UCRÂNIA • AO MINUTO | Quatro mortos nos ataques russos a Kiev, Ucrânia atinge refinarias dentro da Rússia e Zelensky procura na Sérvia apoio de um país que não rompeu com Moscovo
O QUE ESTÁ A ACONTECER
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Moscovo diz não ter recebido qualquer proposta de Kiev para retomar o diálogo diplomático
Capacidades militares da Rússia estão a aumentar "a cada dia", garante Putin
Vladimir Putin referiu que as capacidades das forças armadas do país estão a aumentar “a cada dia” e que esse trabalho irá continuar, antes de comparar os atuais militares russos aos “heróis de 1812 (invasão napoleónica da Rússia)” e das duas Guerras Mundiais.
O presidente russo agradeceu também aos engenheiros civis e construtores que estão a “criar estruturas essenciais na zona da ‘operação militar especial”.
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A Ucrânia levou a guerra aos armazéns de Tatyana, a mulher mais rica da Rússia
"A relação entre a Sérvia e a Rússia estão a esfriar e há uma aproximação à Ucrânia"
Cátia Moreira de Carvalho analisa o memorando de entendimento entre a Ucrânia e a Sérvia, sublinhando que "há muitas pessoas surpreendidas por verem esta aproximação".
Presidente sérvio nega exportação de armamento para Kiev
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em visita a Belgrado, discutiu este sábado com o homólogo sérvio, pró-russo, questões de energia, segurança e adesão à União Europeia, mas a exportação de armamento para a Ucrânia foi negada por Vucic.
A visita de Zelensky à Sérvia, país liderado pelo populista e nacionalista Aleksadar Vucic, próximo das posições de Moscovo, foi uma tentativa de afastar a Sérvia do lado russo, segundo disse à AFP na quinta-feira, antes da visita oficial, um alto responsável ucraniano sob anonimato.
E ainda que o Presidente ucraniano tenha evocado discussões sobre temas de segurança, a questão permanece um assunto delicado.
Questionado na conferência de imprensa de hoje, o Presidente sérvio negou as informações sobre alegadas exportações de material militar e munições da Sérvia para a Ucrânia.
Os serviços de inteligência russos acusaram em maio de 2025 as empresas de armamento sérvias de venderem munições à Ucrânia, via países terceiros, “apesar da neutralidade oficial de Belgrado”, mas Vucic garantiu na altura que ordenaria que os contratos não fossem executados “se houvesse suspeitas” de que destinatário final fosse Kiev, acrescentando que a Sérvia iria parar todas as exportações de armas, munições e material militar.
Kiev tem uma enorme falta de munições, o que levou Zelensky a Washington no final de julho para tentar obter mais sistemas antímíssil Patriot, o que o presidente Donald Trump terá negado com base em reservas baixas devido à guerra no Médio Oriente.
Em conferência de imprensa hoje em Belgrado, ao lado de Vucic, o presidente da Ucrãnia adiantou que os ataques russos fizeram em 24 horas 13 mortos e 77 feridos.
Os ataques russos à Ucrânia fizeram nas 24 horas entre sexta-feira e sábado de manhã 13 mortos e 77 feridos, sobretudo devido a drones e mísseis balísticos, com 12 regiões a serem atacadas pelo exército russo,
“Quase diariamente, a cada noite, já no quinto ano da guerra, a Ucrânia vê-se obrigada a resistir e suportar isto”, disse Zelensky, na sua primeira visita à Sérvia, país que não aderiu às sanções europeias contra Moscovo devido à invasão da Ucrânia.
Segundo o Presidente ucraniano, a maioria dos ataques dirige-se a instalações vitais para a vida de civis.
“Não temos uma única central elétrica que não tenha sido atacada. Estações ferroviárias, hospitais, universidades, empresas públicas”, enumerou.
Zelensky pediu mais apoio financeiro aos seus aliados ocidentais, mais capacidades antimíssil e novas sanções que impeçam a Rússia de produzir mísseis.
O líder ucraniano agradeceu a Vucic a ajuda humanitária da Sérvia à Ucrânia, nomeadamente em matéria de ajuda médica e energia, e o apoio para manter a sua integridade territorial.
A Sérvia e a Ucrânia assinaram hoje em Belgrado um memorando de entendimento em matéria de agricultura e um memorando de cooperação no âmbito da saúde animal e da segurança alimentar.
