GUERRA NO IRÃO • AO MINUTO | Trump diz ter "100%" de certezas de que o Irão vai deixar de enriquecer urânio
Crise causa cerca de 735 mil novos deslocados no Médio Oriente
A crise no Médio Oriente causou até agora cerca de 735 mil novos deslocados na região, estimou hoje o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
Num relatório hoje divulgado, o ACNUR indica que pelo menos 734.700 pessoas se viram obrigadas a abandonar as suas casas devido à ofensiva dos Estados Unidos e de Israel no Irão, à retaliação do regime iraniano contra países terceiros do Golfo Pérsico e à guerra entre o Paquistão e o Afeganistão governado pelos talibãs.
A agência especializada da ONU alerta que o aumento das hostilidades provocou uma degradação da situação humanitária no Médio Oriente, uma região que já contava 24,6 milhões de pessoas deslocadas antes dos mais recentes conflitos.
Cerca de 517 mil destes novos deslocados concentram-se no Líbano, onde Israel lançou uma intensa ofensiva em retaliação ao disparo de projéteis pelo movimento xiita libanês Hezbollah como vingança pelo assassínio do líder supremo iraniano, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, na primeira vaga de ataques norte-americanos e israelitas ao Irão.
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Teerão afasta qualquer acordo após Trump rejeitar proposta iraniana
O Governo iraniano rejeitou a possibilidade de alterar as suas propostas para um fim duradouro da guerra, que o Presidente norte-americano Donald Trump considerou inúteis, mantendo-se assim o impasse diplomático no Médio Oriente.
"Não há alternativa senão aceitar os direitos do povo iraniano, tal como estabelecidos na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem seria infrutífera", sublinhou o principal negociador da República Islâmica, Mohammad Bagher Ghalibaf, na rede social X, mais de um mês após o estabelecimento de uma trégua precária.
O também presidente do Parlamento desafiou os negociadores norte-americanos, afirmando que "quanto mais protelarem, mais os contribuintes norte-americanos pagarão", numa altura em que os preços do petróleo se mantêm em níveis persistentemente elevados.
Ataques israelitas no sul do Líbano fazem 13 mortos
Pelo menos 13 pessoas morreram em ataques israelitas que atingiram três localidades no sul do Líbano, incluindo um soldado e dois paramédicos, adiantou o Ministério da Saúde libanês.
Um ataque na cidade de Nabatieh matou cinco pessoas, incluindo dois paramédicos da Defesa Civil, e feriu outras duas, enquanto outro ataque na cidade de Jebchit matou quatro pessoas, "incluindo um soldado e um cidadão sírio".
Um terceiro ataque em Bint Jbeil matou "quatro civis, incluindo uma criança e uma mulher, e feriu outros 12, incluindo uma mulher", indicou o ministério em comunicado.
Media que relatem sucessos militares de Teerão são "traidores", afirma Trump
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que os media que relatam sucessos militares do Irão no conflito contra os Estados Unidos são “praticamente traidores” que "incentivam o inimigo".
“Quando as ‘notícias falsas’ (imprensa) dizem que o inimigo iraniano está a sair-se bem militarmente contra nós, isso é praticamente TRAIÇÃO, pois é uma afirmação tão falsa e até absurda”, publicou Trump na plataforma Truth Social.
“Estão a ajudar e a incentivar o inimigo! Tudo o que fazem é dar ao Irão uma falsa esperança onde não deveria haver nenhuma. Estes são cobardes americanos que torcem contra o nosso país”, adiantou o Presidente norte-americano, reiterando que a Marinha, a Força Aérea e os líderes iranianos foram eliminados no conflito e que a economia está em colapso.
Desde o início da ofensiva israelo-americana, iniciada em 28 de fevereiro, o Irão mantém sob ameaça militar o estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra, fazendo disparar os preços internacionais.
Irão condena prisão de quatro iranianos pelo Kuwait e rejeita alegações de conspiração
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão condenou a detenção, pelo Kuwait, de quatro pessoas que, segundo o ministério, estavam afiliadas na Guarda Revolucionária do Irão. O governo explica que estavam em patrulha marítima e entraram nas águas territoriais do país do Golfo devido a uma "interrupção na sua navegação".
