AO MINUTO | Sindicato avisou da greve com 20 dias de antecedência. Há técnicos a trabalhar de borla no INEM e só em setembro foram feitas quase 30 mil horas extras
GUIA DE LEITURA
- Presidente do INEM descarta demissão: “Sim, sinto que tenho condições para continuar. Sinto que tenho um equipa que está do lado do conselho diretivo”
- Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar diz que enviou pré-aviso de greve com o dobro do tempo de antecedência, 20 dias e não 10, e que não recebeu qualquer resposta do Ministério da Saúde, tendo o primeiro contacto acontecido já durante a greve
- Trabalhadores do INEM apontam o dedo a “dez anos de desinvestimento” e à dependência de horas extras: só em setembro, técnicos fizeram 28 mil horas extraordinárias, nem todas elas pagas
- Já há data para a nova reunião entre o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar e o Ministério da Saúde
- Formação de técnicos do INEM será dada em colaboração com as escolas médicas
- Relacionar as mortes com os atrasos na resposta do INEM "é excessivo", diz presidente do sindicatos dos técnicos de emergência pré-hospitalar
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Trabalhadores defendem fim das transferências de utentes entre hospitais pelo INEM
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Comissão de Trabalhadores (CT) do INEM diz que ainda não foi informada sobre os moldes em que irá acontecer a prometida refundação do instituto
- Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (ANTEPH) volta a pedir criação de carreira única para todos os técnicos de emergência, o que incluiria os que trabalham no INEM, nas corporações de bombeiros ou na Cruz Vermelha. Seriam 30 mil no total
- ANTEPH alerta que é preciso reduzir tempo de resposta de socorro no terreno. “Estamos longe da realidade” de outros países
- “CODU são incapazes de distinguir entre uma situação urgente, emergente e nem sequer urgente”, alerta o presidente da Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica, que diz ainda que os sistemas dos CODU estão “há demasiado tempo desatualizados” e que “são perigosamente desadequados”
- INEM reforçado com 100 ambulâncias dos bombeiros para enfrentar pico da gripe. Profissionais vão ser pagos pelo salário mínimo
- PGR assume que está a averiguar responsabilidade do Governo nas mortes por alegadas falhas no INEM
- Ministério Público abre mais um inquérito a mortes alegadamente relacionadas com falhas do INEM
- Montenegro promete para "muito brevemente" plano que resolve os problemas no INEM
- Psicólogos de emergência vão assegurar a triagem de doentes urgentes
- Ministra da Saúde confirma que presidente interino do INEM é candidato à presidência do instituto
Obrigado por ter acompanhado este liveblog. No guia de leitura poderá encontrar os principais acontecimentos das audições desta quinta-feira, dia que ficou ainda marcado pela segunda reunião dos técnicos de emergência pré-hospitalar com a ministra da Saúde.
Terminou a quinta e última audição do dia desta comissão de saúde de debate à situação atual do INEM. O sindicato dos trabalhadores garante que enviou o pré-aviso de greve com 20 dias de antecedência e que não teve qualquer resposta do Ministério da Saúde, já o presidente do INEM garante que que promoveu várias reuniões para mitigar a greve dos técnicos e que enviou os detalhes dos serviços mínimos com três horas de antecedência, não os três minutos até agora noticiados. Da parte dos trabalhadores, foi apontado o dedo às anteriores gestões do INEM, acusando dez anos de desinvestimento e uma dependência das horas extraordinárias, sendo que apenas em setembro deste ano foram feitas mais de 28 mil horas extras, muitas delas não serão remuneradas.
Dias Janeiro volta a rejeitar a demissão: “Sinto que há um caminho a seguir. Neste momento, sinto-me em condições de continuar, continuarei a trabalhar com muito afinco e será até ao último dia”
Ainda sobre os serviços mínimos, Sérgio Dias Janeiro volta a dizer que o tema é complexo, explicando que os trabalhadores do INEM estão, por lei, obrigados a 150 horas extraordinárias por ano, valor que atingem logo em fevereiro, e que aumentar a percentagem de trabalhadores para os serviços mínimos poderia colocar em causa o direito à greve. “Podemos estar a falar em vetar o direito à greve de uma classe de trabalhadores”, vinca.
“Tem de ficar bem claro que o INEM precisa de muito investimento”
Presidente do INEM não é favorável à privatização
Na sua intervenção final, e “relativamente ao plano em construção”, Sérgio Dias Janeiro diz estar “a aproveitar muito bem a atenção que o governo tem dado ao INEM”. O presidente do INEM diz, na sua opinião, que “não é para privatizar o INEM, o socorro pré-hospitalar, o CODU”.
Presidente do INEM garante que promoveu várias reuniões para mitigar a greve dos técnicos
Presidente do INEM pede “mais autonomia”
Sérgio Dias Janeiro defende que “o INEM precisa de mais autonomia, precisa de poder utilizar os seus recursos que não recebe do orçamento do estado”, recursos esses que recebe, sobretudo, “de receitas dos seguros”. Dias Janeiro diz ainda que pretende que “esse saldo transite para o saldo do ano seguinte”.
“Dívidas com os bombeiros nunca estiveram tão em dia”
Sérgio Dias Janiero diz que as “dívidas com os bombeiros nunca estiveram tão em dia”, revelando que os pagamentos estão a ser feitos num mês. O presidente do INEM revela ainda negociações com a Liga dos Bombeiros Portugueses para que seja possível aos bombeiros renovarem a sua frota ainda este ano.
“Quando o normal já é deficitário, qualquer constrangimento pode causar impacto”, admite presidente do INEM
“Estamos a autorizar trocas de motor a viaturas com 600 mil quilómetros porque a alternativa era não termos viaturas para o socorro”
Depois de questionados sobre quem é o culpado do atual estado do INEM, Sérgio Dias Janiero diz que “atribuir uma responsabilidade única é de extrema dificuldade, estamos numa tempestade perfeita”. “Tenho muita dificuldade em atribuir culpas individuais”, diz o presidente do INEM.
Presidente do INEM diz que é preciso analisar “o que é o direito à greve e o direito ao acesso aos cuidados de saúde da nossa população”
“Estão em número deficitário há anos. Mesmo assim o trabalho vai sendo feito”. Sérgio Dias Janeiro fala de uma queda de 13% do número de técnicos no último ano, voltando a destacar a escassez de recursos humanos, depois de já ter admitido que até a entrada de 400 novos técnicos é insuficiente para fazer frente às reais necessidades do INEM.
“Uma escala que está a 100% tem 80 pessoas nos CODU, em que o rácio ideal são 122. Nunca se cumprem os serviços mínimos no dia-a-dia”
Dias Janeiro diz que “o conselho diretivo e o INEM, no global, mobilizou-se para tentar mitigar a greve”, revelando que o objetivo era “não deixar a situação escalar”. “Então, mobilizamos todos os meios, isto ainda no turno da manhã”, diz, adiantando que foram contactados “os parceiros” da Cruz Vermelha e bombeiros.
“Sim, sinto que tenho condições para continuar. Sinto que tenho um equipa que está do lado do conselho diretivo”
“Não sinto como uma desautorização”. O presidente do INEM desvaloriza que ministra tenha puxado instituto para a sua alçada, dizendo que entende a decisão de Ana Paula Martins mostrou um "compromisso do seu ministério em priorizar os trabalhos no INEM".
“Houve trabalho feito ao longo destes quatro meses, bem antes da greve”, garante Dias Janeiro, dizendo que neste período houve conversas com o sindicato dos técnicos de emergência pré-hospitalar.