GUERRA AO MINUTO | UE quer missão na Ucrânia para saber o que se passa afinal com o oleoduto Druzhba
GUIA RÁPIDO DE LEITURA
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"Este não é o momento para relaxar as sanções à Rússia", diz Von der Leyen
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Ucrânia pronta para novas negociações de paz "a qualquer momento", diz Zelensky
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Gazprom diz que foi alvo de ataque ucraniano, incluindo a estação que serve o gasoduto TurkStream
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"Esperemos que não estejam a partilhar", diz Witkoff, depois de a Rússia ter negado estar a fornecer informações secretas ao Irão
Japão sublinha "aprofundamento da cooperação" com NATO e anuncia apoio à Ucrânia
Tóquio anunciou hoje ter manifestado à NATO as expectativas de um "aprofundamento da cooperação" com a Aliança Atlântica e a disponibilidade para um reforço do apoio do Japão à Ucrânia.
O ministro japonês dos Negócios Estrangeiros, Toshimitsu Motegi, afirmou numa reunião este sábado em Munique com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, que a segurança das regiões euro-atlântica e indo-pacífica "são inseparáveis", pelo que "a cooperação entre o Japão e a NATO e entre a NATO e os seus parceiros da região do Indo-Pacífico (Japão, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul), é estrategicamente importante", segundo um comunicado divulgado hoje pelo ministério nipónico dos Negócios Estrangeiros.
Motegi sublinhou ainda que Tóquio "pretende elevar as relações com a OTAN a novos patamares através de uma cooperação concreta em vários domínios, incluindo o equipamento de defesa e a cooperação industrial".
Em resposta, na reunião de "aproximadamente 25 minutos" à margem da cimeira de segurança a decorrer Munique, Rutte terá manifestado esperança no desenvolvimento da cooperação entre o Japão e a NATO e "valorizou cooperação do Japão com a Aliança do Atlântico Norte, incluindo o apoio de Tóquio à Ucrânia por meio de programas" da organização a que preside, segundo o comunicado.
O Japão contribuirá com cerca de 15 milhões de euros em equipamento não letal para o pacote de assistência da NATO a Kiev, segundo a agência de notícias japonesa Jiji Press.
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UE quer missão na Ucrânia para saber o que se passa afinal com o oleoduto Druzhba
A União Europeia propôs a criação de uma missão para inspecionar o oleoduto de Druzhba, que continua paralisado, o que está a provocar constrangimentos na Hungria e na Eslováquia, que ainda recebem petróleo russo através daquela via.
De acordo com o porta-voz da Comissão Europeia, aguarda-se agora uma resposta da Ucrânia.
“Propusemos uma missão para inspecionar o oleoduto de Druzhba na Ucrânia”, confirmou a União Europeia em conferência de imprensa.
De recordar que o fluxo de petróleo através desta infraestrutura está paralisado desde janeiro, depois de ter sido atingido por um ataque que a Ucrânia atribuiu à Rússia.
Ainda assim, tanto Hungria como Eslováquia culpam a Ucrânia pela demora na reparação.
União Europeia ameaça cortar o financiamento à Bienal de Veneza se a Rússia for mesmo convidada
A Comissão Europeia ameaça terminar ou suspender o financiamento à Bienal de Veneza caso a organização do evento prossiga com o plano de permitir a reabertura do pavilhão russo na edição deste ano.
De acordo com o porta-voz da Comissão Europeia, a condenação segue nos mesmos moldes que já estavam em prática.
“Condenamos a decisão de permitir a Rússia na Bienal de Veneza”, afirmou Thomas Regnier.
“A Comissão Europeia condena a decisão da Fundação Bienal de permitir que a Rússia participe na exibição de arte da Bienal de 2026. Porquê? Porque a cultura que a Europa deve promover e salvaguardar são os valores democráticos. Deve ser aberta ao diálogo, diversidade e liberdade de expressão. Estes valores não são, hoje em dia, honrados na Rússia”, acrescentou.
O pavilhão da Rússia foi encerrado logo após a invasão à Ucrânia, o que impediu o acesso a artistas e instituições russas ao evento.
Ucrânia quer acordo sobre drones com os EUA
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse esta quinta-feira que espera que os EUA reconsiderem um acordo de produção de drones.
“Queríamos assinar um grande acordo de produção de drones com os Estados Unidos, mas precisávamos da aprovação da Casa Branca”, escreveu Zelensky na rede social X, acrescentando que os drones seriam eficazes contra os drones e mísseis Shahed iranianos.
