GUERRA AO MINUTO | Rússia descarta concessões territoriais nas negociações sobre a Ucrânia
GUIA RÁPIDO DE LEITURA
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Merz afirma que os EUA "ofereceram garantias de segurança consideráveis" à Ucrânia
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Ucrânia está a trabalhar "sem parar" pela paz, afirma Zelensky
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UE admite que Kiev poderá ser forçado a abandonar pretensões na NATO
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Unidades de defesa aérea russas destroem drone com destino a Moscovo
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Ataque russo a supermercado em Zaporizhzhia faz 14 feridos, incluindo uma criança
Forças russas intensificam ataques e bombardeamentos na frente sul
A situação no sul da Ucrânia continua difícil e tensa, uma vez que as forças de ocupação russas continuam a aumentar a intensidade dos ataques, dos bombardeamentos e dos ataques de drones, diz o Ukrinform.
Vladyslav Voloshyn, porta-voz das Forças de Defesa do Sul, deu esta informação na televisão ucraniana: “A situação é bastante complicada, uma vez que o inimigo está a aumentar o número de ataques e bombardeamentos todos os dias, atacando com drones kamikaze, utilizando ativamente aviões para lançar mísseis e visando áreas povoadas localizadas perto da linha da frente”, disse Voloshyn.
No último dia foram registados cerca de 50 ataques e combates no eixo sul, afirmou. Para além dos assaltos às posições ucranianas, houve também tiroteios durante os quais as unidades das Forças de Defesa ucranianas e os grupos de assalto que realizavam operações de busca e ataque eliminaram os invasores russos que tentavam infiltrar-se mais profundamente nas defesas ucranianas.
“A situação na linha da frente está a tornar-se mais tensa a cada dia que passa”, disse.
Siga ao minuto:
Rússia diz que assumiu controlo da aldeia de Novoplatonivka
As forças russas dizem ter capturarado a aldeia de Novoplatonivka, na região de Kharkiv, no leste da Ucrânia, afirmou o Ministério da Defesa esta terça-feira, escreve a Reuters.
Mas a agência Reuters acrescenta que não conseguiu confirmar de forma independente a notícia do campo de batalha.
Primeiro-ministro da Suécia afirma que houve progressos nas garantias de segurança para a Ucrânia
O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, afirmou esta terça-feira que houve progressos significativos em relação às garantias de segurança para a Ucrânia durante as negociações realizadas em Berlim na segunda-feira, escreve a Reuters.
Zelensky reiterou posições de soberania de Kiev sobre o Donbas
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, repetiu esta terça-feira aos jornalistas, em Kiev, que a Ucrânia não vai abdicar da região do Donbas no quadro das negociações com a Rússia.
Comissão Europeia pede que nunca mais seja importado gás russo liquefeito
A Comissão Europeia insistiu esta terça-feira no “não para sempre” ao gás russo liquefeito e advertiu para os perigos que podem advir se a União Europeia (UE) se der “ao luxo de repetir erros do passado”.
“Todos vão perceber, de Moscovo a Washington, o que estamos a fazer […]. É uma decisão histórica”, disse o comissário para a Energia, Dan Jørgensen, durante um debate no Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo, em França.
O comissário europeu acrescentou que é uma decisão sem volta atrás: “Não é temporária ou limitada no tempo.”
Pedindo ao PE que respalde esta decisão do executivo comunitário europeu, Dan Jørgensen acrescentou que acabar com a importação de gás russo liquefeito por parte dos países da UE não é uma decisão que possa ser revista “daqui a seis meses ou ao sabor das circunstâncias nacionais de um determinado Estado-membro”.
“Mesmo que haja paz [na Ucrânia], é um não para sempre, não vamos importar uma só molécula de gás, não nos podemos dar ao luxo de repetir os erros do passado”, comentou.
Já o eurodeputado Ville Matti Niinistö (Finlândia, do grupo dos Verdes), correlator do relatório que dá luz verde ao fim da importação de gás russo liquefeito, pediu aos restantes eurodeputados para pensarem a “longo prazo” e na oportunidade que a UE tem de “acabar com a dependência [energética] de países terceiros”.
