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CASO DAS GÉMEAS AO MINUTO | "Se o senhor Presidente da República me tivesse respondido, às tantas não estávamos aqui"

A jornalista da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) foi convocada pelos deputados por ter divulgado o caso das gémeas numa reportagem televisiva
2025-01-21
2025-01-21
18:06

"Não acreditas no que é que acaba de acontecer: assim que desligou o Zoom, a mãe das gémeas disse 'acabei de mentir'": Sandra Felgueiras faz novas revelações

"Marcelo não quis que o país visse" o caso, disse a jornalista numa audição no Parlamento. E sublinha: "Em nenhum outro caso o senhor Presidente da República mandatou uma assessora para falar com o hospital, nenhum". Sandra Felgueiras revela ainda uma chamada de Marcelo por WhatsApp para um jornalista da TVI e conta ainda o que aconteceu depois de uma entrevista à mãe das gémeas luso-brasileiras. Sandra Felgueiras revela ainda que foi ameaçada de morte e que lhe arrombaram a arrecadação
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2025-01-21
16:24

Terminou a audição à jornalista Sandra Felgueiras, jornalista da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal) que trouxe a público o caso das gémeas lusobrasileiras.

Veja a reportagem aqui.

2025-01-21
16:19

“Obviamente que havia outras crianças que não foram tratadas de forma igual”

Sandra Felgueiras diz que não se pode chamar “lista de espera” à caixa de e-mail da doutora Teresa Moreno, vincando, mais uma vez que “obviamente que havia outras crianças que não foram tratadas de forma igual”, pois “em nenhum outro caso o senhor Presidente da República mandatou uma assessora para falar com o hospital, nenhum”.

2025-01-21
16:00

“Recebi uma ameaça de morte de um número não identificado, que só dizia que eu iria morrer”

Quando questionada sobre a origem das ameaças de que foi alvo, Sandra Felgueiras disse não saber a origem, mas que “a partir do momento em que esta investigação surgiu, poucos dias mais tarde eu recebi uma ameaça de morte de um número não identificado, que só dizia que eu morrer”.

A jornalista relata ainda que “dias mais tarde”, a sua arrecadação, “incluindo a de outros vizinhos, foi complementante vandalizada, sendo que foi usado um pé de cabra (...) havia objetos de valor na casa dos meus vizinhos, nada foi roubado, a única coisa que foi retirada da arrecadação foi o colchão da minha filha, e foi colocado fora”. “Perante isto e perante o timing em que isto acontece, a associação de ideias que nós fazemos é [que] ‘pode acontecer aqui qualquer coisa’”, diz, explicando o porquê da presença de Pedro Duro, advogado.

Novamente sem dizer que não tem provas para associar as ameaças ao caso das gémeas, Sandra Felgueiras revela: “Tenho apenas um telefonema que considero muito desconfortável, muito desagradável, que é quando ligo, nessa vez que o senhor Wilson Bicalho me recebe com três, quatro pedras nas mãos, a determinada altura eu digo-lhe ‘senhor doutor, eu não estou a perceber esta animosidade e ainda por cima ainda anteontem recebi uma ameaça de morte’, e do outro lado ouço uma gargalhada imensa e uma resposta que é ‘ainda bem’. Confesso que fiquei assim, [como se tivesse levado um] murro no estômago. 'Ainda bem porque a minha cliente recebe ameaças de morte todos os dias por sua causa”.

“Desta vez fiquei assustada”, confessa a jornalista.

2025-01-21
15:42

Sandra Felgueiras diz que “os médicos intuíram que lhes estava a ser dada uma ordem para algo que não deveriam fazer”, referindo-se à administração do Zolgensma às gémeas luso-brasileiras.

2025-01-21
15:38

Sandra Felgueiras revela que “Nuno Rebelo de Sousa sempre declinou qualquer tipo de entrevista”.

2025-01-21
15:33

A jornalista Sandra Felgueiras diz que este caso mostra uma “cadeia de intervenções que me parecem claramente ilegítimas”, porque a portaria 147 foi violada, tendo essa cadeia começado na “mulher de Nuno Rebelo de Sousa” até chegar à médica Teresa Moreno.

2025-01-21
15:27

“Ninguém quis marcar uma consulta, quiseram obter um medicamento”

Em resposta ao deputado do PS, Sandra Felgueiras voltou a destacar que “ninguém quis marcar uma consulta, quiseram obter um medicamento , [mas] para se obter um medicamento era preciso ir à consulta. E foi isso o que a médica disse”.

