UCRÂNIA AO MINUTO | Drones ucranianos voltam a atacar uma das maiores refinarias da Rússia
GUIA RÁPIDO DE LEITURA
-
Zelensky acusa europeus de chantagem com oleoduto russo para a Hungria
-
Drones ucranianos voltam a atacar uma das maiores refinarias da Rússia
-
UE prorroga sanções contra indivíduos e entidades russas por seis meses
-
Ataque russo destrói casas em Zaporizhzhia, faz uma vítima mortal e 11 feridos
-
Líder parlamentar iraniano declara Ucrânia como "alvo legítimo"
-
Ucrânia reivindica ataque "bem-sucedido" contra dois navios russos no estreito de Kerch
Navalny: Amnistia pede investigação e denuncia perseguição a apoiantes do opositor morto há dois anos
A organização Amnistia Internacional instou hoje a comunidade internacional a reclamar uma investigação independente à morte do opositor russo Alexei Navalny numa prisão, há dois anos, denunciando a perseguição das autoridades russas aos seus apoiantes.
“Passaram-se dois anos desde que Alexei Navalny, prisioneiro de consciência e uma das vozes mais destemidas contra a corrupção e a repressão estatal na Rússia, morreu, numa remota colónia penal no Círculo Polar Ártico. É desprezível que as autoridades russas continuem a encobrir os factos da sua morte, enquanto travam uma campanha implacável para apagar o seu legado e perseguir os seus apoiantes”, afirmou a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, num comunicado.
O comunicado da Amnistia Internacional foi divulgado com embargo e antes da publicação, no sábado, de um comunicado conjunto de cinco países europeus (Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Países Baixos) que avançou que Navalny morreu envenenado com uma toxina mortal encontrada em sapos-dardo da América do Sul.
Os países sublinharam que os respetivos governos chegaram a esta conclusão com base em amostras laboratoriais recolhidas do corpo de Navalny, que confirmaram conclusivamente a presença da neurotoxina epibatidina.
Em reação, a Rússia classificou como “necropropaganda” e “ultraje aos mortos” as acusações dos governos dos cinco países ocidentais.
Navalny morreu em 16 de fevereiro de 2024, aos 47 anos, numa colónia penal no Ártico, para onde tinha sido transferido em dezembro, depois de ter estado numa prisão na região de Vladimir, a menos de 200 quilómetros de Moscovo.
Na altura, cumpria uma pena de 19 anos de prisão por várias condenações penais, incluindo extremismo.
Para a organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos, o segundo aniversário da morte do opositor “deve servir de lembrete de que a responsabilidade pela morte de Alexei Navalny sob custódia continua a ser do Estado russo”.
“Apelamos à comunidade internacional para que se pronuncie a favor de uma investigação internacional independente para garantir a responsabilização pela sua morte”, pediu Callamard.
No comunicado, a Amnistia Internacional também acusa as autoridades russas de procurarem destruir o movimento criado por Navalny, “criminalizando a sua Fundação Anticorrupção (FBK), processando os seus apoiantes e punindo até mesmo as mais pequenas manifestações de memória e solidariedade”.
De acordo com a ONG, o regime abriu “mais de 100 processos criminais por alegadas doações à FBK, que foi arbitrariamente designada como uma organização ‘extremista’ e, mais recentemente, ‘terrorista’”.
Só no ano passado, 96 pessoas foram processadas, “muitas vezes por doações que variaram de 100 a 14.000 rublos” (de um a cem euros, aproximadamente). Em oito casos, os tribunais impuseram penas de prisão que variaram de três meses a cinco anos, com um caso a resultar numa pena de 12 anos de prisão, relatou a organização no comunicado.
A perseguição dos simpatizantes, acrescentou, “está a crescer em escala e ferocidade a cada ano”.
“Sob a nova designação de ‘terrorista’, os apoiantes podem enfrentar sanções ainda mais severas, incluindo prisão perpétua”, alertou ainda Agnès Callamard.
