Em atualização

MÉDIO ORIENTE AO MINUTO | Chefe do exército israelita define “linha amarela” como “nova fronteira”

2025-12-04

GUIA RÁPIDO DE LEITURA

2025-11-07
19:45

ONU denuncia acesso humanitário lento e limitado a Gaza

A ONU denunciou hoje que o acesso humanitário a Gaza permanece "limitado a apenas duas passagens de fronteira", onde a entrada de certos itens e de pessoal de organizações não-governamentais "é proibida".

Siga ao minuto:

2025-12-08
14:05

Polícia israelita substitui bandeira da ONU por uma de Israel na sede da agência em Jerusalém

O comissário-geral da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA) denunciou que a polícia israelita invadiu hoje a sede da agência em Jerusalém Oriental e substituiu a bandeira das Nações Unidas por uma bandeira israelita.

“Esta ação representa uma violação flagrante da obrigação de Israel, enquanto Estado-membro das Nações Unidas, de proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações da ONU”, disse Philippe Lazzarini na sua conta na rede social X esta segunda-feira.

Segundo a sua publicação, as forças israelitas entraram no complexo da UNRWA com motas e outros veículos, cortaram todas as comunicações e apreenderam móveis, equipamento informático e outros bens.

No início deste ano, o Parlamento israelita (Knesset) proibiu as operações da UNRWA em Israel, justificando com uma alegada ligação entre os responsáveis da UNRWA e o grupo islâmico Hamas.

O Tribunal Internacional de Justiça decidiu que Israel não provou as suas alegações de que parte significativa dos funcionários da UNRWA eram membros do Hamas, nem demonstrou a alegada falta de neutralidade da agência humanitária.

Segundo Lazzarini, as acusações de Israel contra a UNRWA são uma "campanha de desinformação em grande escala", com manifestações de ódio e intimidação contra a agência, que acabou por forçá-la a desocupar as instalações em Jerusalém Oriental. O responsável tem denunciado também o assédio contra os funcionários da agência.

O comissário-geral da UNRWA afirou que o complexo da ONU em Jerusalém Oriental mantém o estatuto de recinto das Nações Unidas, pelo que não pode haver aí interferências, e recorda que Israel é signatário da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, que declara as instalações das Nações Unidas como invioláveis.

2025-12-08
10:37

UE pede diálogo e reconciliação em oportunidade histórica após queda de Assad

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE) e duas comissárias europeias exortaram esta segunda-feira ao diálogo e reconciliação na Síria, um ano após a “oportunidade histórica” da queda do até então Presidente sírio Bashar al-Assad.

“Há um ano, a queda do regime de Assad marcou o fim de décadas de uma ditadura brutal, responsável pela morte, desaparecimento e deslocação de centenas de milhares de pessoas e pela destruição de grande parte do país, com consequências desastrosas para o tecido social sírio. A sua queda deu ao povo sírio uma oportunidade histórica de se envolver numa transição política, económica e social”, afirmam numa posição conjunta Kaja Kallas e as comissárias europeias do Mediterrâneo e da Gestão de Crises.

Numa declaração conjunta sobre o primeiro aniversário da queda do regime de Assad, a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, e as comissárias para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, e para a Gestão de Crises, Hadja Lahbib, vincam que “não pode haver paz e estabilidade na Síria sem um processo de diálogo nacional, reconciliação e justiça transitória”.

Tal processo deve ser “reforçado pela consolidação das instituições estatais e por reformas genuínas no setor da segurança, com o objetivo de garantir que todos os sírios, de todas as origens étnicas e religiosas, sem discriminação, sejam protegidos e representados pelas autoridades e envolvidos na formação de uma Síria unida, inclusiva e democrática”, acrescentam.

Vincando que “a UE tem apoiado a Síria e o seu povo em todas as fases da sua difícil transição”, as responsáveis garantem que a União “continuará a apoiar os esforços”.