A jornalista destaca que “não havia lista de espera, havia lista no e-mail da doutora Teresa Moreno, sim, havia desigualdades entre pessoas iguais com a mesma doença, não havia pedido para marcar uma consulta, nem sinalização, não vamos estar aqui com pruridos na linguagem, havia uma mãe que escreveu à doutora Teresa Moreno que queria o Zolgensma, que escreveu a dizer, eventualmente enganando o filho do Presidente da República, que só aquele medicamento é que salvava as filhas”.

Sandra Felgueiras assegura que Daniela Martins sabia que a doutora Teresa Moreno “era a única médica em Portugal” a “dar-lhe o medicamento que ela quis, o Zolgensma”, algo, que “o doutor José Vieira não iria fazê-lo, como não fez, apesar dela ter pedido”. “Tomou e foi-se embora. Entretanto levou cadeiras [de rodas] elétricas pagas pela Segurança Social, deixou duas cadeiras [de rodas] elétricas à espera, que estiveram vários meses paradas no Santa Maria, com crianças
lusodescendentes, portuguesas a precisarem delas, que não teriam direito”.

2025-01-21
15:13

Sandra Felgueiras revela que bebés “estão no Brasil desde janeiro de 2023”

A jornalista diz que “sendo verdade o que a mãe vai relatando nas redes [sociais]”, há “um outro medicamento” que Daniela Martins “pretende” para as filhas, adiantando que as “bebés estão no Brasil desde janeiro de 2023”, largos meses antes de a TVI ter tornado pública a reportagem.

2025-01-21
15:06

“Faço jornalismo de investigação há 18 anos. Não tiro conclusões à partida, tiro à chegada, nunca serei um pombo correio a quem entregam um documento e põe no ar”, atira Sandra Felgueiras, dizendo “não entender a resistência” da Presidência em falar sobre o caso.

2025-01-21
15:05

"Se o senhor Presidente da República me tivesse respondido, às tantas não estávamos aqui"

Quando questionada sobre o que mais a impactou neste caso que noticiou, a jornalista Sandra Felgueiras diz que, “factualmente”, o que mais a “impactou foram os silêncios, a tentativa de omissão, porque só esconde quem tem um problema para esconder”.

“Se o senhor Presidente da República me tivesse respondido no dia 23 de outubro de 2023, às tantas não estávamos aqui”, diz mesmo Sandra Felgueiras. A jornalista afirma também que Marcelo Rebelo de Sousa “não só não agiu” neste caso como o fez noutros, como “não quis que eu visse isto, não quis que o país visse isto, não quer que se fale neste assunto”. “A pergunta que eu faço é: porquê?”.

2025-01-21
14:53

Marcelo “negou” dar dossier da Casa da Presidência sobre o caso das gémeas

Sandra Felgueiras diz que o Presidente da República “negou” a dar aos jornalistas da TVI o dossier da Casa da Presidência sobre o caso das gémeas, dizendo que estava “sob segredo de justiça” pois já estava a ser investigado pelo Ministério Público.

2025-01-21
14:49

No dia 2 de novembro de 2023, às 15:25, Sandra Felgueiras e Marcelo Rebelo de Sousa combinam uma entrevista, mas “às 19 horas o Nuno Guedes chega à redação e diz que o senhor Presidente diz que não se lembra de nenhum contacto do filho, da nora, nem de ninguém’”. No entanto, Sandra Felgueiras diz que “o dr. Levy Gomes foi uma peça fundamental nesta investigação, se não fosse ele a ter verbalizado, demonstrado o e-mail que trocou com Marcelo Rebelo de Sousa na altura, eventualmente também não estaríamos aqui”.

2025-01-21
14:46

Marcelo Rebelo de Sousa disse a jornalista da TVI que “sabia tudo sobre o que estávamos a investigar”

Sandra Felgueiras enviou uma mensagem por WhatsApp a Marcelo Rebelo de Sousa a 23 de outubro de 2023, uma semana antes de publicar a reportagem na TVI, mas sem revelar qual o tema, nunca mencionado as gémeas, o hospital ou o medicamento. Na mesma data, o jornalista Nuno Guedes, também da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), contacta Ana Paula Martins, à data presidente do Conselho de Administração do Santa Maria, no qual questiona se houve ou não algum contacto do Presidente da República sobre o caso concreto das gémeas, entre outras questões. No mesmo dia, “às 20:57”, Marcelo Rebelo de Sousa telefona a Sandra Felgueiras duas vezes. Como a jornalista não atendeu, o Presidente da República telefonou por WhatsApp ao jornalista Nuno Guedes, “disse que sabia tudo sobre o que estávamos a investigar, disse que procedeu da forma habitual, que sabia o que era o caso das gémeas, que mandou para o Governo como faz [com] todos os outros casos”.