“Ainda não tivemos oportunidade de assinar este documento”, continuou Zelensky na publicação. “Espero que talvez os amigos americanos estejam mais próximos desta decisão agora, especialmente depois dos desafios que vemos no Médio Oriente.”
A Ucrânia tem vindo a melhorar a sua defesa contra os drones Shahed de fabrico iraniano, que a Rússia tem utilizado na guerra entre os dois países. Tentou vender a sua tecnologia aos EUA no ano passado, mas a proposta foi rejeitada, segundo o Axios.
No entanto, na semana passada, os EUA pediram a ajuda da Ucrânia, disse Zelensky ao The New York Times, e Kiev forneceu drones intercetores e especialistas para ajudar na defesa das bases americanas na Jordânia.
Em agosto, as autoridades ucranianas apresentaram à administração Trump uma demonstração de como a sua tecnologia poderia proteger as forças norte-americanas e propunha a criação de "centros de combate com drones" na Turquia, na Jordânia e nos países do Golfo Pérsico, onde se encontram bases militares norte-americanas, segundo o Axios.
"Imaginámos que fosse apenas o Zelensky a ser o Zelensky", disse um funcionário norte-americano ao Axios, descrevendo Zelensky como alguém que gosta de se autopromover. "Alguém simplesmente decidiu não comprar a ideia".
Rússia acusa Ucrânia de atacar central de gás natural
O Ministério da Defesa da Rússia afirma que a Ucrânia tentou atacar uma central de bombeamento de gás natural.
De acordo com as agências russas, o ataque ocorreu a uma central operada pela Gazprom, que a partir dali exporta gás natural pelo TurkStream, o gasoduto que chega a países europeus e que passa pelo Mar Negro.
Ainda segundo as agências, não foram verificados danos na estação.
Enviado do líder da Rússia reúne-se com negociadores dos Estados Unidos
Um enviado do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, reuniu-se com negociadores norte-americanos nos Estados Unidos (EUA), disse Washington, nas primeiras conversações com os russos desde o início da guerra no Irão.
"As equipas discutiram uma variedade de temas e decidiram manter o contacto", disse Steve Witkoff, enviado especial do Presidente dos EUA, Donald Trump, num comunicado divulgado após as conversações com o negociador russo Kirill Dmitriev.
O encontro aconteceu na Florida, no sudeste do país, dias depois de os EUA terem suspendido, na segunda-feira, sanções ao petróleo russo, impostas em resposta à invasão da Ucrânia, em 2022, num esforço para mitigar a subida dos preços.
Delegações russa e americana reuniram-se esta quarta-feira na Florida, confirma Witkoff
O enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, confirmou que as delegações russa e americana para as negociações de paz na Ucrânia reuniram-se esta quarta-feira na Florida.
A confirmação de Witkoff surge após informações que davam conta da presença de Kirill Dmitriev, enviado de Vladimir Putin, no Sunshine State.
Citado pela Reuters, Witkoff afirma que as delegações "discutiram uma variedade de tópicos e concordaram em manter contacto".
Zelensky pede aos EUA para colocarem mais pressão na Rússia, "não sobre mim"
Em entrevista ao Politico, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, mostrou-se convicto de que os EUA podem ajudar a terminar a guerra contra a Rússia, mas pede à administração Trump para exercer mais pressão em Moscovo.
"Não confiamos na Rússia, mas acho e acredito que os americanos querem realmente acabar com esta guerra. Espero que nos ajudem, mas precisamos de mais pressão sobre a Rússia, não sobre mim", disse o líder ucraniano.
Dmitriev na Florida para se reunir com membros da administração Trump
O enviado especial do presidente russo, Kirill Dmitriev, está na Florida para se reunir com membros da administração Trump, disseram fontes à Reuters.
Líderes do G7 descartam alívio de sanções à Rússia apesar de crise energética no Médio Oriente
O presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou esta quarta-feira, que os líderes do G7 chegaram a acordo para manter todas as sanções contra a Rússia, rejeitando qualquer flexibilização motivada pelo conflito entre os EUA, Israel e o Irão.
"Este não é o momento para relaxar as sanções à Rússia", diz Von der Leyen
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou esta quarta-feira numa publicação na rede social X e, após uma chamada com os líderes do G7, que a prioridade máxima é garantir a segurança do mercado energético global perante a crise no Médio Oriente.
Von der Leyen sublinhou a importância crítica da livre navegação no Estreito de Ormuz e defendeu a manutenção rigorosa do teto de preço do petróleo russo. "Este não é o momento para relaxar as sanções à Rússia", afirmou, ligando a estabilidade dos mercados à contenção das receitas de Moscovo.
Thank you @EmmanuelMacron for organising a call with G7 partners to discuss a coordinated response to the concerning situation in Iran and the Middle East.
