Rui Rocha vs Mariana Mortágua - AO MINUTO
Mortágua quer limitar o mercado, Rocha quer limitar o Estado. Neste debate foi assim para tudo: habitação, empresas estratégicas, impostos e saúde
Terminou o debate entre Rui Rocha e Mariana Mortágua
Terminou o debate entre Rui Rocha e Mariana Mortágua. Habitação, impostos, empresas estratégicas e saúde marcaram o frente-a-frente.
Em breve, teremos aqui na CNN Portugal um artigo com os principais destaques.
Mortágua reage na saúde
Mortágua diz que a presidente do "maior grupo privado de saúde" foi à apresentação do programa eleitoral da IL para "anunciar ao mundo que a saúde é o grande negócio do século XXI".
"A IL tem uma regra 2 por 1: por cada dois profissionais de saúde que se reforma, entra um. E quer entregar o dinheiro ao privado, para ficarmos com um sistema mais caro, como é o alemão", atira.
Rocha acusa Mortágua de ter apoiado a estratégia do PS para a saúde nos últimos anos, sem dar frutos.
Mariana Mortágua diz que IL quer um país a "passar cheques a privados".
"O BE anestesia na saúde e bloqueia a economia, traz prejuízo aos portugueses"
Rui Rocha argumenta porque o modelo de SNS da Holanda é melhor do que o nacional.
E lembra que houve "enviesamento ideológico" houve uma reversão das PPP, com pressão do Bloco de Esquerda.
"O BE anestesia na saúde e bloqueia a economia, traz prejuízo aos portugueses"
IRS em destaque
"Fiquei surpreendida por saber que a IL quer desviar uma parte dos impostos para mais impostos indiretos", ataca, após um "momento de propaganda e comício" do adversário.
No IRS, Mortágua diz que a proposta do IL, que custa 3.500 milhões de euros, é "inconstitucional", ao eliminar a progressividade. Rocha diz que é "falso", porque há "isenções que garantem a progressividade".
Rocha diz que o BE votou contra uma proposta que baixava o IRS para os cinco escalões mais baixos.
Como vai a IL pagar a descida de impostos?
Rui Rocha insiste que quer que "Portugal cresça".
"Crescemos baixar o IRC para que empresas grandes se fixem em Portugal, tragam tecnologia, produtividade e salários mais baixos para os portugueses", diz.
E onde vai buscar a receita para baixar impostos? Rui Rocha diz que o programa fiscal custará no máximo "cinco mil milhões de euros"
"Há 1.500 milhões de euros que automaticamente regressam", justifica, porque "passa a estar no bolso dos portugueses e não no bolso do Estado".
E diz que o Estado deverá fazer um ajuste na sua própria despesa.
Mortágua faz contas para controlo público
Mariana Mortágua explica os valores da proposta de "controlo público" de empresas estratégicas:
- 60 milhões para posição de controlo dos CTT
- 50 milhões para gestão global de sistema REN + 450 milhões para posição de controlo
"O plano que o BE apresenta tem duas medidas para estes quatro anos", diz.
"São menos de metade do que a borla de 2,2 mil milhões de euros que o Dr. Rui Rocha quer dar à banca, cortando metade dos impostos".
IL diz que nacionalizar empresas ia custar 30 mil milhões
Sobre as grandes empresas como a CGD, a REN ou a Galp, Rui Rocha diz que o BE propõe a "nacionalização". "Controlo público", remata Mortágua.
"Custaria 30 mil milhões de euros fazer a nacionalização destas empresas", aponta Rui Rocha. "Ou não quer pagar o justo valor ou quer usar o dinheiro dos contribuintes".
Mortágua lembra que IL chumbou proposta para injeção no Novo Banco apresentada pelo Novo Banco. "Havia um compromisso anterior do Estado português", reage Rui Rocha.
"Não sei se defende que é uma grande ideia a eletricidade portuguesa pertencer ao Partido Comunista Chinês", atira Mortágua.
IL quer privatizar CGD para "Estado não dar ordens" e "descomprometer o mercado"
A IL quer privatizar a CGD, para evitar ter o "Estado a dar ordens a bancos para descomprometer o mercado daquilo que são as suas regras".