"O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão condena as ações políticas e mediáticas inapropriadas do Kuwait em relação aos quatro marinheiros iranianos que desempenhavam as suas funções a bordo do navio Meroj Keshtezri Darya e que entraram em águas do Kuwait devido a uma falha no sistema de navegação", afirmou num comunicado divulgado pela agência de notícias ISNA. "O ministério sublinha também a necessidade de acesso imediato da Embaixada da República Islâmica do Irão no Kuwait aos cidadãos iranianos detidos, em conformidade com o direito internacional, e exige a sua pronta libertação."
O Irão rejeitou as declarações do Kuwait de que o Irão estaria a planear "ações hostis" contra o país do Golfo.
Membro do governo iraniano sugere que a paz pode não ser o principal objetivo dos EUA
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, sugeriu hoje que o principal objectivo dos Estados Unidos nas negociações pode não ser a paz, escrevendo numa publicação no X que “não se pode falar de cessar-fogo enquanto o cerco continua”.
“Quando a parte que desempenhou um papel direto na guerra, no cerco, nas sanções e nas ameaças através da força bruta rejeita a resposta do Irão simplesmente porque não se trata de uma carta de rendição”, escreveu Gharibabadi, “fica claro que a questão principal não é a paz, mas a imposição de vontade política através de ameaças e pressão”.
O vice-ministro tinha dito no sábado que a contraproposta de 14 pontos do Irão visava o “fim permanente” da guerra e que “a bola está com os Estados Unidos”, segundo a agência de notícias estatal IRIB.
Ontem, o presidente norte-americano, Donald Trump, classificou a oferta do Irão como “estúpida” e “inaceitável”.
“Não se pode falar de cessar-fogo enquanto se continua o cerco; falar de diplomacia enquanto se intensificam as sanções; ou discutir a estabilidade regional enquanto se presta apoio político e militar a um regime que é a fonte de agressão e instabilidade”, escreveu Gharibabadi na sua declaração.
A última referência diz, provavelmente, respeito a Israel, parceiro dos EUA na guerra contra o Irão.
Por Max Saltman
Trump diz que não precisa da ajuda de Xi para ganhar ao Irão
O presidente norte-americano, Donald Trump, disse esta terça-feira que vai ter uma longa conversa com o presidente chinês, Xi Jinping, sobre a guerra no Irão durante a sua próxima viagem à China, mas acrescentou que não acha que precise da ajuda de Xi.
“Não acho que precisemos de qualquer ajuda com o Irão. Vamos ganhar de uma forma ou de outra. Vamos ganhar pacificamente ou não”, disse Trump aos jornalistas na Casa Branca. “A marinha deles acabou, a força aérea acabou, todos os elementos da sua máquina de guerra acabaram.”
“Se o Irão tiver uma arma nuclear, o mundo inteiro estará em apuros porque são loucos. Não vão ter uma arma nuclear”, garantiu Trump.
Turquia quer regressar à situação pré-guerra no Estreito de Ormuz
“Queremos ver a livre passagem de todos os navios, como acontecia antes da guerra”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros turc, Hakan Fidan, à Al Jazeera, sublinhando que isso é “o que a maioria gostaria de ver”.
“O status quo anterior à guerra era o que todos apreciavam”, disse Fidan. “Portanto, introduzir uma nova regulamentação, que pode não ser aceite pela grande maioria [dos países], pode ser uma nova fonte de conflito, o que não queremos ver”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros turco instou o Irão e os EUA a “encontrarem uma solução real para este problema, que afeta não só os dois países, mas também o mundo inteiro”. “Penso que agora há vontade suficiente de ambos os lados para parar a guerra”, disse Fidan à Al Jazeera.
“Há risco de escalada, de novas tragédias e dramas, e de efeitos negativos tanto para a economia mundial como para a estabilidade regional. No geral, acreditamos que ambos os lados podem ter sucesso em chegar a um acordo permanente”.
Reino Unido vai enviar drones, jatos e navio de guerra para se juntarem à missão defensiva no Estreito de Ormuz
O Reino Unido anunciou esta terça-feira que vai contribuir com equipamento autónomo de caça a minas, jatos de combate Typhoon e o navio de guerra HMS Dragon para uma missão defensiva multinacional com o objetivo de garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, informa a Reuters.
Pete Hegseth diz que os EUA controlam o Estreito de Ormuz
Pete Hegseth afirmou que os EUA controlam o Estreito de Ormuz, apesar de a via navegável estar efetivamente fechada à navegação há mais de dois meses devido à guerra.