A responsável da Amnistia Internacional reclamou a libertação “imediata e incondicional de todas as pessoas que foram presas apenas pela sua associação com Alexei Navalny ou o seu trabalho e anular as suas condenações injustas”.
“Apelamos também aos Estados e às organizações internacionais para que levantem publicamente casos individuais, apoiem os esforços internacionais de monitorização e responsabilização e proporcionem proteção internacional, incluindo asilo, aos apoiantes de Navalny que enfrentam o risco de perseguição criminal por motivos políticos na Rússia”, disse a secretária-geral da organização.
Entre os detidos estão os advogados de Alexei Navalny – Aleksei Liptser, Vadim Kobzev e Igor Sergunin – bem como quatro associados, ou os profissionais da comunicação social Antonina Favorskaya, Sergei Karelin, Konstantin Gabov e Artyom Kriger.
Siga ao minuto:
Ucrânia planeia reforçar a proteção contra drones em 600 quilómetros de estradas na linha da frente
A Ucrânia planeia instalar redes de proteção antidrone em cerca de 600 quilómetros de estradas na linha da frente, cruciais para a logística militar e evacuação médica, revelou o vice-primeiro-ministro Oleksii Kuleba, citado pelo Kiev Independent.
Kuleba disse que as rotas protegidas incluirão corredores logísticos importantes utilizados para abastecer as forças ucranianas e evacuar os soldados feridos.
O projeco está a ser coordenado pelos ministérioa das Infra-estruturas, da Defesa e da Saúde, que identificaram em conjunto as rotas logísticas prioritárias e os corredores de evacuação que necessitam de protecção adicional.
A iniciativa exigirá mais de 12,8 mil milhões de hryvnias (300 milhões de dólares), disse Kuleba.
Países nórdicos e Canadá sublinham necessidade de proteger Ártico face à ameaça russa
Os líderes da Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca, Islândia e Canadá manifestaram hoje, após uma reunião destinada a reforçar a cooperação entre os seus países, a necessidade de proteger a região do Ártico face à ameaça russa.
Zelensky acusa europeus de chantagem com oleoduto russo para a Hungria
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou os aliados europeus de chantagem por pressionarem Kiev a reparar o oleoduto Druzhba, que transporta petróleo russo, numa disputa que envolve a Hungria.
“Estão a forçar-me a restabelecer o Druzhba”, declarou Zelensky a um grupo de jornalistas no sábado, com embargo até hoje.
Zelensky disse que a reparação do oleoduto está a ser condicionada a um empréstimo de 90 mil milhões de dólares (78 mil milhões de euros, ao câmbio atual), bloqueado pela Hungria, destinado à compra de armas para a Ucrânia.
“Disse aos nossos amigos na Europa que isso se chama chantagem”, afirmou o líder ucraniano perante um grupo de jornalistas, incluindo da agência de notícias francesa AFP.
A Ucrânia declarou-se, contudo, disposta a trabalhar com qualquer dirigente húngaro que “não seja um aliado” de Vladimir Putin, a poucas semanas das eleições legislativas na Hungria que poderão ditar uma mudança de governo.
“Trabalharemos com qualquer líder na Hungria (...), desde que essa pessoa não seja um aliado de Putin”, afirmou o Presidente ucraniano.
Zelensky acusou o atual Governo ultranacionalista de Viktor Orbán de “difundir um sentimento anti-ucraniano” e de utilizar conselheiros de comunicação russos na campanha eleitoral.
Afirmou ainda que a Ucrânia não quer perder o apoio norte-americano devido à crise no Médio Oriente, onde os Estados Unidos e Israel têm em curso uma guerra contra o Irão desde 28 de fevereiro.
“Demonstramos a nossa vontade de ajudar os Estados Unidos e os seus aliados no Médio Oriente”, oferecendo a experiência ucraniana em drones, referiu.
