António Ramalho esteve esta segunda-feira em tribunal
O antigo presidente do Novo Banco António Ramalho disse esta segunda-feira em tribunal que quando assumiu a liderança da instituição sucessora do BES, "não havia espaço para pensar no passado", constituindo os lesados a maior preocupação.
"Não havia espaço para pensar no passado e simultaneamente encontrar uma solução para o futuro", afirmou António Ramalho no julgamento do processo principal da falência, em 2014, do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES), em Lisboa, lembrando que o Novo Banco corria então o risco de ser liquidado um ano mais tarde.
O gestor acrescentou que se tornou presidente do Novo Banco em agosto de 2016 e a instituição seria liquidada em agosto de 2017 se não fosse vendida até essa data, segundo o que tinha sido acordado com as autoridades europeias.
De acordo com António Ramalho, que depôs na condição de testemunha no julgamento do processo BES/GES e foi o terceiro líder do Novo Banco, na altura a sua maior preocupação foi resolver o problema dos lesados do BES, muitos deles emigrantes, que tinham perdido o montante investido em instrumentos financeiros ligados a entidades da esfera do GES.
"Nós não assumíamos qualquer responsabilidade sobre esses ativos, que eram ativos de risco, mas assumíamos o risco reputacional que era terem sido colocados [à venda] aos balcões do banco", explicou, garantindo que "a maior parte acabou por recuperar" pelo menos parte do valor aplicado.
Questionado sobre o porquê de o Novo Banco não poder assumir a responsabilidade dos ativos, António Ramalho invocou as condições estabelecidas na resolução que criou a instituição financeira, na sequência da falência do BES.
O gestor, de 65 anos, abandonou a liderança do Novo Banco em 2022, depois de este ter sido vendido em 2017 ao fundo norte-americano Lone Star, que posteriormente o alienou.
O processo principal da queda do BES/GES conta atualmente com 18 arguidos, incluindo o ex-presidente deste banco Ricardo Salgado, de 81 anos e doente de Alzheimer.
O Ministério Público estima que os atos alegadamente praticados entre 2009 e 2014 pelos ex-quadros do BES e de outras entidades do GES tenham causado prejuízos de 11,8 mil milhões de euros ao banco e ao grupo.
Em causa estão crimes de associação criminosa, corrupção no setor privado e burla qualificada, entre outros.
O julgamento decorre desde 15 de outubro de 2024 no Tribunal Central Criminal de Lisboa.