GUERRA NO IRÃO • AO MINUTO | Regresso ao "estado anterior". Estreito de Ormuz volta a encerrar
Televisão iraniana foi atacada por Israel mas já retomou a emissão regular
A televisão estatal iraniana foi atacada por Israel e esteve fora do ar durante alguns minutos, tendo depois retomado a missão, afirma a BBC.
A emissora afirma em texto apresentado no ecrã que todos os seus programas “estão a ser retomados em direto sem qualquer interrupção”. O canal diz ainda que Israel estava a tentar “silenciar a voz da verdade” ao atacá-la.
Este foi o momento do ataque, em que destroços caíram no estúdio:
💔🇮🇷 THIS IS INSANE — Iranian media just got BOMBED BY ISRAEL LIVE ON TV
— Iran Military (@IranMilitary__) June 16, 2025
❌🇮🇱 ISRAEL IS A TERRORIST STATE! pic.twitter.com/1EOvq1GSqj
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Irão diz que Trump "fala demais" e avisa: "Lutaremos até ao último soldado"
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Saeed Khatibzadeh, reagiu com desdém às recentes ameaças de Donald Trump, prometendo retomar os bombardeamentos massivos se não for alcançado um acordo até à próxima quarta-feira.
À margem do Fórum Diplomático de Antália, na Turquia, o diplomata iraniano afirmou que o presidente norte-americano "fala demais" e que as suas declarações são frequentemente "contraditórias".
Khatibzadeh sublinhou que Teerão não vê na guerra qualquer resultado positivo, mas garantiu que o país está preparado para manter a sua "defesa nacional heroica" perante qualquer agressão. "Lutaremos até ao último soldado iraniano", afirmou o oficial, reforçando a retórica de resistência do regime num momento em que Trump ameaça destruir "toda a civilização" iraniana e infraestruturas civis como centrais elétricas e pontes.
Regresso ao "estado anterior". Estreito de Ormuz volta a encerrar
O Estreito de Ormuz regressou ao seu "estado anterior", ou seja, volta a estar encerrado, anunciou este sábado o Irão.
Em comunicado, o comando militar conjunto do Corpo da Guarda Revolucionária (IRGC, na sigla inglesa) refere que o controlo do Estreito de Ormuz "regressou ao seu estado anterior" devido ao bloqueio contínuo dos portos iranianos por parte dos EUA.
Numa declaração citada pela emissora iraniana IRIB, o comando do IRGC adianta que os EUA têm "prosseguido com atos de pirataria e roubo marítimo sob o pretexto de um chamado bloqueio".
"Por esta razão, o controlo do Estreito de Ormuz regressou ao seu estado anterior, e esta via navegável estratégica encontra-se agora sob gestão e controlo rigorosos por parte das forças armadas", é destacado na comunicado.
"Até que os Estados Unidos restaurem a plena liberdade de navegação para os navios que viajam do Irão para os seus destinos e de regresso, o estatuto do Estreito de Ormuz permanecerá sob controlo rigoroso e na sua condição anterior."
Irão afirma ter desmantelado células de espionagem ligadas aos EUA, Israel e Reino Unido
A Guarda Revolucionária do Irão (IRGC) anunciou o desmantelamento de várias "células" de espionagem alegadamente financiadas e coordenadas pelos serviços secretos americanos, israelitas e Reino Unido.
Segundo a agência de notícias Fars, os grupos estariam envolvidos em missões de espionagem, criação de redes de influência e no incitamento à desordem civil dentro do território iraniano.
As operações de captura ocorreram nas províncias de Azerbaijão Oriental, Kerman e Mazandaran. O braço de inteligência da IRGC alega que estes agentes tinham como objetivo desestabilizar o país num momento em que Teerão enfrenta uma pressão externa sem precedentes e um "apagão" digital que já dura há mais de três semanas.
Espaço aéreo do Irão parcialmente reaberto a voos internacionais
O espaço aéreo do Irão reabriu parcialmente este sábado, após sete semanas fechado devido ao conflito com os Estados Unidos e Israel, anunciou a Autoridade de Aviação Civil iraniana, segundo a agência de notícias Tasnim.
