GUERRA NO IRÃO • AO MINUTO | Irão endurece exigências e petróleo dispara: tensão sobre Estreito de Ormuz faz preços subir
O QUE ESTÁ A ACONTECER
-
Irão nomeia novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional
-
Trump quer "declarar vitória e sair": EUA estão a ficar "sem opções" e "sem paciência" no Irão, dizem especialistas
-
Enviado dos EUA garante que pressão económica vai forçar o Irão a "ceder"
-
Irão endurece exigências e petróleo dispara: tensão sobre Estreito de Ormuz faz preços subir
TPI rejeita recurso israelita contra decisão anterior que confirmava mandados de captura contra Netanyahu
O Tribunal Penal Internacional (TPI) rejeitou este sábado o pedido de recurso apresentado por Israel contra uma decisão anterior que confirmava os mandados de captura emitidos contra o Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o antigo Ministro da Defesa, Yoav Gallant.
Numa decisão que foi capa na imprensa internacional, o TPI considerou, em novembro, que existiam "motivos razoáveis" para acreditar que Netanyahu e Gallant tinham "responsabilidade penal" por alegados crimes de guerra e crimes contra a humanidade relacionados com o conflito em Gaza.
Estes mandados de captura provocaram indignação em Israel e nos Estados Unidos, que desde então impuseram sanções a altos responsáveis do TPI.
Benjamin Netanyahu qualificou esta decisão como "antissemita" e o Presidente americano Joe Biden considerou-a "escandalosa".
Em maio, Israel tinha solicitado ao TPI que rejeitasse estes mandados, enquanto este analisava outro recurso que visa determinar se é competente neste caso.
O Tribunal rejeitou este pedido a 16 de julho, considerando que não existia "nenhuma base jurídica" para anular os mandados de detenção enquanto a questão da competência não tivesse sido resolvida.
Uma semana depois, Israel pediu autorização para recorrer desta decisão, mas os juízes decidiram hoje que "a questão, tal como formulada por Israel, não é suscetível de recurso".
"A Câmara rejeita, portanto, o pedido", declarou o CPI numa decisão complexa de treze páginas.
Siga ao minuto:
Bloqueio naval dos EUA paralisa principal centro de exportação de petróleo do Irão
O bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos levou a atividade de exportação de petróleo na Ilha de Kharg - o terminal que processa quase todas as exportações de crude do Irão - a uma paralisação quase total.
Os três terminais de Kharg têm estado vazios durante longos períodos, de acordo com analistas de transporte marítimo da Windward.
Num relatório divulgado na segunda-feira, a Windward indicou que o terminal ocidental de Kharg não registava carregamentos há 22 dias consecutivos, o terminal de gás de petróleo liquefeito há 13 dias e o terminal oriental há dez dias.
Não se registaram partidas de Kharg desde 31 de julho, e há 17 petroleiros ancorados na área de espera nas proximidades. Nenhum deles está a revelar a sua posição, segundo a Windward.
As exportações iranianas através de Kharg constituem uma fonte crucial de receitas para o regime. A maior parte do petróleo iraniano destinava-se a clientes chineses e, até às últimas duas semanas, continuava a fluir apesar do conflito.
"O Irão continua a esticar a corda porque tem havido um bluff enorme de Donald Trump"
O comentador da CNN Portugal Miguel Baumgartner analisa as mais recentes declarações do presidente norte-americano sobre a guerra no Irão
Estas são as exigências do Irão para reabrir o Estreito de Ormuz
As autoridades iranianas parecem ter alterado as suas condições para qualquer acordo com os Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz, apresentando novas exigências durante o fim de semana.
No sábado, Mohammad Bagher Zolghadr, um veterano da Guarda Revolucionária, enumerou seis exigências para a reabertura total da via marítima, que Washington dificilmente aceitará:
- O fim definitivo da guerra contra o Irão e os seus aliados regionais.
- O fim das ameaças ou insultos contra o Irão.
- O levantamento do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos.
- A retirada das forças militares dos EUA das proximidades do Irão.
- Indemnização por parte dos EUA pelos danos causados durante a guerra deste ano e o conflito de junho de 2025, que foi travado principalmente por Israel.
- O levantamento das sanções contra a República Islâmica e a libertação incondicional dos ativos iranianos congelados no estrangeiro.
Algumas destas questões constavam do memorando de entendimento alcançado entre o Irão e os EUA, assinado em junho e suspenso em julho. No entanto, faziam parte de um acordo faseado e não de pré-condições.
No domingo, Zolghadr deixou o seu cargo no Conselho Supremo de Segurança Nacional para se tornar conselheiro do Líder Supremo do Irão, Mojtaba Khamenei.
As autoridades iranianas continuam a insistir que um acordo provisório para gerir a navegação no estreito não tem nada a ver com os EUA, sendo, em vez disso, um acordo bilateral com Omã.