“Esperamos muito que, devido ao Médio Oriente, os Estados Unidos não se afastem da questão da guerra na Ucrânia”, disse Zelensky, cujo país enfrenta uma invasão da Rússia desde fevereiro de 2022.
Para combater as tropas russas, a Ucrânia tem contado com apoio financeiro e em armamento dos aliados ocidentais, sobretudo a União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos.
Drones ucranianos voltam a atacar uma das maiores refinarias da Rússia
As autoridades da região de Krasnodar, no sul da Rússia, anunciaram hoje que drones ucranianos voltaram a atacar, pela segunda vez numa semana a refinaria de Tikhoretsk-Nafta, uma das maiores da Rússia.
As autoridades regionais informaram que fragmentos de drones abatidos pelas defesa aéreas causaram um incêndio nas instalações, embora não haja relatos de feridos, segundo agências de notícias russas.
O ataque danificou ainda duas linhas de transmissão de alta tensão numa cidade situada a mais de 120 quilómetros da capital da região de Krasnodar, a cidade com o mesmo nome.
Drones ucranianos já tinham provocado na quinta-feira um grande incêndio na refinaria, considerada um dos pontos de transbordo de petróleo mais importantes da Rússia.
Irão avança com ofensivas "legítimas" de mísses contra corpos marítimos americanos
A resposta militar do Irão é desigual, mas nem por isso menos destrutiva. Vários mísseis caíram este sábado sobre Israel e a embaixada americana no Iraque foi atacada. Há também registo de várias explosões em instalações petrolíferas ao longo do golfo pérsico.
Património mundial da UNESCO "de valor inestimável" no Irão "em ruínas" depois de ataques
A UNESCO já lançou o alerta: a guerra está a atingir património histórico "de valor inestimável" nos países do Golfo. A organização dá o exemplo do Irão, onde quatro dos monumentos que são património mundial já foram danificados.
"Queremos um futuro em paz": manifestação pelo fim da guerra no Irão reúne centenas de pessoas
Centenas de pessoas juntaram-se este sábado no Porto e em Lisboa para uma manifestação contra os bloqueios e ameaças dos Estados Unidos. Pediram fim à guerra no Irão e que Donald Trump seja travado na intenção de continuar a intervir em Cuba.
Irão ameaça transformar num "monte de cinzas" empresas americanas na região do Médio Oriente se Trump atacar instalações energéticas
À terceira semana de guerra com o Irão, os Estados Unidos dizem que vários países vão enviar navios de guerra para garantir o uso seguro do Estreito de Ormuz. Depois de atacar a ilha de Kharg, Trump continua a ameaçar atacar instalações energéticas. Se tal acontecer, diz o Irão, todas as empresas ligadas aos americanos na região acabarão como um monte de cinzas.
"O Reino Unido gasta mais dinheiro na compra de petróleo russo desde o início da guerra do que gasta em apoios à Ucrânia"
A comentadora da CNN Portugal Diana Soller analisa os efeitos da decisão de Donald Trump de levantar temporariamente as sanções norte-americanas à Rússia.
"Absurdo": Kiev responde a político iraniano que considerou a Ucrânia um "alvo legítimo"
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia emitiu uma resposta depois de o político iraniano Ebrahim Azizi ter afirmado que o território ucraniano é um "alvo legítimo do Irão.
Numa publicação nas redes sociais, Azizi ameaçou a Ucrânia por fornecer apoio de defesa aérea a países do Médio Oriente que têm sido atacados com drones iranianos. A Ucrânia, que tem anos de experiência a repelir drones Shahed de fabrico iraniano, ofereceu-se para auxiliar os aliados depois de os ataques EUA-Israel contra o Irão terem desencadeado uma nova onda de violência na região.
Ao prestar este apoio, "a Ucrânia envolveu-se efetivamente na guerra e, de acordo com o artigo 51.º da Carta das Nações Unidas, transformou todo o seu território num alvo legítimo para o Irão", escreveu Azizi.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia classificou a ameaça como "absurda" numa declaração do porta-voz Heorhii Tykhyi à imprensa, citada pelo KIev Independent.