"Os corredores aéreos na região leste do país estão abertos para voos internacionais", anunciou a Autoridade de Aviação Civil do Irão, acrescentando que a reabertura ocorreu às 07:00 locais (04:30 em Lisboa).
A organização indicou que as operações serão retomadas gradualmente e que voos internacionais estão autorizados a transitar pelo espaço aéreo iraniano em rotas localizadas no leste do país.
A Autoridade de Aviação Civil iraniana também informou que a retoma completa das operações dependerá da prontidão técnica e operacional dos setores civil e militar responsáveis pela gestão aeroportuária.
A reabertura foi decidida após uma avaliação das condições de segurança pelo comité de coordenação civil e militar.
O espaço aéreo iraniano foi fechado após o início do bombardeamento de Israel e dos Estados Unidos da América, no dia 28 de fevereiro, que se estendeu por 39 dias consecutivos, até a entrada em vigor de um cessar-fogo de duas semanas, em 08 de abril, que expira na próxima quarta-feira.
Israel impõe "Linha Amarela" no Líbano e proíbe regresso de civis a 55 aldeias
O exército de Israel (IDF) anunciou este sábado a criação de uma "linha amarela" no sul do Líbano, uma zona de exclusão que impede o regresso de residentes às áreas atualmente ocupadas pelas suas tropas.
Segundo oficiais de alta patente, o modelo é uma cópia direta da estratégia aplicada na Faixa de Gaza, onde uma linha idêntica delimita as zonas sob controlo militar israelita, inacessíveis à população civil.
A medida afeta diretamente 55 aldeias libanesas situadas dentro desta zona operacional. Apesar do cessar-fogo de 10 dias que entrou em vigor na passada quinta-feira, as IDF confirmaram que têm autorização para continuar a destruir "infraestruturas terroristas" dentro deste perímetro.
Trump diz que mantém bloqueio a portos iranianos se não for alcançado acordo
O Presidente norte-americano declarou que o bloqueio aos portos iranianos é para manter se não for alcançado um acordo de paz com Teerão, acrescentando que pode não prorrogar o cessar-fogo, que termina na quarta-feira.
EUA prorrogam suspensão da maioria das sanções contra petróleo russo
Washington prorrogou a suspensão da maioria das sanções contra a indústria petrolífera russa, numa decisão que surge num momento em que a retoma do tráfego no estreito de Ormuz está a provocar a queda nos preços do petróleo.
A decisão do Departamento do Tesouro norte-americano, em vigor a partir de hoje e até 16 de maio, diz respeito a todas as operações relacionadas com o embarque e a entrega de petróleo proveniente da Rússia, e aplica-se igualmente à chamada "frota fantasma russa" - embarcações clandestinas que permitem a Moscovo exportar petróleo e contornar as sanções ocidentais.
As transações com Irão, Coreia do Norte, Cuba, bem como com as regiões ucranianas ocupadas, incluindo a Crimeia, continuam proibidas.
O Governo norte-americano já tinha levantado temporariamente as sanções relativas ao petróleo russo armazenado no mar, com o objetivo de atenuar a subida vertiginosa dos preços do petróleo.
Mas o secretário do Tesouro, Scott Bessent, garantiu na quarta-feira que esta suspensão não seria prolongada para além do período inicial.
"Não renovaremos a licença relativa ao petróleo russo", afirmou numa conferência de imprensa.
O Governo norte-americano impõe sanções sobre os recursos petrolíferos da Rússia e do Irão, a fim de esgotar as receitas das autoridades desses países. O objetivo é punir Moscovo pela invasão da Ucrânia e o Irão pelo programa nuclear e financiamento de grupos armados como o Hezbollah libanês.
Mas Washington implementou em março uma isenção temporária para que o petróleo destes países pudesse ser vendido, a fim de moderar a subida vertiginosa dos preços na sequência da guerra no Irão.
Trump afirma que Xi está "muito satisfeito" com reabertura de estreito de Ormuz
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o homólogo chinês, Xi Jinping, está "muito satisfeito" com a reabertura do estreito de Ormuz, prevendo um encontro entre dois líderes em Pequim "especial e histórico".
"O Presidente Xi está muito satisfeito com o facto de o estreito de Ormuz estar aberto ou em rápida abertura", escreveu Trump numa publicação na rede Truth Social, da qual é proprietário.