“A UE congratula-se com os compromissos assumidos pelas autoridades de transição no sentido de uma transição pacífica e inclusiva, bem como com os progressos realizados desde dezembro de 2024. […] Ao mesmo tempo, a UE está profundamente preocupada com as ondas de violência que se têm verificado desde março em várias partes do país”, admitem Kallas, Šuica e Lahbib.

Após quase 14 anos de guerra na Síria, grupos armados liderados pela Organização para a Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham, HTS) - anteriormente afiliada ao grupo terrorista Al-Qaida - tomaram Damasco em 08 de dezembro de 2024 e depuseram o Presidente Bashar al-Assad, que fugiu para a Rússia.

Desde 2011, a UE e os seus Estados-membros – os principais doadores de ajuda a nível mundial – mobilizaram cerca de 38 mil milhões de euros em ajuda humanitária, ao desenvolvimento, à economia e à estabilização da crise síria.

Estima-se que os anos de conflito na Síria tenham levado à deslocação de cerca de metade da população, tanto dentro como fora do país, e que o número de pessoas que necessitam de assistência humanitária tenha chegado aos 16,7 milhões de pessoas em 2024, um máximo histórico desde o início da crise em 2011.

Um ano após a queda de Bashar al-Assad, a Síria vive uma transição ainda instável: a nova liderança procura reconstruir instituições e restaurar a ordem, enquanto o país continua marcado por tensões internas, desafios humanitários e pressão internacional para consolidar a paz.

2025-12-08
10:36

Mais ajuda humanitária entra em Gaza, mas 90 mil toneladas continuam retidas nas fronteiras

Mais 47 camiões de ajuda humanitária entraram este domingo em Gaza, pela mão do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU, que já distribuiu mais de um milhão de pacotes de ajuda humanitária deste o início do frágil cessar-fogo há dois meses, conseguindo chegar a metade da população do enclave palestiniano.

Foram criados 59 pontos de distribuição de alimentos, mas a ajuda continua a ser insuficiente, relatam fontes no terreno. Citado pela Associated Press, um palestiniano disse que as doações não estão a ajudar a satisfazer a fome. Uma mãe citada pela mesma agência diz que não consegue alimentar as filhas subnutridas só com arroz, o único alimento a que conseguiu ter acesso até agora.

Ainda há famílias em Gaza sem receber qualquer ajuda há seis meses. Nas fronteiras, o exército de Israel continua a inspecionar minuciosamente os camiões de ajuda e a decidir que organizações civis e meios que podem entrar na Faixa. Por causa disso, adianta a ONU, há 90 mil toneladas de ajuda humanitária ainda retidas nos postos fronteiriços.

2025-12-08
09:37

Um ano depois da queda de Assad, mais de uma década desde o início da guerra civil, Síria tenta recuperar (alguma) normalidade

Damasco e outras cidades do país preparam-se para celebrar o primeiro aniversário sem Bashar al-Assad, que fugiu para a Rússia há precisamente um ano perante a tomada da capital pelos rebeldes liderados por Ahmed al-Sharaa. Agora presidente interino, Al-Sharaa diz que haverá eleições no prazo de quatro anos, perante receios de perseguição de minorias e falta de representação nas estruturas de poder
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2025-12-07
18:40

Exército israelita mata dois palestinianos na Cisjordânia ocupada

O exército israelita declarou hoje que matou dois homens na Cisjordânia ocupada, após um ataque com um carro armadilhado contra soldados, num posto de controlo em Hebron.

Um dos mortos não esteve envolvido no ataque, segundo o exército, sem adiantar mais detalhes.

O Ministério da Saúde palestiniano identificou as vítimas como Ahmad Khalil Al-Rajabi, de 17 anos, e Ziad Jabara Abu Dawoud, de 55 anos, trabalhador de manutenção, segundo o Crescente Vermelho Palestiniano.

