Caso das gémeas: Nuno Rebelo de Sousa pediu reunião. Lacerda Sales acedeu ao pedido
Ex-chefe de gabinete de Lacerda Sales reconhece que caso é excecional
Sobre o caso e a possibilidade de outros semelhantes, Tiago Gonçalves admite que há um caráter de excecionalidade - a expressão foi de Joana Cordeiro.
Não era normal, garante, que marcações de consulta fossem feita através da secretaria de Estado.
Tiago Gonçalves só dava ordens que vinham de Lacerda Sales
Joana Cordeiro questiona agora sobre os emails, nomeadamente o agradecimento da mãe pela ajuda de António Lacerda Sales.
Tiago Gonçalves diz que nem conhece o teor da mensagem, garantindo que não passou por si o referido email.
A deputada da Iniciativa Liberal lembra que o chefe de gabinete é hierarquicamente superior ao secretariado, enquanto Tiago Gonçalves defende que a hierarquia tem de responder toda ao secretário de Estado.
Tiago Gonçalves confirma que pedia a execução de tarefas, mas sempre de acordo com uma orientação que vinha de cima, em concreto do governante.
Nuno Rebelo de Sousa marcou reunião com telefonema para Tiago Gonçalves
Joana Cordeiro, da Iniciativa Liberal, volta a questionar sobre as responsabilidades de um chefe de gabinete, não percebendo como é que essa função é ultrapassada nas várias trocas de emails.
Tiago Gonçalves confirma que não esteve, de facto, envolvido nessa troca de informação.
Situação diferente foi o pedido e o agendamento com Nuno Rebelo de Sousa, pedido por contacto telefónico diretamente, e que foi tratado por Tiago Gonçalves.
Ventura não acredita em Tiago Gonçalves
Continua André Ventura, pelo meio com alguma polémica com os deputados do PS. O deputado do Chega questiona Tiago Gonçalves sobre se não teve qualquer iniciativa para ver o que aconteceu quando soube do caso.
“Eu não acredito nisso”, afirma André Ventura, dizendo que Tiago Gonçalves terá de ter procurado saber alguma coisa através de alguém.
“Não tenho nada a acrescentar ao que já disse”, diz o ex-chefe de gabinete.
Ventura estranha que Tiago Gonçalves não saiba de nada
André Ventura prossegue com várias questões sobre o alegado envolvimento de Tiago Gonçalves em situações semelhantes.
O ex-chefe de gabinete admite esse cenário, dizendo que “pode perfeitamente acontecer”, até porque existe uma grande dinâmica no Ministério da Saúde.
Só que o presidente do Chega estranha que o chefe de gabinete do secretário de Estado não se lembre do que aconteceu, sendo que envolve o filho do Presidente da República e uma comunicação ao maior hospital do país.
Ventura passa áudio de Carla Silva, Tiago Gonçalves mantém versão
É agora o presidente do Chega a fazer questões. André Ventura pede que seja passado um áudio na comissão para que todos ouçam.
Antes disso, questiona qual foi a primeira vez em que teve conhecimento do caso das gémeas.
Tiago Gonçalves volta a dizer que foi em novembro de 2023, quando a TVI e a CNN Portugal passaram uma reportagem sobre o caso.
É agora o momento de passar o tal áudio, referente à audição de Carla Silva, que assegurava então que Lacerda Sales estava a par de tudo, numa declaração que também implica o então chefe de gabinete, Tiago Gonçalves.
Tiago Gonçalves lembra que a secretária disse “ou”, colocando-se de fora do caso.
André Ventura conclui então que Tiago Gonçalves ficou de fora deste procedimento, questionando o porquê de isso ter acontecido.
O ex-chefe de gabinete de Lacerda Sales diz apenas que não fazia sentido que a secretária de Lacerda Sales fizesse chegar a Tiago Gonçalves algo que tinha sido pedido pelo secretário de Estado.