Vucic, por seu lado, destacou que a Sérvia e a Ucrãnia elevaram consideravelmente o nível de trocas comerciais, referindo que no ano passado o valor rondou os 450 milhões de dólares americanos e que só nos primeiros seis meses deste ano já atingiu os 321 milhões de dólares.
A visita de Zelensky à Sérvia acontece poucas semanas depois de uma cimeira entre a Ucrânia e os países balcânicos em Kiev, onde Vucic foi o único líder que não assinou a declaração conjunta final do encontro.
De acordo com Vucic, as conversações com Zelensky na noite de sexta-feira e hoje em Belgrado centraram-se em temas bilaterais, comerciais e no caminho de ambos os países em direção à União Europeia (UE).
No entanto, mostrou-se pessimista sobre a unidade dentro da UE para receber nos próximos tempos novos membros, já que, segundo disse, sem dar mais detalhes, “há sempre alguns membros que se opõem”.
Por isso, acrescentou, a Sérvia “centra-se no desenvolvimento económico e acordos sobre o livre comércio” com os países da UE.
Desde a chegada ao poder de Vucic, em 2014, a Sérvia estagnou no seu caminho de adesão à UE, quer por falta de alinhamento geopolítico, como por retrocesso democrático e degradação do Estado de Direito.
Quatro mortos nos ataques russos a Kiev, Ucrânia atinge refinarias dentro da Rússia e Zelensky procura na Sérvia apoio de um país que não rompeu com Moscovo
A Rússia voltou a atacar Kyiv e a região em redor durante a madrugada deste sábado com seis mísseis balísticos e 151 drones. Três deles destruíram uma casa em Pukhivka, no distrito de Brovary, e mataram um menino de três anos e os avós. Outro ataque matou uma quarta pessoa na capital.
A Força Aérea ucraniana afirma ter abatido ou neutralizado 135 dos drones, mas os mísseis balísticos continuam a encontrar uma defesa mais curta do que há um ano.
A resposta ucraniana voltou a viajar centenas de quilómetros para lá da fronteira.
Kiev diz ter atingido as refinarias de Ilsky, na região russa de Krasnodar, e Syzran, em Samara, a mais de 800 quilómetros da Ucrânia. Autoridades russas confirmaram incêndios e seis feridos em Ilsky, embora Moscovo não tenha confirmado todos os alvos indicados pelos ucranianos.
É mais um ataque numa campanha contra a infraestrutura petrolífera russa que, nos últimos meses, tem provocado dificuldades no abastecimento de combustível em várias regiões do país.
Zelensky passou entretanto o sábado em Belgrado, na primeira visita oficial à Sérvia desde que chegou à presidência. Aleksandar Vucic voltou a garantir que reconhece a integridade territorial da Ucrânia, incluindo as regiões ocupadas pela Rússia desde 2014, mas não prometeu juntar-se às sanções europeias contra Moscovo.
A Sérvia continua dependente do gás russo e procura equilibrar essa relação com a candidatura à União Europeia. Os dois presidentes falaram de energia, segurança alimentar, infraestruturas e de um acordo de comércio livre que querem concluir até ao final do ano.
A fragilidade mais urgente continua, porém, no céu. Zelensky reconheceu que a Ucrânia está a receber em 2026 menos intercetores Patriot do que em 2025 e afirmou que a autorização norte-americana para os produzir no país continua presa em procedimentos administrativos.
Zelensky pediu mais mísseis de defesa e novas sanções que dificultem à Rússia a produção de armamento balístico.
No terreno, Moscovo anunciou também a conquista de Ivanivka, na região de Kharkiv.
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A Sérvia tem sido um dos países mais relutantes em apoiar a Ucrânia, mas João Annes vê na visita de Zelensky um sinal de aproximação a Kiev e à Europa. O responsável do Observatório de Segurança da SEDES lembra que outros parceiros próximos de Putin também têm dado sinais de afastamento.
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Zelensky quer que a Ucrânia ocupe o espaço da Rússia, mas "em muitos países isso não vai acontecer"
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A visita de Zelensky à Sérvia é importante, mas está longe de ser um "grande trunfo". Tiago André Lopes explica o que este encontro revela sobre a posição do presidente ucraniano na Europa.
Turquia restringe tráfego marítimo no Mar Negro após aumento dos ataques
A Turquia está a restringir o tráfego de navios comerciais com destino ao Mar Negro, devido ao aumento das preocupações com os riscos de segurança, noticia a Bloomberg News este sábado.