2025-12-07
17:32

Chefe do exército israelita define “linha amarela” como “nova fronteira”

O chefe do Estado-Maior israelita, Eyal Zamir, declarou hoje que a denominada “linha amarela”, demarcada na Faixa de Gaza, passa a ser considerada a “nova fronteira” com Israel, segundo comunicado militar.

Num texto dirigido aos soldados da reserva em Gaza, o comandante do exército de Israel afirmou que a “linha amarela” representa “uma linha de defesa avançada para os colonatos (israelitas) e uma linha de ataque”.

De acordo com o cessar-fogo acordado com o Hamas, em vigor desde 10 de outubro, as tropas israelitas deverão retirar-se da Faixa de Gaza de forma faseada, após uma retirada inicial dentro do território delimitado pela “linha amarela”.

2025-12-07
12:39

Chanceler alemão defende solução de dois Estados, que Netanyahu rejeita liminarmente

Após uma reunião com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, em Telavive, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse este domingo que a segunda fase para a Faixa de Gaza deverá começar em breve à luz do plano apresentado por Donald Trump e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU.

Na sua primeira visita a Israel desde que foi eleito em maio deste ano, Merz também defendeu a solução de dois Estados, Israel e Palestina, que Netanyahu rejeitou ao seu lado em conferência de imprensa.

Para o chefe da chancelaria alemã, o Hamas não deve desempenhar qualquer papel futuro em Gaza, parte de um "Estado palestiniano ao lado do Estado de Israel" no que classificou como "um novo Médio Oriente" que reconheça essa realidade.

As negociações sobre isso "são necessárias agora", adiantou, conduzindo no final à instalação de um Estado palestiniano. "Apoiamos a Autoridade Palestiniana, mas também a criticamos por suas diversas atividades", adiantou Merz.

Ao contrário de países como França e Portugal, que este ano reconheceram o Estado da Palestina para forçar a retomada de negociações da solução de dois Estados, a Alemanha continua sem reconhecer oficial e formalmente o direito dos palestinianos à autodeterminação.

2025-12-07
12:08

Ao lado de Merz, Netanyahu volta a rejeitar solução de dois Estados

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse este domingo que o status quo da Cisjordânia ocupada permanecerá inalterado num futuro próximo e insistiu que a população israelita se opõe a uma solução de dois Estados que levaria à criação de um Estado palestiniano.

Em conferência de imprensa ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Netanyahu disse que 99 dos 120 membros do Knesset votaram contra a possibilidade de um Estado da Palestina, alegando que o objetivo com a criação desse Estado com direitos e deveres iguais a Israel "é destruir o Estado judeu".

Merz e outros líderes europeus têm afirmado que permanecem comprometidos com uma solução negociada de dois Estados e defendem a retomada das negociações nesse sentido. Este ano, vários países, incluindo França e Portugal, anunciaram o reconhecimento formal do Estado da Palestina.

2025-12-07
11:26

Força internacional terá como objetivo manter a paz em Gaza, não impô-la, diz Egito

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Egito, Badr Abdelatty, disse este domingo que uma força internacional deve ser enviada para Gaza para garantir que ambos os lados cumprem o cessar-fogo.

A força deve ser para manter a paz, não para impor a paz, disse à Al-Jazeera à margem do Fórum de Doha, acrescentando que há uma enorme diferença entre as duas coisas.

Abdelatty também enfatizou que as armas devem ser restringidas na Faixa e que a passagem de Rafah deve ser reaberta para a entrada de ajuda humanitária e a evacuação de doentes que necessitem de tratamento no estrangeiro, não para se tornar uma porta de entrada para o deslocamento de palestinianos.

2025-12-07
11:01

Não existe alternativa à solução de dois Estados, defende chefe da diplomacia da Noruega

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Espen Barth Eide, defendeu este domingo que qualquer futura governança em Gaza deve ser palestiniana, e que o que Israel está a fazer na Faixa de Gaza neste momento é "muito perigoso".