Em depoimento perante a subcomissão de defesa da Comissão de Orçamento do Senado, Hegseth disse: “Em última análise, nós controlamos o estreito, porque nada entra sem a nossa autorização. E, acreditem, quando analisamos o que o Irão pensa a respeito disso, eles sabem que não podem romper o bloqueio. E isso é muito preocupante para eles”.
EUA impedem petroleiro de passar em Ormuz
Os Estados Unidos impediram um petroleiro com bandeira de Malta de passar o Estreito de Ormuz.
De acordo com a Al Jazeera, que cita o Comando Central dos Estados Unidos, o navio Agios Phanourios estava a violar o bloqueio, pelo que foi impedido de passar.
Ainda segundo a mesma fonte, as forças norte-americanas já intercetaram vários petroleiros, incluindo muitos que não transportam petróleo iraniano, mas que estão a agir contra o embargo.
"É evidente" que o cessar-fogo continua em vigor, esclarece Hegseth
Pete Hegseth, disse esta terça-feira que "é evidente" que o cessar-fogo entre os EUA e o Irão continua em vigor.
Citado pelo The Guardian, o secretário da Guerra norte-americano esclareceu que, com as tréguas, "os combates pararam e sabemos que isso está a acontecer enquanto decorrem as negociações".
Apesar do cessar-fogo, os militares norte-americanos declararam na semana passada ter intercetado ataques iranianos contra três contratorpedeiros americanos no Estreito de Ormuz.
Lituânia admite que pode vir a contribuir com capacidades de desminagem para missão no Estreito de Ormuz
A Lituânia pode vir a contribuir com capacidades de desminagem e de comando numa eventual missão no Estreito de Ormuz, afirmou esta terça-feira o Chefe da Defesa da Lituânia, Raimundas Vaiksnoras.
Dois membros da proteção civil libanesa mortos em ataque israelita a Nabatieh
Dois membros da proteção civil libanesa morreram durante um ataque israelita à cidade sulista de Nabatieh, esta terça-feira, enquanto realizavam uma missão de resgate após um ataque anterior, informou a agência estatal libanesa NNA.
Portugal ainda não decidiu se participa com meios em eventual missão em Ormuz
O ministro da Defesa português afirmou hoje que Portugal ainda está a ponderar se reforça os efetivos militares da missão naval da UE no Mar Vermelho e se participa com meios numa eventual iniciativa franco-britânica no Estreito de Ormuz.
Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros da Defesa da União Europeia (UE), em Bruxelas, Nuno Melo afirmou que as Forças Armadas portuguesas já estão a participar nas missões navais Atalanta, no Oceano Índico, e Aspides, no Mar Vermelho.
“Portugal tem, neste momento, militares no quartel-general e, portanto, aquilo que poderá ser ponderado em qualquer momento é, eventualmente, um reforço da participação que Portugal já tem no âmbito da União Europeia. Mas é uma questão que, neste momento, não está ainda decidida”, afirmou.
Questionado sobre qual é a posição de Portugal quanto à extensão do mandato da missão Aspides para o Estreito de Ormuz, um dos assuntos que está a ser hoje discutido pelos ministros da Defesa da UE, Nuno Melo respondeu que, no caso de Portugal, não está em causa “um alargamento do mandato”.
China faz parte do "equilíbrio político" do Irão, diz responsável iraniano
O embaixador do Irão na China, Rahmani Fazli, afirmou que Pequim “não é apenas um parceiro económico”, mas faz parte do “equilíbrio político” de Teerão contra ameaças externas, segundo a agência estatal iraniana IRNA.
“A China, para o Irão, não é apenas um parceiro económico ou comprador de energia; faz parte do equilíbrio político contra pressões, ameaças e unilateralismo”, disse Fazli à IRNA, após uma visita à China do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, e antes da partida do presidente dos EUA, Donald Trump, para Pequim, na tarde desta terça-feira.
Segundo Fazli, a visita de Araghchi ocorreu numa altura em que o Irão tenta ativamente reformular a sua posição diplomática após o recente conflito com os Estados Unidos e Israel, em vez de apenas reagir militar ou taticamente.