Além disso, o líder norte-americano referiu que o próximo encontro com Xi Jinping em Pequim vai ser "especial e, possivelmente, histórico", e garantiu que espera concretizar avanços significativos na relação bilateral.
O estreito de Ormuz é fundamental para a China, uma vez que cerca de metade das importações de petróleo do país asiático transitam por essa rota, enquanto cerca de 80% do petróleo bruto que passa pelo estreito se destina à Ásia, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE).
Tóquio promete "todas as medidas possíveis ao alcance" do Japão em relação a Ormuz
A primeira-ministra japonesa reiterou o compromisso de adotar "todas as medidas possíveis ao alcance" de Tóquio, após Londres ter anunciado a criação de uma missão defensiva multinacional para restaurar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz.
"O Japão continuará a trabalhar em estreita colaboração com a comunidade internacional, incluindo os países e organizações internacionais envolvidos, e mantém o compromisso de adotar todas as medidas possíveis ao seu alcance", disse Sanae Takaichi numa reunião virtual de líderes sobre a navegação no estreito de Ormuz, organizada na sexta-feira por França e Reino Unido.
Takaichi expressou reconhecimento pelas iniciativas empreendidas por Paris e Londres, enfatizando que "é fundamental" que a estabilidade seja restabelecida na passagem estratégica "o mais rapidamente possível" e que seja garantida a liberdade e a segurança de navegação para os navios de todos os países.
Teerão afirma que negociações com EUA já não se centram na questão nuclear
O presidente do parlamento iraniano afirmou que as negociações com os Estados Unidos já não estão centradas na questão nuclear mas no fim da guerra e num quadro mais amplo de questões regionais.
Mohammad Bagher Ghalibaf disse na sexta-feira que os contactos entre Washington e Teerão em Islamabade, com a mediação paquistanesa e a participação do vice-presidente norte-americano, JD Vance, representaram uma transformação na natureza do diálogo.
"As negociações anteriores estavam centradas na questão nuclear, mas agora estão orientadas para o fim da guerra e, naturalmente, o âmbito dos temas de conversa alargou-se e diversificou-se", notou.
Neste sentido, sublinhou que já "não existe qualquer ambiguidade relativamente a nenhuma das áreas ou temas de negociação", após os encontros dos últimos dias, nos quais as partes expuseram as posições que defendem "de forma muito clara e detalhada".
"A negociação sobre o fim total da guerra (...) tem vários elementos sobre os quais se dialogou", indicou, antes de destacar a importância de um plano para o levantamento das sanções, compensações por danos e garantias de que o conflito termine de forma definitiva.
Trump volta a afirmar que o acordo com o Irão implicaria que os EUA ficassem com material nuclear
Donald Trump afirmou esta sexta-feira que um acordo de paz com o Irão implicaria que os EUA assumissem o controlo do material nuclear do país, delineando os pontos principais do potencial acordo perante uma multidão num comício no Arizona.
"Estamos a dar-nos bem. Mas quem sabe? Quem é que sabe com quem quer que seja? Mas quem sabe com o Irão em particular", disse Trump à multidão em Phoenix. "Este processo deverá avançar muito rapidamente, agora que a maioria dos pontos já foi negociada e acordada. Vão ficar muito felizes."
Trump afirmou que o acordo implicaria que os Estados Unidos assumissem o controlo do material nuclear – um ponto que as autoridades iranianas têm contestado.
"Os EUA ficarão com todo o pó nuclear. Sabem o que é o pó nuclear? É aquela substância branca e pulverulenta criada pelos nossos bombardeiros B-2… Íamos levá-la de qualquer forma", disse, acrescentando: "mas levá-la, levá-la dessa forma, é um pouco mais perigoso."
O presidente afirmou ainda que o Irão, "com a ajuda dos EUA", está a remover "todas as minas marítimas". Afirmou que Teerão concordou, "acima de tudo", em "nunca possuir uma arma nuclear. Eles nunca terão uma arma nuclear."
"Acredito que o preço dos combustíveis venha a descer ainda mais nas próximas semanas" com a reabertura do Estreito de Ormuz
O economista Carlos Daniel Santos alerta ainda que, "à medida que o preço do petróleo desce, os Governos que tiveram medidas de alívio para a subida dos preços deverão retirar as medidas".