"O regime iraniano apoia o assassínio de ucranianos há anos, partilhando diretamente drones e tecnologia para a agressão russa contra a Ucrânia", disse Tykhyi. "Nesse sentido, ouvir alguém deste regime ameaçar a Ucrânia e citar o direito à autodefesa consagrado no artigo 51.º da Carta da ONU é absurdo. É como ouvir um assassino em série justificar os seus crimes citando o código penal."
UE prorroga sanções contra indivíduos e entidades russas por seis meses
O Conselho da União Europeia (UE) concordou hoje em prorrogar por mais seis meses as sanções direcionadas a indivíduos e entidades russas por minarem a soberania e a integridade territorial da Ucrânia.
O Conselho da UE removeu também sete pessoas da lista, cinco das quais já faleceram.
Os 27 Estados-membros renovaram unanimemente as sanções antes do prazo final de domingo, que permanecerão em vigor até 15 de setembro de 2026. Assim, as medidas restritivas contra cerca de 2.600 indivíduos e entidades jurídicas permanecem em vigor em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia, segundo indicaram em comunicado.
Desta vez, os Estados-membros da UE decidiram remover da lista duas pessoas, cujos nomes ainda são desconhecidos, além dos cinco falecidos.
As sanções incluem restrições de viagem para os indivíduos, congelamento de bens e proibição de disponibilizar fundos ou outros recursos económicos aos indivíduos e entidades incluídos na lista.
"A UE permanece firmemente determinada em manter e aumentar a pressão sobre a Rússia para que cesse a sua brutal guerra de agressão e inicie negociações de paz significativas", lê-se no comunicado.
Ataque russo destrói casas em Zaporizhzhia, faz uma vítima mortal e 11 feridos
A Rússia atacou esta tarde uma área residencial em Zaporizhzhia, matando um homem e ferindo outras 11 pessoas, informou o governador Ivan Fedorov, citado pelo Kiev Independent.
Uma das vítimas feridas, um jovem de 17 anos, está em estado grave após o ataque.
Um homem morreu no ataque. Outros três homens e oito mulheres — incluindo a vítima adolescente — ficaram feridos.
Duas vítimas ficaram presas sob os escombros e foram resgatadas pelas equipas de emergência, informou o governador.
Líder parlamentar iraniano declara Ucrânia como "alvo legítimo"
O presidente da Comissão de Segurança Nacional do parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, acusou hoje a Ucrânia de se envolver na guerra contra o seu país, tornando-se num "alvo legítimo" ao fornecer drones a Israel.
"Ao prestar apoio com drones ao regime israelita, a Ucrânia, que já não tem poder, envolveu-se de facto na guerra e, de acordo com a Carta da ONU, tornou todo o seu território num alvo legítimo para o Irão", considerou o parlamentar iraniano nas redes sociais, quando se assinalam hoje duas semanas desde o início da ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica.
Ucrânia reivindica ataque "bem-sucedido" contra dois navios russos no estreito de Kerch
A agência de inteligência militar da Ucrânia (HUR) afirmoa ter atacado com sucesso duas embarcações russas que transportavam armas e equipamento militar através do Estreito de Kerch.
A agência descreveu ambos os navios como uma "peça fundamental" do serviço de ferry de Kerch, utilizado para fornecer munições e equipamento às forças russas que combatem a Ucrânia, refere o comunicado, citado pelo Kiev Independent.
No âmbito da mesma operação, as forças militares ucranianas atacaram as infraestruturas do Porto de Kavkaz, no Krai de Krasnodar, na Rússia. A HUR afirmou que a Rússia tem utilizado o porto para sustentar operações militares contra a Ucrânia.
O Estado-Maior da Ucrânia confirmou o ataque, reportando danos nas infraestruturas portuárias.