“No processo de gestão da fase pós-guerra, o Irão não está apenas a depender de reações temporárias, mas procura redefinir o seu alinhamento diplomático através do envolvimento com parceiros estratégicos”, disse Fazli, acrescentando que “a China encarou a crise não sob o prisma de pressionar o Irão, mas do ponto de vista de conter a guerra e evitar o colapso da segurança regional”.
Embora Pequim seja vista como um potencial mediador entre Washington e Teerão, “a mediação não deve tornar-se um instrumento de gestão de pressão contra o Irão”, completou Fazli.
Relativamente ao Estreito de Ormuz, o responsável iraniano disse que as medidas de segurança do Irão naquela via marítima são defensivas e não anti-comércio.
Na véspera da viagem de Trump a Pequim, o Departamento do Tesouro dos EUA colocou 12 pessoas e entidades na lista negra pelo seu papel em facilitar a “venda e transporte de petróleo iraniano” para a China.
Por Aida Karimi e Nadeen Ebrahim
Guerra com o Irão já custou 29 mil milhões de dólares aos EUA
Um alto responsável do Pentágono disse esta terça-feira que o custo da guerra com o Irão até agora é de 29 mil milhões de dólares, avançou a Reuters.
Este valor assinala um aumento de 4 mil milhões de dólares em relação a uma estimativa apresentada no final do mês passado.
Jules Hurst, que desempenha as funções de controlador, disse aos legisladores que o custo inclui a atualização da reparação e substituição de equipamento e os custos operacionais.
Trump diz ter "100%" de certezas de que o Irão vai deixar de enriquecer urânio
O presidente Donald Trump diz-se confiante de que o Irão vá deixar de enriquecer urânio e abandonar qualquer tentativa de construir uma arma nuclear, apesar de as negociações entre Washington e Teerão continuarem num impasse.
"100% vão parar", disse Trump durante uma entrevista no programa “Sid and Friends in the Morning”, da WABC, quando questionado sobre se acreditava que o Irão podia ser impedido de enriquecer urânio e desenvolver uma bomba.
Trump afirmou que tem estado diretamente envolvido com responsáveis iranianos durante as negociações.
“Sou eu que lido com eles”, disse Trump. “E eles disseram que vamos ficar com o pó. Eu chamo-lhe o pó nuclear porque é apropriado. E vamos ficar com ele.”
O presidente afirmou ainda que os EUA não precisam de avançar rapidamente para um acordo.
“Não vamos apressar nada, temos um bloqueio”, disse Trump.
As declarações surgem um dia depois de Trump ter afirmado que o cessar-fogo entre os EUA e o Irão está ligado a “suporte de vida maciço”, após a mais recente contraproposta de Teerão, que descreveu como “simplesmente inaceitável”.
EUA prontos para reiniciar hostilidades no Irão? "Temos um plano para escalar a situação, se necessário", diz Hegseth
Pete Hegseth foi questionado pela subcomissão de defesa das dotações orçamentais da Câmara dos Representantes sobre a existência de um “plano B” caso o Congresso não autorizasse a continuação da investida militar norte-americano no Irão.
“Temos um plano para tudo isso”, respondeu o secretário da Guerra dos EUA.
“Temos um plano para escalar a situação, se necessário. Temos um plano para recuar, se necessário. Temos um plano para reposicionar meios. Mas, certamente, neste contexto, não revelaríamos qual poderá ser o próximo passo, tendo em conta a gravidade da missão que o presidente está a levar a cabo para garantir que o Irão nunca venha a ter uma bomba nuclear", rematou Hegseth, citado pelo The Guardian.
Hegseth diz que pedido de orçamento milionário para a defesa feito por Trump serve para "manter as forças armadas mais poderosas do mundo"
O secretário da Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, enfrenta agora o Congresso a propósito do pedido de orçamento da Defesa de 1,5 mil milhões de dólares feito por Donald Trump.
“O presidente Trump herdou uma base industrial de defesa que tinha sido esvaziada por anos de políticas de ‘América em último lugar’”, começou por explicar o responsável norte-americano.
“Estamos a inverter esta degradação sistémica e a colocar novamente a nossa base industrial de defesa numa posição de prontidão para tempos de guerra”, completou, de acordo com o The Guardian.
Sobre a dimensão do orçamento requerido, Hegseth argumentou que os 1,5 mil milhões de dólares vão “garantir que os Estados Unidos continuem a manter as forças armadas mais poderosas e capazes do mundo.”