Horta Osório encaixa 3,66 milhões de euros por menos de nove meses no Credit Suisse

19 jan, 10:52
António Horta Osório

Financial Times revela remunerações do banqueiro português, que incluem um prémio de 1,06 milhões em 'cash' na saída do banco suíço

No tempo que dura a gestação de um bebé, cerca de nove meses, António Horta Osório encaixou 3,66 milhões de euros de remunerações do Credit Suisse. Este valor global inclui as remunerações devidas pelo tempo durante o qual foi presidente não executivo (chairman) do banco, dos quais 1,06 milhões de euros foram pagos como prémio e em 'cash'. Os dados, que não foram tornados públicos, são avançados pelo Financial Times, com base em fontes conhecedoras do processo. Os valores, aqui convertidos para euros, são pagos em francos suíços.

Segundo as mesmas fontes, o acordo de saída não prevê nenhuma cláusula de não concorrência, ao contrário do que é frequente em rescisões deste tipo. Isto significa que António Horta Osório está livre para trabalhar imediatamente noutras instituições do setor financeiro, incluindo bancos concorrentes do Credit Suisse. Isto acontece porque as leis na Suíça não permitem o pagamento dos chamados “paraquedas dourados”, pagamentos de grandes indemnizações à saída de instituições que são tipicamente contratualizadas logo à entrada.

Os valores têm como referência as remunerações negociadas por Horta Osório à entrada no banco: seriam pagos três milhões de francos suíços em salários por ano (2,9 milhões de euros), acrescidos de um prémio de 1,5 milhões de franco suíços (1,44 milhões de euros) em ações do banco ao longo de quatro anos. Na negociação de saída, o banqueiro recebeu os nove meses de remuneração, acrescidos de três quartos do prémio previsto para quatro anos – e pago em dinheiro, não em ações.

O banqueiro português entrou no banco com sede na Suíça em abril de 2021, tendo a demissão sido anunciada esta segunda feira de manhã, 17 de janeiro. Calculando a proporção, Horta Osório ganhou cerca de 430 mil euros por mês, ou cerca de 14 mil euros por dia.

Segundo o Financial Times, que avança todos estes dados, nos dez anos anteriores à entrada no Credit Suisse, António Horta Osório ganhou 56 milhões de libras (67 milhões de euros ao câmbio atual) enquanto presidente executivo do Lloyds Bank.

A demissão de Horta Osório aconteceu depois de o presidente do banco ter perdido o apoio da administração, na sequência de uma investigação interna no Credit Suisse, que confirmou pelo menos duas quebras às regras de contenção da covid-19 e concluiu que houve uma utilização “excessiva” do jato particular do banco. A investigação terá concluído ainda, também segundo o Financial Times, que Horta Osório passava pouco tempo em Zurique, onde o banco está sediado, face ao tempo que passava em Portugal e em Londres, onde vive a sua mulher.

O banqueiro português foi duramente criticado pela imprensa suíça, que comparou a conduta do banqueiro português com as do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e da estrela do ténis Novak Djokovic, por causa do desrespeito reincidente das regras de contenção da covid-19 impostas pelas autoridades.

 

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