Costa quer um "big bang" na UE para promover a competitividade

12 fev, 10:30
António Costa (EPA)

Presidente do Conselho Europeu defende a implementação de reformas transversais em todo o mercado único para reduzir a burocracia. Um exemplo seria a introdução de um princípio segundo o qual as empresas só precisariam de fornecer dados a uma autoridade na Europa uma única vez, em vez de o fazer em cada Estado-membro onde operam, sugere

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defende que a União Europeia precisa de um momento "big bang" para promover a competitividade europeia.

Numa entrevista ao Financial Times, concedida horas antes de presidir a uma cimeira com líderes europeus, no Castelo de Alden Biesen, Bélgica, António Costa argumenta que a UE precisa de se unir nesta matéria, tal como se uniu no ano passado a nível da defesa.

“Precisamos de dar um novo impulso político. Precisamos de fazer em 2026, em matéria de competitividade, o que fizemos no ano passado em matéria de defesa”, defende o ex-primeiro-ministro português, referindo-se aos acordos sobre o aumento das despesas com a defesa e a aquisição conjunta de bens e serviços.

Nesse sentido, o presidente do Conselho Europeu defende a implementação de reformas transversais em todo o mercado único para reduzir a burocracia. "Isto poderá ser um big bang no mercado interno", assume.

Um exemplo dessas reformas seria a introdução de um princípio segundo o qual as empresas só precisariam de fornecer dados a uma autoridade na Europa uma única vez, em vez de o fazer em cada Estado-membro onde operam, sugere Costa.

Um dos principais pontos da agenda da cimeira desta quinta-feira prende-se com a discussão em torno da política "Buy European", que tem vindo a ser pressionada por França, e que exigiria que certos produtos essenciais fossem fabricados na Europa - algo considerado inaceitável para Estados-membros com uma orientação mais virada para o mercado livre.

Sobre este ponto, embora defenda que a UE deve continuar a ser um "mercado aberto", rejeitando o protecionismo, António Costa admite que são necessárias medidas para proteger indústrias estratégicas como a indústria química, a siderurgia e a indústria do alumínio, sobretudo perante gigantes nestas matérias como os EUA e a China.

O objetivo da reunião desta quinta-feira, segundo o presidente do Conselho Europeu, é garantir um acordo político sobre uma série de medidas, nomeadamente a criação de um "verdadeiro mercado único" nos setores da energia, telecomunicações e mercados de capitais.

No âmbito desta cimeira, Costa vai ainda apelar aos líderes dos 27 para que assinem acordos comerciais e revejam as suas regras de concorrência de modo a permitir a "expansão" das empresas europeias, tornando-as mais competitivas a nível global.

“Não podemos ser ingénuos. Se alguns atores globais nos desafiam com concorrência desleal, precisamos de reagir”, defende, citado pelo jornal. “Se os outros usam o comércio como uma ameaça, como um instrumento de coerção, nós precisamos de usar as nossas ferramentas.”

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