Empresa Ukrenergia anuncia cortes de energia após novo ataque russo
A empresa de energia ucraniana Ukrenergo anunciou hoje restrições ao consumo de energia no país, após o ataque russo contra a Ucrânia ocorrido na noite desta sexta-feira para sábado.
Zelensky denuncia novos ataques russos com quatro mortos em Kiev
A Rússia efetuou hoje um novo ataque em grande escala contra a Ucrânia que causou pelo menos quatro mortos e 15 feridos na área de Kiev, denunciou o Presidente Volodymyr Zelensky.
Crise energética após guerra na Ucrânia deixou indústria europeia em desvantagem
O aumento dos custos da energia na Europa após a crise desencadeada pela guerra na Ucrânia, em 2022, penalizou a competitividade da indústria do continente face aos Estados Unidos e a várias economias asiáticas, segundo especialistas.
O economista João Borges de Assunção explicou à Lusa que “o diferencial de custos energéticos pós-2022, com gás mais caro e volátil, penalizou a indústria europeia face aos EUA e a vários países asiáticos”.
O professor na Universidade Católica Portuguesa acrescentou que o modelo energético europeu continua vulnerável a choques externos, sobretudo em economias importadoras, como a europeia.
“A melhor defesa para este tipo de choques sistémicos na economia global é uma economia flexível, dinâmica, autónoma do Estado e diversificada”, defendeu.
Também Ricardo Cabral considera que as decisões tomadas após a invasão da Ucrânia agravaram a competitividade da economia europeia.
Segundo o professor do ISEG — Instituto Superior de Economia e Gestão, “ao sancionar gás natural e petróleo russos é evidente que estamos a prejudicar a indústria e a atividade económica da União Europeia”.
“Embora tradicionalmente os EUA importem pouco petróleo da Rússia (precisamente porque não são geograficamente próximos da Rússia), continuaram sempre, desde 2022, a importar urânio desse país para as suas centrais nucleares”, lembrou.
E acrescentou: “Aliás, os dirigentes da União Europeia estão agora em tal pânico que já falam em revogar as sanções à Rússia e em voltar a importar gás natural e petróleo russos. E os EUA já levantaram as sanções às importações de combustível da Rússia”.
Para o economista, estas medidas contribuíram para aumentar os preços da energia e a inflação no continente entre 2022 e 2025.
A crise energética também teve efeitos na transição energética europeia.
De acordo com Ugnė Keliauskaitė, analista do Bruegel, a União Europeia aumentou a quota de energias renováveis na produção de eletricidade de 37% em 2021 para 48% em 2025.
No entanto, a responsável do ‘think tank’, ou centro independente de investigação e análise de políticas públicas, alerta que os avanços na redução da dependência de combustíveis fósseis continuam limitados, sublinhando que “o progresso na redução da procura de combustíveis fósseis continua a ser insuficiente”.
A investigadora acrescenta que a dependência de combustíveis fósseis mantém a Europa vulnerável a novos aumentos de preços quando os mercados globais de energia se tornam mais restritos.
“Nestas condições, quaisquer choques adicionais podem agravar a situação, como fenómenos meteorológicos extremos que afetem infraestruturas energéticas ou um inverno excecionalmente frio que aumente a procura”, assinalou.
Já João Borges de Assunção diz que a crise acelerou "politicamente" a transição energética na Europa "com metas e reformas de mercado", mas "tornou-a mais cara e frágil".
"A União Europeia precisa de rever as suas políticas energéticas e ambientais", o que, na sua visão, "só será possível com um governo alemão forte e com capacidade de liderança nesta área. Isso ainda não aconteceu".
Para Ricardo Cabral, a "guerra Rússia-Ucrânia veio por a nu que a transição energética da UE tinha outros objetivos políticos que não o combate ao aquecimento global".
