O debate fofo

14 jan, 10:15

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Em Roma, durante a República, foi criada uma lei que proibia branquear demais as túnicas dos candidatos a cargos políticos. Alguns aspirantes faziam-no para aumentar a sua visibilidade. As campanhas, claro, evoluíram, e qualquer político ambicioso não necessita de adquirir detergentes para que as suas túnicas estejam imaculadamente brancas.

Isto simplemente porque hoje, num sinal de sobriedade, usam fatos escuros quando vão debater os grandes pesadelos do país. Foi o que fizeram António Costa e Rui Rio no ansiado debate. Como divergência ideológica profunda, um usou gravata verde e o outro azul clara. O que, claro, serviu para mostrar as suas diferenças, sobretudo face aos que defendem a privatização das praias públicas ou a estatização das orquídeas.

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É claro que há diferenças entre António Costa e Rui Rio e entre este PS e este PSD. Sobre os impostos ou sobre a gestão do SNS. Para essas questões um propõe um pudim com açúcar branco e o outro um pudim feito com stevia. Perante isso, o eleitorado central, que decide normalmente o resultado das eleições, avaliará qual é a gulodice que servirá melhor para combater a sua crescente penúria.

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Sobre a Europa, tema que não existe nesta campanha porque como se sabe estamos sediados no Ártico, percebemos que só serve para ir mandando uns milhões de euros ou, em momentos mais insolventes, os homens de cinzento da troika. Que farão às suas políticas amigas do cidadão quando os juros do BCE subirem e este deixar de comprar tanta dívida? Ninguém imagina. E como enfrentarão a já visível inflação? Um mistério digno de Agatha Christie.

É certo que vivemos num tempo em que os eleitores são tratados como clientes, mas é por ser assim que estas questões são mais dolorosas. Não há sociedade, mesmo anestesiada pela Netflix, que resista.

Se ganharem, que farão Costa e Rio com essa maioria (não absoluta)? Percebeu-se, mais ou menos, o que cada um fará a seguir, mas não há certezas. Faltou, claro, o assunto mais importante: que terra prometida podem propôr aos portugueses? No meio de tanto militante pragmatismo não existe um sonho de futuro.

Todos querem gerir o presente, ninguém desenha um Portugal luminoso em que todos desejariam viver em vez de emigrar. Falta a mitologia nesta campanha actual. Fala-se muito de economia e de alianças, pouco de sociedade e cultura. Fala-se de técnica, mas não de ética.

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Não existe um objectivo para Portugal, como foi notório na conversa amena. E isso nunca seria esclarecido, se em vez de 75 minutos fossem 1775 minutos de conversa tão fofa como um molotoff. Este debate foi uma versão civilizada e cordata do “Jogo da Lula”. Temos de estar agradecidos por isso.

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