é “o que une” a IL a governos de PS e PSD - e o resultado é a maior crise habitacional que já vimos.
O que temos de fazer é construir, construir, construir", diz Rocha
"Os tetos às rendas têm sempre telhados de vidro", responde Rui Rocha, que diz que as experiências da Holanda e da Alemanha correram mal. E dá ainda o exemplo da Irlanda, da Catalunha ou da Suécia.
Essa seria uma solução que poderia ajudar quem já tem casa arrendada, mas iria prejudicar quem está à procura de casa. "Este é um ataque direto nomeadamente aos jovens de Portugal", diz o liberal.
"Construir, construir, construir." Rui Rocha diz que a opção é “construir mais, mais depressa e mais alto” - " essa é solução de médio prazo” e, para isso, propõe a descida do IVA da construção, “decisivo” em casas para a classe média.
No arrendamento, diz que existem dezenas de milhares de habitações que estão vazias, propondo que se baixe a tributação aos proprietários e que “vale a pena” pôr casas a arrendar. Defende ainda que devolutos e "abandonados" do Estado têm de ser postos na habitação.
Limites às rendas: "Não tomo por parvos os governos da Alemanha e da Holanda", diz Mortágua
Sobre os tetos às rendas que o Bloco defende: Holanda e Alemanha, governos liberais, defendem estes limites, afirma Mariana Mortágua, que defende ainda a limitação do alojamento local.
"Não tomo por parvos os governos da Alemanha e da Holanda", afirma.
Mortágua diz que 60 metros quadrados em Lisboa custam em média 1300 euros, e no Porto 1050 euros. A maior parte das pessoas ganha um salário entre os 800 e mil euros. “Já não há casas porque as pessoas não as podem pagar”, diz. "Para a maior parte das pessoas, com um salário normal, o mercado do arrendamento já não existe porque renda média está acima do salário médio. Isto é uma conta que qualquer pessoa consegue fazer, até um liberal”"
Vistos gold: quem votou contra e a favor?
Rui Rocha faz uma correção e recorda que a Iniciativa Liberal votou a favor do fim dos vistos gold habitacionais. E diz que o Bloco de Esquerda votou a favor.
Mariana Mortágua reage: "Não, não manipule o debate porque eu há anos que me bato pelo fim dos fins do Gold. Não aceito que o faça, não sobre este tema."
Mortágua: "= que se trata é de uma indústria que está de mão estendida a pedir contatos do Estado"
"Ainda a Il apoiava a venda de vistos Gold na Rússia, para que a oligarquia de Putin pudesse lavar dinheiro em Portugal e já eu denunciava a oligarquia de Putin. Em momento nenhum desvalorizei a invasão da Ucrânia e a necessidade de apoiar a defesa da Ucrânia", responde Mortágua.
Mas insiste que a Europa já é uma potência militar. "E quem diz que temos que investir mais em armas e em bombas está a mentir".
"Na verdade o que se trata é de uma indústria que está de mão estendida a pedir contatos do Estado", diz.
"É muito mais do que armas", responde Rocha
Rui Rocha insiste que se trata de investir em tecnologia, drones, inteligência artificial.
"A questão das armas não esgota o que se pode fazer nesta área. É muito mais do que armas."
O líder do IL recorda que Mortágua desvalorizou a ameaça de Putin - para a Ucrânia e para a Europa.
Mortágua não quer comprar nem produzir mais armas
Mortágua não concorda que se deva aumentar o investimento em armamento de 4 para 8 mil milhões de euros - "É o orçamento da educação", diz a bloquista.
Mariana Mortágua não considera estranho que a perspetiva económica da IL passe por investir em empresas privadas. "A notícia é que essas empresas são alemãs e são francesas, e americanas no limite. Não são empresas portuguesas."
Mortágua critica a "deriva militarista", que tira fundos necessários à saúde, educação, serviços públicos.
"Se falamos em tecnologia, investimentos em tecnologia, não investimos em armas. (...) Não é a produção de armamento que vai salvar Portugal."
Investimento na defesa é importante
Rui Rocha não tem dúvidas de que "Portugal tem que alinhar o seu gasto com exigências maior que a situação geopolítica internacional nos coloca nesta altura". "Estamos a falar da defesa de todos e da defesa das futuras gerações", diz, sublinhando que se podem usar fundos do PRR e da União Europeia "com bom senso".
"Esse investimento faz sentido e trará retorno económico ao país"
Mariana Mortágua, líder do Bloco de Esquerda, debate com Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, na CNN Portugal.