Rui Rocha insiste que esse não é o papel do mercado, que devia focar-se antes na saúde, a educação ou a justiça.
CGD com juros mais baixos poderia ter "um efeito de arrastamento de mercado"
Mortágua é questionada sobre a proposta do BE para usar a CGD para aplicar juros baixos e ajudar a suportar os créditos à habitação.
A bloquista lembra os lucros do banco público, "à custa das margens bancárias e dos juros nos créditos à habitação".
E diz que a medida do BE poderia ter "um efeito de arrastamento de mercado".
E atira ao IL, para dizer que o partido quer cortar os impostos ao setor da banca e da energia "para metade".
Regras europeias impedem medida do BE
Rocha lembra que as leis comunitárias não permitem a medida em Portugal. E lembram que há exceções em Malta e Dinamarca. "Em Portugal é ilegal".
"A mesma exceção que se aplica a Malta e Dinamarca pode aplicar-se a Portugal", reage Mortágua.
Mortágua insiste "que não foram os impostos" que levaram aos aumentos nos preços das casas.
"Uma enorme hipocrisia"
Mortágua considera que a posição da IL é "uma enorme hipocrisia".
E explica que aquilo que está em causa não é a nacionalidade de quem compra a casa, mas antes o fim com que o fazem. Se viverem e trabalharem em Portugal, diz que não há problema.
"Portugal esteve a perder 1.500 milhões de euros por ano para dar benefícios fiscais a residentes não habituais comprarem casas a preços milionários e fazerem subir o preço da habitação".
IL insiste na agilização dos licenciamentos
Rui Rocha insiste nas contas da medida do Bloco, para perceber como 80 mil casas a 60 mil euros se fazem.
"Não percebo como fecham estes números", refere.
Rocha insiste que é necessário reduzir o licenciamento para tornar os investimentos mais rentáveis.
"Precisamos de mais casas. Não é combatendo os estrangeiros e o alojamento local que vamos resolver o problema".
Mortágua: casas foram para outros fins e construtoras arranjaram "formas mais rentáveis"
Mortágua diz que "há dois problemas para enfrentar".
"As casas que existem estão a ser desviadas para outros fins que não a habitação", refere, falando numa expansão do alojamento local e do mercado de luxo.
A bloquista diz ainda que "não há nenhuma regra que impeça as construtoras de construir". Lembra apenas que encontraram "formas mais rentáveis" de desenvolver a sua atividade, virando-se para "o luxo e a construção de hotéis".
"Nada impede as construtoras de construir casas a preços acessíveis. É o mercado que as impede, porque as leva para mercados muito mais rentáveis".
IL diz que propostas do BE são "inviáveis"
"Queremos que as casas vazias do Estado estejam ao serviço dos portugueses"
Sobre a proposta do Bloco de Esquerda, com uma quota de 25% da construção nova para habitação acessível, considera que as propostas do partido de Mortágua são "inviáveis".
"Não acredito que o BE queira por 4,5 pessoas em T0, em contentores, que é isso que essa proposta representa. Não percebo as contas do Bloco de Esquerda".
Mortágua insiste que salário deve conseguir pagar habitação
Na resposta, Mariana Mortágua diz que "quatro ou cinco pessoas num T0 é o que já acontece neste momento".
E recorre ao exemplo de Braga, terra de Rui Rocha, onde os preços da habitação cresceram "62% nos últimos quatro anos".
"É o mercado da habitação a funcionar. Em que o salário não paga uma casa. E a IL quer mais do mesmo", atira.
Habitação arranca debate
Habitação é o primeiro tema do debate.
Rui Rocha refere a abordagem do BE está na culpabilização dos não residentes.
"Não se resolve o problema da habitação pondo portugueses contra portugueses ou contra estrangeiros", diz.
Começa agora o debate
Boa tarde,
Começa agora mais um debate para as eleições legislativas de 10 de março.
O frente a frente é entre Rui Rocha, presidente da Iniciativa Liberal, e Mariana Mortágua, coordenadora do Bloco de Esquerda.
O debate tem transmissão na CNN Portugal e conta com a moderação do jornalista João Póvoa Marinheiro.