Em entrevista à Al-Jazeera, no contexto do Fórum de Doha em curso no Catar para decidir o futuro do enclave palestiniano, Eide disse que "a terrível guerra" de Israel contra Gaza "não acabou", destacando a "fragilidade" do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro.

O chefe da diplomacia noruguesa diz que "o apoio internacional a um Estado palestiniano nunca foi tão forte como agora" e que "não existe alternativa à solução de dois Estados" preconizada nos Acordos de Oslo de 1993, à luz dos quais foi "um erro" dar a Israel direito de veto.

"Não há alternativa a longo prazo para a solução de dois Estados, que deve ser apoiada internacionalmente."

A atual situação "é difícil, mas representa uma oportunidade para pôr fim à guerra genocida em Gaza e lançar as bases para uma solução do conflito", defende ainda o responsável ao canal árabe.

"Não investimos em nenhuma empresa que exporte armas para Israel para uso na Cisjordânia ocupada", garante Eide, para quem a ocupação "é ilegal em todos os aspetos, conforme confirmado pelo Tribunal Internacional de Justiça".

2025-12-07
10:28

Israel diz ter impedido ataque ao norte do país. "População do extremo norte teme que aconteça o mesmo que no sul"

O correspondente da CNN Portugal em Israel Henry Galsky comenta a alegada tentativa de ataque recente do Hamas travada por Telavive

2025-12-07
09:57

Merz em Israel: "Visita é vista como tirando Israel de círculo de isolamento"

Os israelitas estão a receber a visita do chanceler alemão como um sinal de que o isolamento internacional do seu país está a começar a diminuir, defendeu este domingo o ex-diplomata israelita Alon Pinkas em entrevista à Al Jazeera.

A primeira visita de Friedrich Merz a Israel desde que assumiu o cargo em maio é "vista como uma visita importante que, de alguma forma, tira Israel deste círculo de isolamento", diz Pinkas a partir de Telavive, onde mora.

"Duvido que isso vá acontecer, mas é assim que é visto aqui."

Pinkas adianta que, embora a Alemanha continue a ser uma firme apoiante de Israel, em comparação com outros países europeus, que há muito criticam a guerra genocida de Israel contra Gaza, o vínculo histórico entre os dois países está a mudar.

"Estamos a ver os primeiros sinais de que agora é aceitável criticar Israel e ter opiniões políticas diferentes", diz. "Acho que, assim que essa brecha se ampliar, veremos críticas na Alemanha em relação à forma como o país lida com os direitos humanos."

2025-12-07
09:05

"Palestinianos têm direito a viver na sua terra"

Questionado sobre porque é que o Catar ajudaria a pagar pela reconstrução da Faixa de Gaza, que foi destruída por um país que também bombardeou o parte do território catari, o primeiro-ministro do Catar disse este domingo, no Fórum de Doha, que há um duplo padrão em jogo, porque se "se disser que Israel tem a responsabilidade de reconstruir o que destruiu, eles dirão que não".

"Como região, têm a responsabilidade de o fazer", disse Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim al-Thani aos jornalistas, acrescentando que o Catar "continuará a apoiar o povo palestiniano" e que "fará todos os possíveis para aliviar o seu sofrimento".

Defendendo que os palestinianos de Gaza não devem ser forçados a deixar a sua terra natal, o responsável catari acrescentou: "Eles têm todo o direito de ficar e viver lá."

2025-12-07
08:44

Catar destaca importância de diálogo com o Hamas, que iniciou "a pedido dos EUA"

O chefe do governo do Catar destacou este domingo, num discurso no Fórum de Doha, onde se discute desde ontem o fututo da Faixa de Gaza, que não pode haver paz no Médio Oriente sem o envolvimento de todos os atores da região, incluindo o Hamas.