Ministério da Saúde teve de dar autorização ao Infarmed
O ex-chefe de gabinete não conhece a data do pedido do Infarmed, garantindo também que não sabe quem era o titular desses pedidos.
Caso tenha chegado mesmo ao gabinete, não terá sido naquele onde Tiago Gonçalves exercia funções.
Ainda assim, o próprio confirma que teria de haver autorização da tutela ao Instituto do Medicamento.
Tiago Gonçalves não garante que não tenha havido nova reunião com Nuno Rebelo de Sousa
Tiago Gonçalves não consegue garantir que não tenha existido outra reunião entre Nuno Rebelo de Sousa e António Lacerda Sales.
O ex-chefe de gabinete reitera que não teve conhecimento do envio do email da secretária de Lacerda Sales para o Hospital de Santa Maria, onde se refere o caso das gémeas.
Ex-chefe de gabinete de Lacerda Sales não foi contactado pelo gabinete de Costa ou pela Presidência
Toma a palavra a deputada Ana Abrunhosa, do PS, também ela antiga governante, na qualidade de ministra da Coesão Territorial nos dois últimos governos de António Costa, onde também estava Lacerda Sales.
A deputada socialista questiona sobre um eventual conhecimento da comunicação do gabinete do primeiro-ministro ou se houve algum contacto, de qualquer forma, por essa via ou pela Presidência da República.
Tiago Gonçalves garante que não foi contactado, sobre este caso, em qualquer é um desses cenários.
Deputado do PSD diz que Tiago Gonçalves mentiu
Chega a vez de António Rodrigues, do PSD, que lembra os vários elogios a Tiago Gonçalves, o que indiciava uma grande confiança de Lacerda Sales no seu chefe de gabinete.
O deputado social-democrata diz que é mentira a altura em que Tiago Gonçalves tomou conhecimento do caso das gémeas, já que o seu nome constava num email enviado pelo Hospital de Santa Maria, e que falava no custo do tratamento de duas crianças, então as bebés Matilde e Natália.
Tiago Gonçalves pede que António Rodrigues pede que lhe faça chegar o ofício, que é entregue de imediato. É de 21 de novembro de 2019, e onde é referido o custo com duas bebés anteriores pelo tratamento com o medicamento Zolgensma.
O ex-chefe de gabinete de Lacerda Sales lê o documento, dizendo que não há qualquer referência ao caso das gémeas.
A pergunta, esclarece António Rodrigues, é sobre o conhecimento ou não das dificuldades com os gastos nos medicamentos.
Tiago Gonçalves aponta questões financeiras, que teriam sempre de ser tratadas no gabinete da secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Jamila Madeira.
“Posso ter lido este ofício, mas tê-lo desconsiderado”, sublinha.
Lacerda Sales perguntou ao ex-chefe de gabinete se se lembrava do caso
Questionado se falou com alguém ou com o próprio Lacerda Sales, Tiago Gonçalves diz que não houve contacto com o gabinete, mas que houve com o ex-secretário de Estado da Saúde.
“Ele contactou-me, solicitou informação sobre se teria recebido alguma informação no gabinete vinda da Presidência. Disse que não tinha essa memória”, recorda.
Perguntou-lhe ainda se tinha memória da marcação de uma consulta, o que Tiago Gonçalves também respondeu negativamente.
Por exclusão de partes, foi Lacerda Sales a ordenar a marcação da consulta
Tiago Gonçalves garante que não deu quaisquer orientações a membros do secretariado para marcar uma consulta médica.
João Almeida faz uma exclusão de partes e Tiago Gonçalves conclui o mesmo: terá sido Lacerda Sales a ordenar a marcação da consulta.
Ainda sobre Carla Silva, então secretária pessoal de Lacerda Sales, Tiago Gonçalves reconhece a total capacidade e competência.
Tiago Gonçalves reitera que caso das gémeas não foi abordado na reunião
É agora a vez de João Almeida, do CDS, que começa por lembrar que também ele foi chefe de gabinete e secretário de Estado.