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) March 11, 2026
We are focused on minimising the impact on security and the global energy market. @eucopresident and I recalled that the…
Ucrânia já tem mísseis para os sistemas Patriot prometidos em Ramstein, diz Zelensky
Já estão em solo ucraniano os mísseis PAC-3 prometidos na última reunião de Ramstein, disse o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, numa conferência de imprensa antes de uma reunião com a presidente do parlamento alemão (Bundestag), Julia Klockner.
Estes mísseis são utilizados pelos sistemas de defesa antiaérea Patriot.
"De facto, na última reunião em Ramstein, houve um acordo entre os parceiros de que receberíamos aproximadamente o número de mísseis de que fala (cerca de 35) para os sistemas Patriot, nomeadamente os PAC-3. Não foi de um único país, foi de vários países. No total, foram tantos quantos disse. Este é um dos pacotes de defesa aérea que negociamos com os parceiros de vez em quando. Gostaríamos de ter mais, mas acabou por ser o que foi. A parte alemã destes mísseis chegou ontem", disse Zelensky, citado pela Ukrinform.
Gazprom diz que foi alvo de ataque ucraniano, incluindo a estação que serve o gasoduto TurkStream
A Gazprom, a maior exportadora de gás do mundo, diz ter sido alvo de ataques aéreos ucranianos às suas instalações no sul do país, incluindo a estação de bombeamento Russkaya, que exporta gás natural para a Europa através do gasoduto submarino TurkStream.
O gigante russo de energia sublinha, no entanto, que todos os ataques foram frustados, em concreto 12 ataques nas últimas duas semanas.
De acordo com o autarca de Sochi, no Mar Negro, Andrei Proshunin, a cidade enfrentou ataques de drones sem precedentes, que duraram mais de 24 horas.
A Turquia é a única rota de trânsito restante para o gás russo com destino à Europa.
Rússia prepara corte de 10% em gastos "não sensíveis" em 2026
A Rússia está a preparar um possível corte de 10% em todos os gastos "não sensíveis" no orçamento deste ano, disseram fontes à Reuters, mas a decisão final dependerá da sustentabilidade da alta do preço do petróleo causada pelo conflito no Irão.
"O Ministério das Finanças informou as agências responsáveis pela distribuição dos fundos orçamentários que é necessário cortar gastos. Agora, elas estão a analisar o que cortar", disse uma das fontes, que falou sob condição de anonimato devido à delicadeza da situação.
Duas das quatro fontes próximas ao governo citadas, indicaram uma redução de 10%, enquanto as outras duas disseram que o corte ainda está a ser discutido, sem especificar o valor.
O Ministério das Finanças russo não respondeu ao pedido de comentário da Reuters.
Os cortes, apurou a Reuters, não devem recair sobre despesas militares nem sobre salários de funcionários públicos ou subsídios e pensões.
"Isto é feito otimizando sempre despesas não essenciais. Alguns novos projetos serão suspensos, como construções ou reparações de estradas. É provável que esses projetos sejam considerados para cortes", disse outra fonte.
"Esperemos que não estejam a partilhar", diz Witkoff, depois de a Rússia ter negado estar a fornecer informações secretas ao Irão
O enviado especial dos EUA para a Ucrânia, Steve Witkoff, afirmou na terça-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, garantiu a Donald Trump que não está a partilhar informações secretas com o Irão, nomeadamente a localização das bases militares norte-americanas no Irão.
"Posso afirmar que ontem [segunda-feira], na chamada com o presidente, os russos disseram que não estavam a partilhar informações", disse Witkoff no programa Money Movers da CNBC. "Foi o que eles disseram. Então, podemos acreditar na palavra deles, mas foi isso que eles disseram."
Uma garantia que foi também dada diretamente a Witkoff e a Jared Kushner, que conversaram separadamente com o assessor russo Yuri Ushakov, "que reiterou o mesmo". "Esperemos que não estejam a partilhar informações", acrescentou.
Kremlin lança campanha secreta de desinformação para ajudar Orbán a vencer eleições, diz o FT
O Kremlin lançou uma campanha de desinformação com o objetivo de ajudar o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, a ser reeleito no próximo mês, noticia o Financial Times (FT).
De acordo com o jornal, Vladimir Putin aprovou um plano da Social Design Agency, uma consultora ligada ao Kremlin e sujeita a sanções ocidentais, para fortalecer o partido Fidesz de Orbán, inundando as redes sociais com mensagens elaboradas na Rússia e publicadas por húngaros influentes.