"Se tivesse algum dia sido prioritário, nunca se teria sancionado o gás natural russo" e "também se teriam encetado negociações com a Ucrânia e com a Rússia tendo em vista um acordo de paz e ter-se-ia apelado aos EUA e a Israel para não iniciar a guerra com o Irão, em vez de apoiar explicitamente ou tacitamente a continuação dos dois conflitos bélicos", defendeu.
A escalada que tem sido registada nos preços da energia reflete o agravamento da situação no Médio Oriente após o ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irão, a 28 de fevereiro, e o encerramento do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo e quase 20% do gás natural liquefeito (GNL).
Rússia declara bisneta do líder soviético Nikita Khrushchev como "agente estrangeira"
O Ministério da Justiça russo declarou sexta-feira Nina Khrushchev, professora numa universidade norte-americana e bisneta do líder soviético Nikita Khrushchev, como "agente estrangeira".
De acordo com o comunicado oficial, Khrushchev disseminou informações falsas sobre as ações das autoridades russas, manifestou-se contra a "operação militar especial" na Ucrânia e colaborou com outros "agentes estrangeiros", participando na divulgação de materiais informativos.
Khrushchev, nascida em Moscovo duas semanas depois de o seu bisavô ter deixado o poder, em outubro de 1964, tem sido bastante crítica em relação à guerra na Ucrânia e ao chefe do Kremlin, Vladimir Putin.
Residente nos EUA desde 1991, ano da dissolução da União Soviética, é atualmente professora de relações internacionais numa universidade de Nova Iorque.
Em 2024, publicou o livro "Nikita Khrushchev: Um Líder Fora do Sistema" em russo, aludindo ao líder soviético que iniciou o degelo tanto dentro como fora do país, e denunciando o culto da personalidade em torno do seu antecessor, Josef Estaline.
Khrushchev, que ocupou o cargo de secretário-geral da URSS desde a morte de Estaline em 1953 até à sua demissão em 1964, é acusado pelos ultranacionalistas de ter entregue ilegalmente a península da Crimeia à então República Socialista Soviética da Ucrânia em 1954.
Pelo menos três mortos em ataque russo contra a região de Kiev
Pelo menos três pessoas morreram num ataque maciço da Rússia contra a região de Kiev, anunciou hoje a administração militar da capital da Ucrânia.
"O inimigo está a lançar um ataque maciço contra a região de Kiev com recurso a drones e mísseis", disse o chefe da administração militar da região de Kiev, Mykola Kalashnyk.
"O número de mortos na região de Kiev subiu para três", acrescentou, numa mensagem publicada na plataforma Telegram.
Numa mensagem anterior, Kalashnyk tinha mencionado a existência de cinco feridos.
Os ataques noturnos tiveram como alvo uma residência de estudantes, instalações industriais, armazéns e edifícios residenciais, disse o dirigente militar.
A Força Aérea da Ucrânia tinha emitido, pouco antes, um alerta dando conta de vários mísseis a voar em direção a Kiev.
Os ataques surgem um dia depois do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter avisado que a decisão dos Estados Unidos (EUA) de flexibilizar as sanções sobre as vendas de petróleo russo vai fortalecer Moscovo e não contribui para a paz.
“O levantamento das sanções irá, em todo o caso, levar a um reforço da posição da Rússia”, disse Zelensky durante uma conferência de imprensa com o homólogo francês, Emmanuel Macron, em Paris.
“Esta flexibilização por parte dos Estados Unidos poderá render à Rússia cerca de 10 mil milhões de dólares [cerca de 8,7 mil milhões de euros] para a guerra. Isto certamente não contribui para a paz”, acrescentou o líder ucraniano.
"Nem sequer o argumento de que a guerra está perdida pode ser invocado pelos EUA para retirar as sanções ao petróleo russo"
José Azeredo Lopes, comentador da CNN Portugal, analisa o impacto da decisão de Donald Trump de retirar as sanções ao petróleo russo, nomeadamente a reação europeia