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"Chega? Todos os presidentes nomearam o líder do partido ou a coligação mais votada. Eu tenciono manter esse princípio" - entrevista exclusiva a António José Seguro

12 set 2025, 00:03
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Numa entrevista exclusiva à TVI e à CNN Portugal, o candidato a Belém António José Seguro admite dar posse a um governo do Chega, caso o partido de André Ventura vença as próximas legislativas

"Não há regras constitucionais para uns e regras constitucionais para outros", responde António José Seguro quando questionado sobre a possibilidade de indigitar o líder do Chega como primeiro-ministro, caso seja Presidente da República à data das futuras eleições legislativas. Basta que o partido de André Ventura seja o mais votado, como dita a Constituição da República Portuguesa, esclarece.

Numa entrevista exclusiva à TVI e à CNN Portugal, a primeira como candidato a Belém, nesta quinta-feira, Seguro refere o artigo 120.º, que define o papel do Presidente como aquele que "nomeia o primeiro-ministro, mas é obrigado a ter em consideração os resultados eleitorais e a ouvir os partidos com representação parlamentar". "Até agora, todos os Presidentes da República deram posse ao líder do partido ou à coligação mais votada. Eu tenciono manter esse princípio", assegura. 

Mas primeiro terá de vencer a corrida à presidência no próximo ano, e até lá continua pacientemente à espera do apoio formal do Partido Socialista. Argumenta, contudo, que a sua responsabilidade "é olhar para o país", com uma candidatura "que será sempre não-partidária". 

"Eu percebo que há pessoas que têm como preocupação o PS e a defesa partidária. Não é esse o meu foco, nem a minha preocupação. Candidato-me pelo país, e vejo que há pessoas que passam imensas dificuldades, que há trabalhadores que, apesar de trabalharem e terem o seu salário, vivem em situação de pobreza, que hoje a classe média e a classe baixa têm dificuldades de acesso a uma habitação, vejo o Estado a recuar e a abrir fendas e vejo uma democracia com uma espessura muito fina", esclarece. 

Promete não ser "um Presidente da República que trabalha para os telejornais", garante também, mas sim um chefe de Estado "discreto, que faz o seu trabalho no tempo e no local adequados", de modo a "criar uma cultura de compromisso". "Em Portugal temos uma cultura de trincheira, onde os atores políticos se preocupam mais com a discussão partidária do que propriamente com a resolução dos problemas", argumenta. 

Um dos exemplos, diz o candidato, é a recente tragédia na Calçada da Glória, em Lisboa - e atira a responsabilidade a Marcelo: "O papel do Presidente da República é concentrar-se naquilo que é realmente importante para a vida das pessoas, e o que é que é importante? A segurança. O Estado tem de garantir que uma pessoa, quando põe o pé num elétrico, num autocarro, num comboio ou coloca a sua viatura numa ponte, o faz em segurança." 

Sobre o apuramento das responsabilidades e da verdade, que considera "necessário", também guarda várias críticas na manga. "Os relatórios têm de levar seis meses ou um ano para saber de quem era a fiscalização do trambolho? Quando é que ela deveria ser feita? Quando é que foi a última vez que foi feita? E qual é o organismo público que detém todas as áreas? Estas respostas não podem levar nem sequer um mês, nem uma semana." 

Entre os temas em cima da mesa esteve também a Defesa. Seguro afirma ser contra o serviço militar obrigatório e sugere que, antes de gastar mais na Europa, "há que gastar melhor" - "temos de ser inteligentes". Já sobre a imigração, assume parecenças com o Governo, embora não assumidas: "Temos de organizar na forma como se entra, no acolhimento e na integração." 

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