A campanha apresenta Orbán como o único candidato capaz de manter a soberania da Hungria e tratar os líderes mundiais como iguais, segundo uma proposta de comunicação a que o FT teve acesso.
A proposta pretende mostrar Orbán como um “líder forte, com amigos em todo o mundo”, por oposição ao principal rival, Péter Magyar, que não passa de um “fantoche de Bruxelas sem apoio externo”.
O plano sugere "ataques de informação" contra Magyar, cujo partido, o Tisza, está à frente nas sondagens de opinião. Pretende retratar o Tisza como um partido assolado por "incompetência, divisão e agendas secretas", centrando-se em membros controversos e apresentando-o como um fantoche da UE.
Bloqueios de internet na Rússia vão durar o tempo "que for necessário", diz Kremlin
O Kremlin afirmou esta quarta-feira que os bloqueios de internet na Rússia durarão o tempo "que for necessário", após terem sido detetados problemas na rede em Moscovo e noutras cidades russas.
"Enquanto forem necessárias medidas adicionais para garantir a segurança dos nossos cidadãos", sublinhou ainda o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, depois de questionado em conferência de imprensa sobre a duração dos apagões.
Peskov acusou também a Ucrânia de usar "métodos de ataque cada vez mais sofisticados" e disse que "são necessárias contramedidas tecnologicamente mais avançadas" para repeli-los.
Ataque maciço de drones ucranianos durante a noite atinge fábrica de produtos químicos em Tolyatti e depósito de munições em Mariupol
Um ataque de drones ucranianos em grande escala teve como alvo várias regiões da Rússia durante a noite, provocando incêndios numa importante fábrica de produtos químicos em Tolyatti e, segundo relatos, atingindo um depósito de munições perto da cidade ocupada de Mariupol.
A KuibyshevAzot é uma das principais empresas químicas da Rússia e uma das dez maiores empresas de nitrogénio do país.
Além de Tolyatti, os drones ucranianos também atacaram Samara, Syzran, Taganrog e pelo menos cinco distritos da região de Rostov. Foram ainda ouvidas explosões em Sochi e Anapa, em Krasnodar.
“Não houve mortos nem feridos”, confirmou o governador regional de Samara, Vyacheslav Fedorishchev, sem especificar as consequências da operação.
O ataque visou igualmente a cidade ocupada de Mariupol, em concreto um depósito de munições.
Há ainda relatos vindos da ocupada Sevastopol de que uma importante estação de radar na zona do cabo Fiolent, parte da rede de defesa aérea da Crimeia, foi atingida.
Zelensky diz que a Ucrânia mostrou que tem "cartas na manga" após pedido de ajuda dos EUA contra drones iranianos
Volodymyr Zelensky diz que a Ucrânia mostrou que tem "cartas na manga" depois de os Estados Unidos pedirem ajuda a Kiev para proteger as bases militares americanas no Médio Oriente dos drones iranianos.
Em entrevista ao blogger irlandês Caolan Robertson, divulgada esta quarta-feira, Zelensky foi questionado se a Ucrânia passou a ter algum poder nas negociações.
“É como um bom jogador. Pode ter boas cartas, mas não é importante mostrar a todos que as tem. Acho que há um ano já as tínhamos. Eu não as mostrei. Mas agora todos sabem que as temos”, comparou.
Recorde-se que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a tentar forçar a Ucrânia a um acordo com a Rússia para o fim da guerra por não ter "cartas na manga".
Guerra de Trump no Irão é uma oportunidade para Putin
Hungria quer enviar missão à Ucrânia para investigar danos no oleoduto Druzhba
Budapeste vai enviar uma equipa à Ucrânia para averiguar os alegados danos no oleoduto Druzhba, que atravessa o território ucraniano para abastecer a Hungria e a Eslováquia com petróleo russo, anunciou esta quarta-feira o vice-ministro húngaro da Energia.
Este fornecimento está suspenso desde o final de janeiro, devido a danos que, segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, podem demorar a ser reparados, além de, em caso de reparação, contribuir para o esforço de guerra da Rússia.
A questão tornou-se um foco de conflito diplomático entre Budapeste e Kiev, numa altura em que não só a Hungria de Orbán não aprova novas sanções à Rússia como não aprova uma ajuda de 90 mil milhões à Ucrânia.
"O governo criou uma delegação que deverá realizar uma missão de averiguação dos danos no gasoduto Druzhba. O nosso trabalho é avaliar o estado do gasoduto e criar as condições para que volte a funcionar", disse Gabor Czepek, num vídeo publicado no Facebook, no qual aparece em pé na fronteira com a Ucrânia.
A Ucrânia ainda não reagiu a este anúncio.