"Quando vi aquilo disse 'isto não pode ser'": Seguro incrédulo com "queixas em privado" de Marcelo sobre Montenegro

6 mar 2025, 23:28
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"O país não aguenta tantas eleições em tão pouco tempo", sublinha o socialista, acrescentando que "os portugueses estão atónitos" com tudo o que está a acontecer nas últimas semanas

António José Seguro não quis acreditar quando viu o Presidente da República a "queixar-se em privado, a jornalistas," por não ter sido contactado pelo primeiro-ministro antes da declaração de Luís Montenegro ao país, no sábado à noite.

"Não é aceitável que um Presidente da República se queixe em privado, a jornalistas, a dizer ‘o primeiro-ministro não me ligou’. Eu quando vi aquilo disse: ‘Isto não pode ser’", contou António José Seguro no seu habitual espaço de comentário no CNN PrimeTime, Liberdade, às quintas-feiras.

O comentador, que está a ponderar uma candidatura às eleições presidenciais, diz que "o próprio Presidente da República afunilou os seus poderes ao equivaler um chumbo de um Orçamento a uma dissolução, a demissão de um primeiro-ministro a uma dissolução e a queda de um Governo por via de uma moção de censura, que ainda nem sequer tinha sido apresentada nem se conhecia o seu conteúdo, também a uma dissolução".

"O país não aguenta tantas eleições em tão pouco tempo", sublinha o socialista, acrescentando que "os portugueses estão atónitos" com tudo o que está a acontecer nas últimas semanas. "Estou convencido de que a esmagadora maioria dos portugueses não entende porque é que o país está à beira de ir a novas eleições. Perante tantos problemas que o país tem, o que se exige aos atores políticos é que consigam criar as condições para responder a esses problemas."

António José Seguro considera que o Presidente da República "deveria ter agido" quando foi "ignorado" pela sua família política. "Na altura em que ele deveria intervir, a sua família política ignorou-o. O primeiro-ministro nem sequer deu conta ao Presidente da República daquilo que ia fazer", diz, resumindo de seguida o atual cenário político em Portugal: "Temos um primeiro-ministro que não confia no Presidente, um Presidente que não confia no primeiro-ministro, um parlamento que não confia no primeiro-ministro e pelos vistos um primeiro-ministro que não confia no parlamento."

Neste cenário, diz, "ir para eleições pode ser uma opção mas não é a resposta". "Até porque não fica claro se não ficará tudo na mesma", ressalva, colocando várias hipóteses em cima da mesa, desde logo a repetição do que aconteceu há um ano, com PSD a formar Governo num parlamento completamente fragmentado. Nesse caso, questiona, "o parlamento vai deixar passar o Programa do Governo?".

E ainda outro cenário. "Imagine-se que o PS ganha as eleições, mas há uma maioria de direita. Colocam-se duas possibilidades: a primeira é o PSD ter o mesmo comportamento que o PS teve no Programa de Governo e no Orçamento do Estado. Mas imagine-se que há uma mudança de líder no PSD e que vem um líder que aplica o critério que o PS aplicou a Pedro Passos Coelho em 2015."

Questionado sobre se está a falar de um possível regresso de Pedro Passo Coelho à vida política ativa, José Seguro responde que está apenas a colocar "hipóteses em cima da mesa". "O meu papel é colocar hipóteses em cima da mesa."

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