"Se não há ninguém a dialogar com esses atores não estatais, como vamos resolver ou chegar a uma solução? Agora, vimos que essa comunicação levou a um cessar-fogo", destacou este domingo o sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim al-Thani, primeiro-ministro do Catar.

Al-Thani diz que o Catar iniciou a comunicação com o Hamas a pedido dos EUA e acrescenta que, "infelizmente, alguns políticos estão a tentar usar" esse facto para "ganhos políticos de curto prazo que alimentem as suas narrativas".

2025-12-07
08:34

Árvore de Natal gigante acende-se pela primeira em Belém desde o início da guerra em Gaza

Árvore de Natal iluminada na praça da natividade em Belém, na Cisjordânia ocupada por Israel (Hazem Bader/AFP via Getty Images)

Cerimónia de iluminação da árvore teve lugar na noite de sábado, na praça da natividade, em Belém, na Cisjordânia ocupada por Israel (foto Hazem Bader/AFP via Getty Images)

2025-12-07
08:24

Presidente de Israel rejeita pedido de Trump para perdoar Netanyahu

O presidente de Israel rejeitou este fim de semana o pedido formal de Trump para perdoar Netanyahu, que está a ser julgado há mais de cinco anos por acusações de corrupção.

Herzog disse numa entrevista ao site norte-americano Politico que "respeita a amizade e a opinião do Presidente Trump", mas salientou que Israel é um país soberano e que o seu sistema jurídico deve ser totalmente respeitado.

"Este é certamente um pedido extraordinário e, acima de tudo, ao lidar com ele, vou considerar o que é melhor para o povo israelita. O bem-estar do povo israelita é a minha primeira, segunda e terceira prioridade."

No mês passado, Trump enviou uma carta a Herzog na qual criticava as acusações de corrupção contra o primeiro-ministro de Israel como sendo "políticas" e "injustificadas".

2025-12-06
17:18

Pelo menos 367 palestinianos mortos desde entrada em vigor do cessar-fogo

Pelo menos 367 pessoas morreram em ataques israelitas na Faixa de Gaza desde que o cessar-fogo entrou em vigor, revelou hoje o Ministério da Saúde palestiniano, controlado pelo Hamas.

No boletim diário, que compila o número de vítimas até à meia-noite do dia anterior, o ministério explicou que os hospitais da Faixa de Gaza receberam os corpos de seis pessoas, uma das quais morta, e cinco corpos foram recuperados dos escombros.

O Ministério da Saúde acrescentou que o número total de feridos desde que a trégua entre Israel e o Hamas entrou em vigor, em 10 de outubro, atingiu os 953.

Israel continua a controlar 54% da Faixa de Gaza, depois de as suas tropas se terem retirado para a chamada “linha amarela”, de onde continuam a disparar quase diariamente contra palestinianos que, segundo o exército de Telavive, se aproximam demasiado.

2025-12-06
15:49

Qatar e Egito apelam ao destacamento da força internacional de estabilização em Gaza

O Qatar e o Egito apelaram à “retirada total” das tropas israelitas do território palestiniano e ao rápido destacamento de uma força internacional de estabilização prevista no plano norte-americano apoiado pela ONU.

Estas medidas estão previstas na segunda fase do plano do presidente dos EUA, Donald Trump para pôr fim à guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.

“Estamos num momento crítico (...) Ainda não podemos considerar que há um cessar-fogo, um cessar-fogo só pode ser completo com a retirada total das forças israelitas (e) o regresso da estabilidade a Gaza”, afirmou o primeiro-ministro do Qatar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, numa conferência em Doha hoje.

2025-12-06
08:59

Organismo internacional para governar Gaza será anunciado nas próximas três semanas

O organismo internacional que, sob o plano de paz apresentado pela administração Trump para acabar com a guerra na Faixa de Gaza, ficará encarregado de governar o enclave palestiniano na próxima fase do cessar-fogo EUA deverá ser anunciado até o final deste ano, disseram na sexta-feira um funcionário árabe e um diplomata ocidental à Associated Press.