Em consonância, Inese Vaidere (Letónia, Partido Popular Europeu), a outra correlatora do PE, sustentou que, “pela primeira vez, a União Europeia vai pôr cobro” e demonstrar que a Rússia “nunca foi um parceiro viável, que manipulou sempre o fluxo de gás para destabilizar governos”.
“Isto ficou claro com a Ucrânia […], estava a utilizá-la como arma de arremesso e a União Europeia precisa de alternativas”, comentou.
Em 03 de dezembro, a União Europeia chegou a acordo para proibir todas as importações de gás russo para a União Europeia no outono de 2027.
Os eurodeputados das comissões da Indústria, Investigação e Energia e do Comércio Internacional do Parlamento Europeu, bem como a presidência dinamarquesa do Conselho da UE, concordaram em proibir as importações de gás natural russo a partir da entrada em vigor do regulamento, no início de 2026, para o gás natural liquefeito (GNL) no mercado spot, e a partir de 30 de setembro de 2027 para o gás transportado por gasoduto.
A proibição dos contratos de longo prazo entrará em vigor, o mais tardar, em 01 de novembro de 2027.
Região de Donestk sem energia elétrica
O vice-ministro da Energia ucraniano afirmou esta terça-feira que a região de Donestk está sem energia elétrica após um ataque russo, escreve a Reuters.
Unidades de defesa aérea da Rússia destroem drone que voava em direção a Moscovo
Unidades de defesa aérea da Rússia destruíram um drone que voava em direção a Moscovo, afirmou o prefeito Sergei Sobyanin esta terça-feira na aplicação de mensagens Telegram.
"Os serviços de emergência estão a trabalhar no local onde os destroços caíram», afirmou Sobyanin.
Rússia descarta concessões territoriais nas negociações sobre a Ucrânia
A Rússia não está disposta a fazer quaisquer concessões territoriais nas negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia, informou a agência de notícias estatal TASS, citando o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, esta terça-feira.
Segundo a agência, citada pela Reuters, Ryabkov referia-se à região de Donbas, à Crimeia e à faixa de território que Moscovo denomina "Novorossiya".
Sergei Ryabkov afirmou ainda que Moscovo ainda não compreende os acordos acertados pelos Estados Unidos, pela Ucrânia e pela União Europeia em Berlim.
Recorde-se que os líderes de 10 países europeus, bem como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reuniram-se em Berlim na segunda-feira para apoiar as negociações entre os EUA e a Ucrânia.
Tropas da NATO na Ucrânia? "Impossível", diz Ryabkov
O vice-ministro das Relações Exteriores da Federação Russa, Sergei Ryabkov, afirmou esta terça-feira que a Rússia nunca irá concordar com a implementação da tropas da NATO na Ucrânia, escreve a Reuters, citando a agência RIA.
Apagões continuam para milhares de pessoas na região de Odessa, após ataques russos
Mais de 280.000 residências ainda estão sem energia na região portuária de Odessa, no sul da Ucrânia, após os mais recentes ataques russos, disse o governador regional esta
terça-feira, citado pela agência Reuters.
A região sofreu um dos ataques russos mais graves à rede elétrica da guerra no fim de semana. Oleh Kiper acrescentou que, nos últimos três dias, a energia foi restaurada para quase 330.000 residências na região.
Rússia reclamou a tomada da cidade de Kupyansk no nordeste ucraniano
A Rússia reclamou hoje o controlo da cidade de Kupyansk, no nordeste da Ucrânia, onde as forças ucranianas alegaram recentemente ter recapturado vários distritos ao Exército russo.
O porta-voz do grupo militar russo Zapad, Leonid Sharov, destacado na região, disse que à agência TASS que a cidade de Kupyansk está sob o controlo do 5.º Exército da Rússia.
A Rússia tinha reclamado a tomada de Kupyansk em novembro.
Pouco depois, a Ucrânia alegou a reconquista de vários distritos da região.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014 anexando a Península da Crimeia e em 2022 lançou uma campanha militar de grande escala contra todo o território ucraniano.