O deputado questiona se houve algum paralelo estabelecido entre a reunião de 7 de novembro e a relação com Nuno Rebelo de Sousa.
Tiago Gonçalves garante que se tentou lembrar do que foi falado, mas diz também que não consegue entender que aquele fosse o momento para tratar de um assunto desta natureza.
"Não tenho memória nenhuma desse assunto ter sido ali abordado", vinca.
Tiago Gonçalves não contactou mais com Nuno Rebelo de Sousa
Tiago Gonçalvez diz que não houve qualquer outro momento em que tenha estado com Nuno Rebelo de Sousa.
Não houve também, garante, qualquer contacto entre os dois depois de 7 de novembro.
"Eu sou só uma pessoa". Tiago Gonçalves diz que cumpria as ordens de Lacerda Sales
Tiago Gonçalves diz que não tem memória de casos de pedidos para marcação de consulta ou facilitação no acesso a medicamentos.
O ex-chefe de gabinete garante que sempre cumpriu as ordens que recebeu, admitindo que as mesmas eram dadas de acordo com as normas.
Ainda assim, reafirma, não se lembra de qualquer caso do género.
"Eu sou só uma pessoa num gabinete de 10 pessoas, incluindo o secretário de Estado", sublinha.
Tiago Gonçalves soube do caso pela TVI
Tiago Gonçalves soube do caso das gémeas pela comunicação social, numa notícia dada pela TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal).
Nessa altura tentou recolher informações sobre a situação, mas não encontrou qualquer registo sobre a chegada de um pedido especial nem se recorda de qualquer contacto com a família das crianças.
Pedidos da Presidência iam diretamente para o primeiro-ministro e depois pelo ministério
Paulo Muacho tenta aprofundar, questionando sobre pedidos encaminhados pela Presidência da República.
Tiago Gonçalves lembra que alguns desses pedidos “têm um tratamento com um determinado ofício” que acaba por os fazer chegar diretamente ao primeiro-ministro, que depois os envia aos diferentes ministérios.
“Era a perceção que eu tinha até recentemente”, diz, notando que o relatório da IGAS concluiu que havia uma outra forma, que passava diretamente pelo Ministério da Saúde, mas o qual Tiago Gonçalves não conhecia.
Tiago Gonçalves diz que não havia "comando direto" para tratar de pedidos
Segue-se o Livre, com o deputado Paulo Muacho, que começa por tentar perceber se o gabinete do secretário de Estado da Saúde recebia pedidos diretos de cidadãos, seja para reunião, seja para ajuda.
Tiago Gonçalves diz que existem “múltiplas formas” de comunicar com os gabinetes ministeriais, sendo a primeira delas o email que está acessível ao público.
O ex-chefe de gabinete admite que a quantidade de comunicações ultrapassava largamente os milhares, até porque se vivia em plena pandemia de covid-19.
Sobre pedidos e exposições concretos e diretos, o que o gabinete fazia era encaminhar para análise feita pelos serviços competentes.
“Não havia um comando direto relativamente à atuação posterior”, diz, garantindo que havia autonomia em toda a cadeia.
Tiago Gonçalves foi para o Ministério da Saúde sem qualquer experiência na área
Segue-se o PCP, com Alfredo Maia a perguntar quanto tempo de experiência tem o inquirido em gabinetes governamentais, nomeadamente na área da saúde.
Tiago Gonçalves volta a repetir o que disse no início, entre outubro de 2019 e março de 2021.
O ex-chefe de gabinete de Lacerda Sales admite que não tinha qualquer formação em saúde até entrar para aquele serviço.
Alfredo Maia conclui que essa experiência se resume ao cargo que desempenhou no governo.
Só Lacerda Sales tinha poder para marcar a consulta
O ex-chefe de gabinete de António Lacerda Sales reitera que apenas o “membro do Governo”, no caso o secretário de Estado da Saúde, tinha poder para marcar uma consulta como a que aconteceu com as gémeas.