2025-01-21
14:39

“Quem coloca o tema da nacionalidade não é a TVI/CNN, foi o Observador. Mas esse não é o nosso tema”, diz, referindo que o objetivo “era saber se houve ou não interferência política”, num caso que diz que vai além dos quatro milhões de euros que o medicamento teria custado na altura. “Se não fosse graças à TVI/CNN, o bebé Miguel ainda hoje não tinha cadeira de rodas”, vinca a jornalista.

2025-01-21
14:35

Daniela Martins ameaçou jornalistas da TVI “com um sem-fim de processos”

Sandra Felgueiras revela que a mãe das bebés ameaçou os jornalistas da TVI (do mesmo grupo da CNN Portuga) “com um sem-fim de processos”, acusando-os de mentir. A jornalista acusa ainda o advogado de Daniela Martins, Wilson Bicalho, de uma “hostilidade tremenda”.

2025-01-21
14:33

Daniela Martins disse que “só vinha para Portugal quando tivesse a garantia absoluta de Nuno Rebelo de Sousa” que as bebés recebiam o Zolgensma

Sandra Felgueiras explica que quando contactaram a mãe das gémeas, "a mãe está no Brasil”. “A minha colega Anabela Vaz Jacinto [jornalista da TVI, do mesmo grupo da CNN Portugal] é que a contacta e lhe pede uma entrevista, que ela acede”, entrevista que aconteceu através de uma plataforma de vídeochamada e com a presença, junto de Daniela Martins, do jornalista Nelson Garrone, correspondente da CNN Portugal no Brasil. 

“E aconteceu aqui o inusitado”, diz, contando que Daniela Martins desligou a chamada, depois de ter dito que o acesso das crianças ao SNS foi “normal”. "E passado uns cinco minutos eu recebo uma das chamadas mais inacreditáveis da minha vida, que é uma chamada do Nelson Garrone a dizer: ‘Tu não acreditas no que é que acaba de acontecer. Assim que ela desligou o Zoom, eu estava aqui e continuei a gravar e ela disse ‘acabei de mentir, já não aguento mais, acabei de mentir, isto não foi nada assim, nós conhecemos a mulher do filho do presidente [da República Portuguesa], entretanto Nuno Rebelo de Sousa já foi lá a casa, conhece as miúdas, disse que nos ia ajudar, ajudou-nos com tudo (...), que estivéssemos descansados, que iríamos conseguir e assim foi’”.

Segundo Sandra Felgueiras, Daniela Martins confidenciou, já depois da entrevista ter terminado, mas ainda na presença do correspondente da CNN Portugal no Brasil, que “só vinha para Portugal quando tivesse a garantia absoluta de Nuno Rebelo de Sousa” que as bebés recebiam o Zolgensma.

2025-01-21
14:23

“Este tratamento, repito, não salvou a vida de ninguém. [As bebés] Estavam salvas desde o Brasil, vieram cá trocar o medicamento”

“O que Daniela Martins acabou por fazer foi confirmar tudo o que tínhamos tentado confirmar quatro meses antes”, diz Sandra Felgueiras, explicando que “o trabalho [jornalístico] começa porque uma das pessoas com quem eu falo me diz [que] há um caso de umas gémeas lusobrasileiras - vou contar o que me era dito à época - que se naturalizaram para vir para Portugal fazer o tratamento, tanto que só vieram cá para tomar o Zolgensma e já foram para o Brasil”.

A jornalista diz que estas bebés “não vieram salvar-se a Portugal e este é o primeiro grande equívoco que eu gostava que ficasse definitivamente desfeito aqui”. “Estas crianças se não tivessem tomado o Spinraza no Brasil, estariam mortas.As crianças trocaram de medicamento”, vinca.

2025-01-21
14:18

“Este trabalho nunca foi sobre nenhuma mãe e nenhumas gémeas”

Sandra Felgueiras assegura que “este trabalho nunca foi sobre nenhuma mãe e nenhumas gémeas. Este trabalho foi sempre apenas sobre a existência ou não de interferência política no acesso ao Serviço Nacional de Saúde, fosse por quem fosse”.

2025-01-21
14:17

“Foi um trabalho árduo da nossa parte”

Sandra Felgueiras revela que “foi um trabalho árduo da nossa parte”, tendo levado quatro meses de investigação.