Emirados Árabes Unidos dizem ter frustrado ataques cibernéticos dirigidos aos setores da energia e da aviação
O Conselho de Cibersegurança estatal dos Emirados Árabes Unidos diz ter frustrado ataques cibernéticos dirigidos aos setores da aviação, da energia e da educação do país do Golfo, informou a agência noticiosa estatal dos Emirados esta segunda-feira.
Netanyahu aceitou plano de paz para Gaza e depois voltou atrás? "É de acreditar que há aqui algum mal-entendido"
A comentadora da CNN Portugal Diana Soller analisa a recusa do plano de paz de Trump por Benjamin Netanyahu
"Os Estados são amigos quando têm interesses comuns"
A comentadora da CNN Portugal Helena Ferro Gouveia analisa a recusa por parte de Netanyahu do plano de paz para a Faixa de Gaza proposto pela administração Trump
"Fontes da defesa israelita dizem que, em reuniões à porta fechada, o próprio Netanyahu consentiu com a retirada de Gaza"
Henry Galsky, correspondente da CNN Portugal em Haifa, Israel, comenta a recusa recente do governo Netanyahu em aceitar plano de paz proposto por Trump para a Faixa de Gaza
Israel quer enfrentar Hamas "sem piedade": Ben Gvir e Smotrich saúdam oposição de Netanyahu ao plano de Trump para Gaza
O ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir, saudou esta segunda-feira a decisão anunciada no domingo pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de rejeitar o plano de 15 pontos promovido por Donald Trump para avançar para a segunda fase do cessar-fogo em Gaza.
"Quem pensou que poderíamos confiar a segurança dos nossos filhos a acordos e garantias do nosso meio envolvente recebeu uma chapada dolorosa: por trás de todos estes acordos existem mentiras e enganos. São acordos cujo objetivo é adormecer-nos perante o próximo golpe", escreveu o governante no X.
O ministro defendeu ainda que não se deve negociar com o grupo palestiniano Hamas e que se deve enfrentá-los "sem acordos e sem piedade".
"A segurança de Israel será construída exclusivamente com as Forças de Defesa de Israel, cidadãos armados, uma polícia forte e um exército israelita que assuma a iniciativa", concluiu Ben Gvir, que, desde que assumiu o cargo em 2022, tem promovido um aumento de 126% no número de licenças de porte de arma para israelitas - muitos deles colonos nos territórios palestinianos - até ao presente.
Da mesma forma, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich elogiou Netanyahu pela sua oposição ao plano de Trump para Gaza.
"Entrámos em guerra com um objetivo fundamental: a destruição do Hamas (...) O exército não pode recuar nem um milímetro da Faixa de Gaza. A Faixa de Gaza não pode iniciar qualquer processo de reconstrução antes do desmantelamento e da desmobilização completos do Hamas e da Faixa de Gaza", publicou Smotrich, também no X.
Irão afirma que não há motivos para temer o pacto de segurança entre o Paquistão, a Turquia e a Arábia Saudita
O Irão não vê motivos para se preocupar com a possibilidade de um novo pacto de segurança entre o Paquistão, a Turquia e a Arábia Saudita ser dirigido contra Teerão, afirmou esta segunda-feira o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei.
Baghaei afirmou que o pacto revelava uma mudança na abordagem dos países da região em matéria de segurança, com uma maior dependência das suas próprias capacidades, em vez de potências externas.
"Qualquer plano que se baseie nas realidades geopolíticas e históricas da região, que seja abrangente e inclusivo e que identifique corretamente o inimigo e a ameaça, tem hipótese de ajudar a reforçar a segurança e a prevenir a instabilidade e
os abusos por parte do inimigo sionista e dos seus aliados", acrescentou, referindo-se a Israel.
Irão nomeia novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, nomeou Mohsen Rezaei como novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, em substituição de Mohammad Baqer Zolgadr, horas depois de o líder supremo, Mojtaba Khamenei, o ter designado como seu representante neste órgão.
“Por decreto do Presidente, Mohsen Rezaei foi nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão”, anunciou o vice-chefe das Comunicações da Presidência iraniana, Mehdi Tabatabaei, na noite de domingo.
O responsável explicou, num comunicado, que a nomeação de Rezaei ocorreu depois de Mohammad Baqer Zolgadr se ter demitido do cargo, na sequência da sua designação pelo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, como seu conselheiro político.
Trump quer "declarar vitória e sair": EUA estão a ficar "sem opções" e "sem paciência" no Irão, dizem especialistas
O Irão está bem ciente de que as opções e a paciência de Washington estão a esgotar-se à medida que o conflito se arrasta, e os líderes de Teerão sentem cada vez mais que o presidente Donald Trump procura uma saída, afirmam os analistas.
David Sanger, analista político e de segurança nacional da CNN, afirmou que, à medida que a guerra entra no seu sexto mês, Trump procura qualquer forma de abrir o Estreito de Ormuz: "Declarar que conquistou a vitória e sair."
"Penso que os iranianos percebem certamente que o presidente Trump quer uma saída para este conflito. Que os EUA estão a ficar sem munições, estão a ficar sem opções e, fundamentalmente, estão a ficar sem paciência", disse Sanger à jornalista da CNN Kristie Lu Stout.
