Secretário de Estado dos EUA diz que China planeia anexar Taiwan "muito mais depressa"

18 out 2022, 13:45
Antony Blinken (AP)

Antony Blinken admite que o calendário de Xi Jinping possa ter-se alterado e que Pequim procure agora a reunificação com Taiwan a breve prazo

O Partido Comunista Chinês está reunido até este sábado para o seu congresso, que acontece duas vezes por década. Xi Jinping abriu os trabalhos no domingo com um discurso de uma hora e 45 minutos - aquém das três horas e meia do discurso de há cinco anos - e prometeu resolver a "questão" de Taiwan, se necessário pela força. 

"As engrenagens históricas da reunificação nacional e do rejuvenescimento nacional estão a avançar. A reunificação completa da nossa pátria deve ser realizada e pode definitivamente ser realizada", afirmou o presidente chinês.

Confrontado com estas delcarações, o secretário de Estado dos EUA Antony Blinken admite que Pequim pode ter mudado a sua abordagem e planeará agora anexar Taiwan "muito mais depressa". Numa conversa com Condoleezza Rice, antiga secretária de Estado norte-americana, na Universidade de Stanford, Antony Blinken disse que a paz e a estabilidade entre China e Taiwan se manteve com sucesso nas últimas décadas, mas que a situação poderá mudar mais depressa do que se previa. 

"Em vez de manter o status quo que foi estabelecido de forma positiva, [Pequim tomou] uma decisão fundamental de que o status quo já não é aceitável e está determinada a conseguir a reunificação muito mais depressa", defendeu Blinken, citado pelo The Guardian. "Se os meios pacíficos não funcionarem, então empregarão meios coercivos e, possivelmente, se os meios coercivos não funcionarem, então talvez recorram à força para conseguirem o seu objetivo. Isto está a perturbar profundamente o status quo e a criar tensões tremendas", disse Blinken. 

Os cenários para a reunificação

Ainda que a China sempre tenha deixado claro que pretende a "reunificação" com Taiwan, sob o princípio de Uma Só China, até hoje os especialistas colocam vários cenários para a data provável desta anexação. Peritos em assuntos de segurança já alertaram que, dentro de poucos anos, o Exército de Libertação Popular terá capacidade para anexar Taiwan pela força, ainda que outros apontem o objetivo de Xi do rejuvenescimento nacional, previsto para 2049 - centenário da República Popular da China - como o prazo mais provável. 

Ao Guardian, Drew Thompson, antigo funcionário do Departamento de Estado norte-americano e investigador da Lee Kuan Yew School of Public Policy, em Singapura, disse que a modernização militar da China está claramente focada em Taiwan, mas que o poderio chinês, só por si, "não indica uma intenção para usar a força a breve prazo". Mas acrescenta: "Dito isto, a intenção de Xi Jinping pode mudar num instante". 

O diário britânico destaca ainda que Bill Bishop, especialista em assuntos chineses, referiu que nada existe nos documentos públicos ou no discurso de Xi Jinping que possa evidenciar uma aceleração do calendário de Pequim para tomar Taiwan. No Twitter, comentou as declarações de Blinken, questionando se a preocupação do secretário de Estado norte-americano com o ritmo mais rápido da anexação de Taiwan poderá vir de informações obtidas através dos serviços secretos.

Blinken avisou ainda, na intervenção na Universidade de Stanford, que a destabilização no Estreito de Taiwan traz preocupações a nível global, devido às trocas comerciais, dando o exemplo dos semicondutores: "Se a produção taiwanesa fosse perturbada em resultado de uma crise, teríamos uma crise económica em todo o mundo", concluiu.

 

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