Trump diz que acordo de paz está "mais próximo que nunca"
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira acreditar que um acordo de paz na Ucrânia está "mais próximo do que nunca", após encontros em Berlim entre enviados norte-americanos e o Presidente ucraniano.
"Acho que estamos agora mais próximos do que nunca", disse Trump, durante um evento na Casa Branca.
O líder norte-americano disse ainda que hoje teve "uma conversa muito boa" com líderes europeus, insistindo que tem um "enorme apoio" de aliados na Europa: "Eles também querem que esta guerra chegue ao fim".
"Neste momento, a Rússia quer que [a guerra] acabe, mas o problema é que por vezes querem e outras vezes não, e o mesmo se aplica à Ucrânia. Por isso, temos de os fazer concordar. Mas penso que as negociações estão a decorrer muito bem", afirmou.
As declarações de Trump coincidem com declarações de altos responsáveis da administração dos EUA, que descreveram como "realmente positivas em quase todos os aspetos" as conversações em Berlim entre os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, com o Presidente ucraniano e responsáveis europeus.
Frota Russa do Mar Negro afirma que a tentativa ucraniana de ataque com drones subaquáticos falhou
Uma tentativa da Ucrânia de atacar a base naval russa no porto de Novorossiysk com drones subaquáticos não conseguiu atingir qualquer objetivo, sem causar danos a navios ou submarinos, segundo a Frota Russa do Mar Negro.
"A tentativa de sabotagem do inimigo através de drones subaquáticos não conseguiu atingir os seus objetivos", afirmou Aleksei Rulyov, chefe do serviço de imprensa da frota, citado pela Reuters.
"Nenhum navio ou submarino da Frota do Mar Negro localizado na base na baía de Novorossiysk foi danificado. E, como resultado da tentativa de sabotagem, não houve feridos entre a tripulação, que continua a desempenhar as suas funções", acrescentou.
Líderes europeus prometem apoio a Zelensky após reunião em Berlim
Os líderes europeus concordaram em apoiar “quaisquer decisões” que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, venha a tomar sobre questões específicas da Ucrânia, informou um comunicado do governo britânico esta segunda-feira, citado pela Reuters.
O comunicado foi divulgado após uma reunião de líderes europeus, incluindo o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, em Berlim, para discutir uma proposta de acordo de paz.
UE admite que Kiev poderá ser forçado a abandonar pretensões na NATO
A União Europeia (UE) admitiu esta segunda-feira a possibilidade de a Ucrânia ser forçada a prescindir da integração na NATO, mas comprometeu-se com a segurança do país nessa eventualidade.
"Os ministros [da UE] concordaram todos que é preciso dar garantias de segurança à Ucrânia e como o país está a ser pressionado para não aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte [NATO], essa será a única garantia de que a Rússia não volta a invadir", disse a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, em conferência de imprensa em Bruxelas, no final de uma reunião dos chefes da diplomacia dos 27.
A representante da diplomacia da UE acrescentou que o bloco político-económico vai "continuar a fazer a sua parte" na instrução de militares ucranianos e em assegurar que a Rússia não vai além dos territórios que já anexou.
Sobre as negociações de paz com a Rússia, Kaja Kallas, ex-primeira-ministra da Estónia, disse que todos os países da UE e também os Estados Unidos (EUA) - que estão a mediar as negociações entre a Ucrânia e o Kremlin - têm de dar garantias de segurança credíveis ao país invadido.
Já sobre aquilo que a Ucrânia poderá ter de abdicar para alcançar a paz, Kaja Kallas disse que essa decisão é dos ucranianos: "Eles é que têm de decidir o que estão dispostos a ceder".
Alemanha alerta que desacordo sobre ativos russos afeta credibilidade da UE
A Alemanha alertou esta segunda-feira que a credibilidade da União Europeia (UE) poderá ficar afetada durante anos se não houver acordo na cimeira de quinta-feira sobre a utilização dos ativos russos congelados no apoio à Ucrânia.