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Ataque russo a um país NATO? "O resultado óbvio seria uma confrontação direta"
Um ataque direto da Rússia a um país NATO poderia levar a uma confrontação direta. Helena Ferro Gouveia considera este um cenário plausível entre analistas militares, mas tem dúvidas de que Moscovo dê esse passo. A comentadora analisa ainda os ataques ucranianos em profundidade e considera que Putin "subestimou o seu adversário".
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Kiev ataca sul e sudoeste da Rússia com 400 drones e danifica duas refinarias
A Ucrânia atacou durante a madrugada de hoje duas refinarias no sul e sudoeste da Rússia, no âmbito de um ataque com cerca de 400 drones, informaram as autoridades locais e meios de comunicação independentes.
“Uma das empresas da região de Samara foi atacada esta noite por drones ucranianos”, informou na MAX, a rede de mensagens russa, Viacheslav Fedorischev, governador desta região situada no sudoeste da Rússia, sem especificar qual foi o alvo.
Segundo o governador, neste momento estão a ser atenuadas as consequências, com os serviços de emergência “a trabalhar no local onde os drones caíram”.
O canal ucraniano do Telegram Exilenova+ e o canal independente russo Astra indicaram que o ataque provocou um incêndio na refinaria de Sizran, pertencente à empresa estatal russa Rosneft.
Esta instalação foi alvo de vários ataques ucranianos nos últimos tempos.
Além disso, na região meridional de Krasnodar, deflagrou um incêndio na refinaria de Ilsk, informaram as autoridades locais através do Telegram.
Na sequência do incidente, cinco pessoas ficaram feridas, acrescentaram.
Por seu lado, o Ministério da Defesa russo informou hoje ter abatido 397 drones ucranianos de asa fixa sobre várias regiões russas, a península anexada da Crimeia e o mar de Azov.
Em sentido contrário, novos bombardeamentos sobre Kiev causaram pelo menos três mortos e sete feridos, com a Ucrânia a enfrentar igualmente uma intensificação de ataques russos numa altura em que as suas defesas se deparam com uma escassez de mísseis intercetores.
Três mortos em novo ataque russo a Kiev
Novos bombardeamentos sobre Kiev causaram pelo menos três mortos e sete feridos, com a Ucrânia a enfrentar uma intensificação de ataques russos numa altura em que as suas defesas se deparam com uma escassez de mísseis intercetores.
Um jornalista da agência France-Presse registou ter ouvido cerca de uma dezena de explosões a abalar a capital ucraniana por volta das 23:00 na hora local (01:00 em Lisboa), onde, mais uma vez, os residentes foram instados a recolher-se aos abrigos.
A administração militar local tinha anunciado pouco antes o acionamento de um "alerta aéreo devido ao uso de mísseis balísticos".
Na periferia nordeste de Kiev, os ataques russos causaram três mortos, incluindo uma criança de 4 anos, bem como três feridos, na aldeia de Pukhivka, segundo os serviços de resgate, sem especificar se os ataques foram realizados com mísseis ou drones.
Na própria capital, foram contabilizados quatro feridos pela autoridade militar, enquanto os serviços de resgate relataram incêndios em dois bairros.
Mais de quatro anos após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, os ataques intensificam-se de ambos os lados de uma linha de frente quase imóvel, fazendo um número crescente de vítimas civis.
Na quarta-feira, pelo menos 17 pessoas tinham sido mortas em ataques noturnos russos sobre Kiev e a sua região.
Zelensky agradece ao Senado dos EUA aprovação de sanções contra Rússia e Irão
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, agradeceu esta sexta-feira ao Senado dos EUA a aprovação de um projeto de lei para impor sanções mais duras à Rússia e ao Irão.
Numa publicação nas redes sociais, o líder ucraniano apontou que a aprovação "ajuda a aumentar a pressão sobre o agressor para pôr fim a esta guerra russa louca" contra a "independência da Ucrânia" e contra o povo ucraniano.
A votação no Senado dos EUA, que passou com 86 votos a favor e 11 contra, pôs fim a mais de um ano e meio de negociações entre republicanos e democratas.
O projeto de lei permitirá a Washington impor taxas alfandegárias de até 100% aos cinco principais compradores de petróleo e gás russos, bem como aos países que contribuam para contornar as sanções vigentes contra o setor energético russo.