"A guerra não tem grande aceitação nas sondagens, mesmo entre os republicanos", acrescentou.
Enviado dos EUA garante que pressão económica vai forçar o Irão a "ceder"
O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, acredita que a operação conduzida pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, está a “devastar” a economia do Irão, podendo levar o regime a fazer algumas cedências à mesa das negociações.
“Neste momento, os iranianos têm mais medo do secretário Bessent do que do secretário [da Defesa] Hegseth”, afirmou, de acordo com a Al Jazeera.
Waltz acrescentou que Teerão está sobretudo preocupado com a “desvalorização” da sua moeda e com o facto de a inflação no país estar “no nível mais alto dos últimos 80 anos”.
“Estão constantemente a pedir acesso a dinheiro, acesso aos seus ativos que congelámos. É essa a pressão. Isso, em conjunto com o bloqueio, é o que acabará por levar os iranianos a ceder”, culminou.
"Continuar a ler este regime teocrático como um regime civil popular, como o português ou norte-americano, é perceber muito pouco do Irão"
O comentador da CNN Portugal Tiago André Lopes analisa o recente vídeo que mostra o aiatola Mojtaba Khamenei vivo e reunido com conselheiros após semanas de dúvidas sobre o seu paradeiro
12 segundos que podem abalar a versão de Israel: Irão divulga alegado primeiro vídeo de Mojtaba Khamenei em público
Tem 12 segundos, não tem áudio e não é indicada a data nem o local onde foi gravado. O Irão divulgou as primeiras imagens do seu líder supremo numa aula religiosa. As imagens surgem depois de vários meios de comunicação israelitas terem noticiado que Khamenei estaria em estado crítico.
Desde o início da guerra, Mojtaba Khamenei não é visto em público e tem comunicado apenas através de declarações escritas. O líder supremo não é visto em público desde que assumiu o cargo, em março.
Irão endurece exigências e petróleo dispara: tensão sobre Estreito de Ormuz faz preços subir
Os preços do petróleo registam uma ligeira subida depois de o Irão apresentar exigências para reabrir o Estreito de Ormuz
Os futuros do petróleo subiram 1,2% no domingo, depois de Teerão ter afirmado que não está a negociar com os Estados Unidos e apresentado uma lista de exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz.
O Brent, referência internacional, subiu cerca de 1,2%, para 84,58 dólares por barril, enquanto o petróleo norte-americano avançou cerca de 1,1%, para 79,28 dólares.
No domingo, o Presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos estão a conduzir as negociações com o Irão de forma discreta.
Teerão exige que os Estados Unidos ponham fim aos ataques contra o Irão e os seus aliados regionais, terminem o bloqueio aos portos iranianos, retirem as forças militares norte-americanas da região em torno do Irão, levantem as sanções, descongelem os ativos iranianos e compensem os danos provocados pela guerra.
Os petroleiros têm tido, em grande parte, dificuldades em atravessar o Estreito de Ormuz desde que o Irão encerrou esta importante via marítima, depois de os combates terem sido retomados em julho. O agravamento das tensões acabou por anular, na prática, o acordo de cessar-fogo assinado em junho, que incluía a reabertura do estreito, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial.
Teerão está a negociar com Omã a aprovação de uma passagem segura pelo estreito, mas já avisou que isso não significa a reabertura da via marítima.
A interrupção dos fluxos de petróleo foi agravada pelo bloqueio efetivo do Estreito de Bab al-Mandeb, que liga o Golfo de Áden e o Oceano Índico ao Mar Vermelho, pelos houthis apoiados pelo Irão. Os rebeldes houthis também atacaram uma refinaria de petróleo saudita na costa do Mar Vermelho.
Os preços da gasolina nos Estados Unidos continuam elevados, acompanhando a tendência registada pelo petróleo. O preço médio nacional de um galão de gasolina era de 4,01 dólares no domingo, menos oito cêntimos do que há uma semana, mas ainda 34,6% acima do valor registado antes do início da guerra.
Entretanto, os futuros das ações abriram praticamente sem alterações.
"Netanyahu está refém de um processo eleitoral e a receita é a mesma". "Temos Governos predadores"
Azeredo Lopes analisa o plano de paz para Gaza, numa altura em que Israel já avisou que não irá fazer o que Trump lhe pediu e retirar do território as suas tropas.
"Vamos ter uns Estados Unidos cada vez menos interventivo no Médio Oriente"
Alberto Cunha analisa a rejeição de Israel da mais recente proposta de Donald Trump para Gaza, salientando que os Estados Unidos "não são um aliado".
"Netanyahu não está disponível para aceitar nem o plano de Donald Trump, o presidente mais amigo de Israel"
Francisco Pereira Coutinho analisa a oposição de Israel ao plano de paz para Gaza proposto por Donald Trump.
"Enquanto grupo terrorista não estiver desarmado é impossível retirada de forças de Gaza"
Helena Ferro Gouveia analisa a recusa de Israel da proposta de Donald Trump para paz em Gaza.