De acordo com o acordo de cessar-fogo, a autoridade — conhecida como Conselho de Paz e a ser liderada pelo presidente dos EUA, Donald Trump — deverá supervisionar a reconstrução de Gaza sob um mandato renovável da ONU de dois anos.

O órgão será composto por cerca de uma dúzia de outros líderes do Médio Oriente e do Ocidente, disseram o funcionário árabe e o diplomata ocidental à AP, sob condição de anonimato por não estarem autorizados a falar sobre o assunto.

2025-12-06
08:54

Maioria dos membros da ONU renova mandato da UNRWA até 2029

A Assembleia Geral da ONU aprovou na sexta-feira, por larga maioria, a prorrogação por três anos do mandato da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA), que tem enfrentado acusações de ligação ao Hamas lançadas por Israel.

A votação, que estabelece a prorrogação do mandato até 30 de junho de 2029, foi aprovada com 151 votos a favor, enquanto dez países votaram contra, incluindo os Estados Unidos e Israel. Outros 14 países abstiveram-se.

De acordo com a resolução "Ajuda aos Refugiados Palestinianos", a Assembleia Geral elogiou a UNRWA por prestar ajuda vital aos refugiados palestinianos e pelo seu papel como fator de estabilização na região do Médio Oriente.

Durante a sessão, o plenário adotou várias outras resoluções expressando o seu "total apoio ao mandato da agência e condenando" os ataques contra os seus funcionários, que resultaram na morte e ferimentos de mais de 300 trabalhadores.

As resoluções alertaram ainda para as tentativas de "minar as suas operações" e instaram o Governo israelita a respeitar os seus "privilégios e imunidades".

Além disso, as resoluções reafirmaram o direito do povo palestiniano à sua propriedade e rendimento, deploraram as práticas israelitas que violam os direitos humanos dos palestinianos nos territórios ocupados, particularmente os colonatos israelitas tanto na Palestina como na Síria, e instaram a ações contra os colonos "extremistas" e os seus apoiantes.

O comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, saudou a "votação esmagadora da Assembleia Geral da ONU para renovar o mandato da agência" e sublinhou que esta "reflete a ampla solidariedade das pessoas de todo o mundo para com os refugiados palestinianos".

"É também um reconhecimento da responsabilidade da comunidade internacional em apoiar as necessidades humanitárias e de desenvolvimento humano dos refugiados palestinianos enquanto aguardam uma solução justa e duradoura para o seu sofrimento, que dura há décadas", sublinhou.

O responsável da UNRWA reiterou, no entanto, numa mensagem nas redes socais, que "é agora necessário que a votação se traduza num compromisso genuíno e em recursos equivalentes para garantir o cumprimento do mandato".

A UNRWA foi criada pela ONU para prestar serviços sociais a refugiados palestinianos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza expulsos de casa com a criação do Estado israelita em 1948.

Desde então, esta agência humanitária tem fornecido educação, saúde e outros recursos a estas famílias e foi responsável pela distribuição de ajuda aos palestinianos em Gaza.

Israel cortou todos os laços com esta agência da ONU e ordenou a suspensão dos seus trabalhos, depois de ter denunciado a infiltração generalizada de membros do movimento islamita Hamas na equipa da UNRWA, na sequência da guerra na Faixa de Gaza.

Em meados de abril do ano passado, uma investigação externa liderada pela ex-ministra dos Negócios Estrangeiros francesa Catherine Colonna rejeitou a versão das autoridades israelitas sobre as alegadas ligações terroristas atribuídas a funcionários da agência.

Também o Tribunal Internacional de Justiça concluiu que Israel não conseguiu fundamentar as alegações de que uma parte significativa dos funcionários da UNRWA pertencem ao Hamas, nem demonstrou a alegada falta de neutralidade da agência humanitária como um todo.