“Mostraremos à Rússia que continuar a guerra não faz sentido. Só com uma posição de força poderemos terminar esta guerra sem sentido”, afirmou o chanceler alemão, Friedrich Merz, ao discursar no 8.º Fórum Económico Germano-Ucraniano, em Berlim.
Merz disse que os ativos russos são “uma questão chave para a capacidade de ação da UE” que tem de ser resolvida na cimeira de quinta e sexta-feira, em Bruxelas, “de forma que todos os Estados europeus assumam o mesmo risco”.
“Se não o conseguirmos, não nos enganemos, a capacidade de ação da UE será prejudicada durante anos e mostraremos ao mundo que não conseguimos estar unidos num momento decisivo da nossa história para defender juntos a ordem do nosso continente”, advertiu.
Os chefes de Estado e de governo da UE vão debater fórmulas para financiar a Ucrânia nos próximos anos na cimeira que começa na quinta-feira, com o foco na concessão do empréstimo a partir dos ativos russos imobilizados.
Europeus propõem liderar "força multinacional" e apoiar exército ucraniano
Líderes de países europeus e da União Europeia propuseram esta segunda-feira liderar uma "força multinacional" na Ucrânia e fornecer apoio "sustentável" ao exército ucraniano, limitado a 800.000 soldados, segundo um comunicado emitido pelo Governo alemão.
Esta força seria "composta por contribuições de nações voluntárias e apoiada pelos Estados Unidos", que liderariam, por seu lado, um "mecanismo para monitorizar e verificar o cessar-fogo", anunciaram os líderes europeus.
Também apelam à Rússia para aceitar "um cessar-fogo".
Uma dezena de líderes europeus, incluindo da UE e da NATO, estão hoje reunidos em Berlim para discutir os planos de paz para a Ucrânia com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e com enviados dos Estados Unidos.
No domingo, o chefe de Estado ucraniano reuniu-se com os enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner (genro do Presidente Donald Trump).
Zelensky acredita que os EUA irão ajudar a encontrar um compromisso nas negociações de paz
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou esta segunda-feira que a questão territorial continua a ser delicada nas negociações de paz para pôr fim à guerra da Rússia contra a Ucrânia, mas mostrou confiança no apoio dos Estados Unidos para encontrar um compromisso, segundo a Reuters.
Em declarações a jornalistas em Berlim, Zelensky acrescentou que a Ucrânia está pronta para um trabalho justo que conduza a um acordo de paz sólido e que os negociadores de Kiev continuarão a dialogar com os seus homólogos norte-americanos.
Merz afirma que os EUA "ofereceram garantias de segurança consideráveis" à Ucrânia
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou esta quarta-feira que a possibilidade de um processo de paz real em torno da guerra na Ucrânia está agora mais próxima do que em qualquer outro momento desde o início da invasão russa em grande escala, em 2022.
Citado pela Reuters, Merz destacou o papel dos Estados Unidos nas negociações em curso, sublinhando que Washington apresentou garantias de segurança “consideráveis”. “O que os EUA colocaram em cima da mesa aqui em Berlim em termos de garantias legais e materiais é realmente considerável”, afirmou.
As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa conjunta com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, após várias horas de negociações com representantes norte-americanos.
Ucrânia está a trabalhar "sem parar" pela paz, afirma Zelensky
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, afirmou esta segunda-feira, em Berlim, que o seu país está a trabalhar “sem parar” para alcançar a paz, sublinhando a continuidade dos contactos diplomáticos.
Aos jornalistas, Zelensky revelou que ao longo do dia decorreram várias rondas de negociações, adiantando que estão previstas mais conversações. “Estamos a trabalhar sem parar”, declarou, citado pela Sky News.
O chefe de Estado ucraniano reconheceu que as negociações têm sido difíceis, mas considerou-as importantes, acrescentando que durante as conversações houve respeito pela Ucrânia.
"O plano de paz fragiliza de forma brutal a Ucrânia e a segurança da Europa"
Miguel Baumgartner, comentador da CNN Portugal, analisa o ponto em que se encontram as negociações de paz na Ucrânia.