O projeto de lei terá agora de passar pela Câmara dos Representantes, mas a sua tramitação terá de esperar, uma vez que os congressistas se encontram fora de Washington devido à suspensão anual dos trabalhos de agosto.
Zelensky sublinhou ainda que, neste momento, o Presidente russo, Vladimir Putin, está a recorrer a mísseis balísticos para "prolongar a guerra" e que a Ucrânia está a procurar "em todos os cantos" munições para baterias de mísseis Patriot para intercetar estes ataques.
"Uma pressão real e forte dos EUA e sanções contra a Rússia é o que mais vai ajudar. Cada medida de pressão contra o agressor aproxima-nos um passo mais da diplomacia", sublinhou.
Zelensky intensificou nos últimos dias os apelos aos seus aliados para que forneçam munições para defesas antiaéreas e na semana passada viajou para a Washington para discutir com o Presidente norte-americano, Donald Trump, a autorização para fabricar na Ucrânia mísseis para baterias Patriot.
Depois de inicialmente se ter mostrado recetivo a um acordo de fabrico, esta semana Trump levantou reservas sobre a transferência de tecnologia.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).
Embaixada russa em Berlim chama ‘drone’ em Leipzig “provocação fabricada”
A embaixada russa em Berlim alegou que a descoberta de um drone com um suposto engenho explosivo no aeroporto de Leipzig-Halle constitui "uma provocação fabricada" para acusar Moscovo.
"O maior perigo que a Alemanha enfrenta hoje não está nos alegados 'ataques híbridos' de Moscovo, que não existem, mas nos políticos que entusiasticamente criam cenários de guerra iminente com a Rússia", publicou a embaixada no seu site.
Segundo alegou, há uma "nova onda de histeria antirrussa na Alemanha" e esta "provocação fabricada serve apenas os interesses de Kiev e da ala militarista do 'establishment' político europeu".
A Alemanha está em alerta máximo diante do ressurgimento destas operações de desestabilização, sabotagem e espionagem no seu território, a maioria das quais atribuídas à Rússia. O chanceler alemão, Friedrich Merz, convocou na sexta-feira o Conselho Nacional de Segurança.
O aeroporto de Leipzig-Halle, onde na terça-feira foi descoberto um drone com um engenho explosivo, é um dos grandes postos de transporte de equipamento militar para a Ucrânia proveniente da Alemanha e da NATO.
O ministro do Interior alemão alertou, na quarta-feira, para "uma nova dimensão de ameaça" ao país, mencionando um possível "cenário de ataque híbrido" após a descoberta do drone explosivo no aeroporto de Leipzig.
"Nada neste caso sugere a ação de um amador. Estamos perante uma ameaça híbrida profissional, com a qual teremos de continuar a lidar", afirmou o ministro.
Esta ameaça pode envolver "potências estrangeiras", acrescentou, sem dar mais detalhes.
Segundo Dobrindt, seria "demasiado simplista" pensar que uma única medida seria suficiente para responder a este tipo de ameaça e o incidente insere-se num contexto mais amplo destinado a "contribuir para um sentido de insegurança" na Alemanha.
No entanto, o ministro recusou-se a fazer conjeturas sobre as motivações das pessoas por detrás deste caso ou sobre a sua identidade, afirmando que essas questões agora faziam parte da investigação.
Berlim tem apoiado ativamente Kiev desde o início da invasão russa em 2022.
Em setembro de 2025, as autoridades alemãs lançaram uma campanha de informação alertando contra o recrutamento na internet de agentes por parte da Rússia.
"Há coisas que estão a ser feitas" pela indústria de defesa europeia mas "não parecem ser suficientes"
Rolando Santos analisa os esforços de defesa da Europa nos últimos anos. O jornalista sublinha que Portugal está a investir em novas tecnologias que podem ser importantes no futuro.
"A Europa ainda não encontrou uma capacidade unívoca de resposta para fazer face aos desafios que a Rússia nos diz constantemente que são lapsos"
Rui Henrique Santos, especialista em Relações Internacionais, analisa o risco de ataque russo à NATO. Os serviços de informações dos Estados Unidos entendem que Moscovo pode avançar contra um membro da aliança militar a partir do outono.
Rússia não fará um "ataque em larga escala" contra a NATO, mas "temos de levar isso muito a sério"
Francisco Pereira Coutinho comenta a notícia divulgada pelo The Wall Street Journal de que a Rússia pode realizar uma operação militar contra territórios da NATO já no outono.