"Poderá haver acordo com Irão caso os EUA consigam dois objetivos". E um deles passa por "coagir Israel"
Alberto Cunha, comentador da CNN Portugal, faz uma antevisão das negociações entre EUA e Irão que acontecem na próxima segunda-feira, em Islamabad.
Nova ronda de negociações "poderá servir como uma manobra para que os EUA ganhem tempo para fazerem uma ação decisiva sobre o Irão"
O major-general Agostinho Costa defende que, tendo em conta todas as rondas anteriores, "não devemos estar otimistas" para as negociações de segunda-feira entre EUA e Irão, em Islamabad.
Acordo entre EUA e Irão "está preso por cordelinhos" e "tem várias minas pelo caminho"
António José Telo, antigo presidente do Instituto da Defesa Nacional, defende ainda que "há claramente um vencedor da crise no Médio Oriente": Israel.
"As minas colocadas pelo Irão no Estreito de Ormuz não estão num lugar fixo e movimentam-se com a maré"
Francisco Proença Garcia, especialista em geopolítica, acredita que é uma boa notícia a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irão esta sexta-feira, mas deixa um aviso: "Está minado".
Trump não crê "que haja diferenças muito significativas" entre EUA e Irão nas negociações
Donald Trump mostrou-se otimista quanto às negociações em curso com o Irão durante as suas primeiras declarações perante as câmaras esta sexta-feira, dizendo aos jornalistas que as conversações iriam prosseguir durante o fim de semana.
"Tivemos algumas conversações muito positivas… e fizemos um bom trabalho, mas vamos ver. As conversações estão a decorrer e vão continuar durante o fim de semana", afirmou Trump após aterrar em Phoenix, antes de discursar num evento da Turning Point USA.
"Estão a acontecer muitas coisas boas, e isso inclui também o Líbano", acrescentou.
Questionado sobre as declarações de responsáveis iranianos de que continuam a existir diferenças significativas, Trump minimizou as divergências. "Não creio que haja diferenças muito significativas", afirmou.
Quanto ao futuro do bloqueio norte-americano aos portos iranianos, Trump afirmou que este terminaria assim que fosse "assinado um acordo".
Próxima ronda de negociações entre os EUA e o Irão terá lugar no Paquistão na segunda-feira, dizem fontes iranianas
Está prevista para segunda-feira, em Islamabad, no Paquistão, uma nova ronda de reuniões entre negociadores iranianos e norte-americanos, segundo autoridades iranianas a par das negociações. Estas autoridades referiram ainda que esperavam que os negociadores chegassem a Islamabad no domingo.
Memorando entre Irão e EUA define prazo de 60 dias para negociar
O New York Times avança que Irão e EUA estão a finalizar um memorando de três páginas para definir a estrutura das negociações de paz.
Três fontes iranianas a par das conversações disseram que os dois países terão 60 dias para negociar uma paz duradoura.
EUA impõem sanções a sete comandantes de milícias iraquianas aliadas ao Irão
A administração Trump impôs esta sexta-feira sanções a sete comandantes de milícias alinhadas com o Irão no Iraque, que, segundo afirmou, são "responsáveis pelo planeamento, direção e execução de ataques contra pessoal, instalações e interesses dos EUA".
As sanções visam militantes das milícias Kataib Hezbollah, Harakat al-Nujaba, Kata’ib Sayyid al-Shuhada e Asaib Ahl Al-Haq, todas ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica do Irão.
"A ação de hoje envia uma mensagem clara: aqueles que facilitam ou apoiam a violência destas milícias enfrentarão consequências. Apelamos às autoridades iraquianas para que tomem medidas imediatas para desmantelar estes grupos e impedir que utilizem o território iraquiano para conduzir atividades terroristas que desestabilizem a região", afirmou o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Tommy Pigott, numa declaração esta sexta-feira.
As sanções não estão ligadas a nenhum ataque específico, mas surgem num momento em que milícias apoiadas pelo Irão no Iraque têm atacado agressivamente instalações norte-americanas desde o início da guerra dos EUA contra o Irão.